• “SE HACE CAMINHO AL ANDAR” (*)

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                                                                    T.S. ELIOT
                      (Estrofe de “O Que Disse O Trovão” – Quinta parte de “A Terra Desolada”)

     

    Sentei-me junto às margens a pescar
    Deixando atrás de mim a árida planície
    Terei ao menos minhas terras posto em ordem?
    A Ponte de Londres está caindo caindo caindo
    Poi s’ascose nel foco che gli affina
    Quando fiam uti chelidon – Ó andorinha andorinha
    Le Prince d’Aquitaine à la tour abolie
    Com fragmentos tais foi que escorei minhas ruínas
    Pois então vos conforto. Jerônimo outra vez enlouqueceu.
    Datta. Dayadhvam. Damyata.
    Shantih shantih shantih

     

    (*) Versos de Antônio Machado.


    7 responses to ““SE HACE CAMINHO AL ANDAR” (*)”

    • Eu tenho, nos meus arquivos, o trabalho de um doutorando da Universidade Federal de Goiás, Flávio Camargo, em que ele compara o poema de Eliot com “À ponte do Brooklyn”, de Hart Crane. Mas sobre a estrofe que você postou, Camargo (2008):

      “Despontam aqui fragmentos, citações de várias origens, em diversas línguas, que evocam as “ruínas” culturais que sustentam a ruína do homem ocidental na modernidade. Nessa passagem, há alusões ao mito do Rei Pescador, a uma cantiga de ninar londrina, a Dante, a Virgílio, a Nerval, a Thomas Kyd e ao Upanishad, que denunciam suas múltiplas fontes e raízes, as quais informam o substrato de uma poética do fragmento.
      T. S. Eliot, ao assimilar influências multiformes, desenvolve um
      modo sutil de globalização literária, por intermédio de um processo de revitalização do material “tomado por empréstimo” graças a complexas operações mimético-metafóricas, conforme salienta Junqueira.
      Dessa maneira, há um processo de “eliotização” do estilo de outros autores que são incorporados e revitalizados na poesia de Eliot. Nessa perspectiva, o poeta estabelece uma relação paradoxal de ruptura e de continuidade de uma tradição. De acordo com ele, existe uma certa tendência, quando analisamos a obra de um poeta, em ver e encontrar o que lhe é individual, peculiar, original. No entanto, segundo Eliot, “se abordarmos um poeta sem este preconceito, acharemos frequentemente que não só os melhores, mas os passos mais significativos de sua obra, poderão ser aqueles onde os poetas mortos, seus antepassados, mais vigorosamente afirmam a sua imortalidade.”

    • É muito chic mesmo o cabôco ser doutor em Eliot, Joyce, Ezra Pound, Walt Whitman, Dylan Thomas ou Thomas Mann.
      Se eu morasse em Goiás me “desarnava” mesmo era na poética de dona Cora Coralina. Juro que arrebentava no ENEM!!

      Bjo.

    • Uai, sô! Qual o mal nisso? Não existe “doutô” em blues que nasceu em Natal e mora em Recife?

    • Esqueci de perguntar: por acaso, baixou o Suassuna em você?
      Beijos!

    • Êba!!!
      Apenas toco o meu instrumento (harp blues), mas nunca escrevi tese sobre blues e nem baião.
      Suassuna? Bebesse, foi?
      Quer que eu largue dona Cora e vá escrever monografia sobre dupla sertaneja ou sobre o milésimo gol do vereador Túlio Maravilha?
      Se fosse em Mato Grosso, vá lá que seja. Ainda tinha dona Helena Meireles – “a violeira”.

      Bjão

    • Ok, cara pálida. Mas te passei o texto porque achei interessante o que ele fala sobre a individualidade e a imortalidade da obra de um poeta. Pensei que você, como poeta, se interessaria também. Não se interessou, não enxergou ou não entendeu essa parte? Ou as três coisas juntas?
      Beijos, insuportável!

    • As duas mil coisas juntas!
      Outros.


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