• A BRONCA DOS HOMÔNIMOS

    Foto do busto em bronze dos Irmãos Gracchus, Tibério e Caio Graco, ‘tribunos da plebe’ romana, precursores da reforma agrária durante o Império dos Césares.

     

    Sempre achei que o meu nome de cartório e de batismo, apesar de não ser estrambótico, era raro, até pela concisão, já que meu pai, acertadamente, não o alongou com os outros sobrenomes dele e da minha mãe, comprometendo, assim, a estética de sua pronúncia forte, data venia pela presunção.

    Sou da era do rádio; do telégrafo; da tecla de morse; do teletipo; do telefone de baquelite com disco rotatório de números; da máquina de escrever completamente mecânica e da TV p&b.

    A máquina elétrica ‘IBM’; a TV a cores digital, de plasma e do escambau; os primeiros fax e computadores que chegaram no Brasil; os notebooks; tablets e os onipresentes celulares, desde os primeiros ‘tijolões’ até aos últimos ‘top de linha’, são apetrechos tecnológicos e modernosos da geração dos meus filhos e principalmente dos meus netos, Luan e Pietra, que fazem miséria com esses smartphones incríveis.

    Tenho por hábito, durante a madrugada, sempre que posso, sair catando meu nome, o de amigos e familiares no buscador ‘doutor google’ e geralmente descubro coisas já quase esquecidas da memória, seja a velha militância política, o meu universo de trabalho no serviço público federal e as minhas vivências, produções e participações poéticas e musicais ao longo do tempo.

    Como já me reportei no primeiro parágrafo, ao cascavilhar o meu nome, que sempre achei ‘sem chance’ para a ocorrência de possíveis homônimos, eis que surgem dois “Graco Medeiros”, entre os vários Caio Graco e Tibério Graco, aos quais o meu prenome sempre esteve ‘encangado’, pela fama dos irmãos ‘Gracchus’ da Roma antiga, os combativos ‘tribunos da plebe’, diletos filhos de Cornélia e propositores da reforma agrária romana. Contudo, devo ressaltar que este Graco aqui não tem nenhuma articulação com a bandalha do Stédile.

    Pois muito bem. O primeiro Graco Medeiros que eu achei é um menino alegre de João Pessoa, protótipo desses danadinhos de academia que bombam nas pistas das boates LGBT. Uma gracinha!

    O outro Graco Medeiros é um soldado de polícia (PM) ‘destacado’ em Itajá, cidadezinha do Vale do Açu, no Rio Grande do Norte.

    O soldado foi ‘nutiça’ porque denunciou as péssimas condições de trabalho, num posto onde somente ele e seu companheiro, um cantil, se fazem presentes numa cidadezinha de quase sete mil habitantes, numa região exposta à violência do ‘cangaço moderno’ que assola os sertões nordestinos.

    Esse xará, tinhoso como eu, estava sendo admoestado pelos seus superiores por causa da ousadia de denunciar tal situação e ainda fotografar e postar, em rede social, o cantil velho sobre uma mesa, chamando-o de meu único companheiro de trabalho.

    Lembrei do filme ‘Náufrago’, com Tom Hanks, vivendo um personagem, funcionário da FedEx, que sobrevive numa ilha deserta do Pacífico, após a queda do avião que o transportava. Seu único companheiro é uma bola de couro, da marca ‘Wilson’, que ele encontrou boiando, juntamente com cadáveres e outros objetos da carga que restou do avião sinistrado.

    Mas, o praça e xará conterrâneo me surpreendeu mesmo pelas implicações de sua postura na área de ‘Segurança e Saúde do Trabalhador’, atualmente cognominada de ‘Ciências do Trabalho, Meio Ambiente, Direito e Saúde’.

    Ainda sobre o primeiro Graco Medeiros lá de ‘Jampa’, também me reporta uma história sobre um soldado de Napoleão Bonaparte, um praça de ‘conduta alterada’, segundo o jargão militar.

    Sabendo de sua postura, Bonaparte o chamou pessoalmente e disse-lhe na tora:

    – “Xará, ou você muda de conduta ou muda de nome!”.

    Tomara que as candinhas, sabedoras do meu passado hippie estradeiro, não contabilizem esses ‘Graquinhos’ na minha ‘cota’ de pai. Só tenho três e nenhum deles assina ‘Junior!’

    (GM)


     Leave a reply