• “APARIÇÃO”

                 Crédito da foto: Portal Informe PE.



    CALDEIRÃO DOS MITOS

       (Bráulio Tavares – 1980)

    Eu vi o céu à meia-noite
    Se avermelhando num clarão
    Como o incêndio anunciado
    No Apocalipse de São João
    Porém não era nada disso
    Era um corisco, era um lampião.

    Eu vi um risco nos espaços;
    Era o revôo de um sanhaçu;
    Eu vi o dia amanhecendo
    No ronco do maracatu;
    Não era a lança de São Jorge,
    Era o espinho do mandacaru.

    Vi um profeta conduzindo
    Pros arraias as multidões
    Pra construir um chão sagrado
    Com espingardas e facões;
    Não foi Moisés na Palestina,
    Foi Conselheiro andando nos sertões.

    Eu vi um som na escadaria
    Do re-mi-fa-sol-la-si-do;
    Não era o eco das trombetas
    De Josué em Jericó;
    Era um fole de oito baixos
    A toca numa noite de forró.

    Vi um magrelo amarelado
    Passando a perna no patrão;
    Não foi ninguém na Inglaterra
    Nem de Paris nem do Japão;
    Era Pedro Malazarte, era João Grilo
    E era Cancão.

    Eu vi um som ao meio-dia
    No meio do chão do Ceará;
    Não era o coro dos Arcanjos
    Nem era a voz de Jeová:
    Era uma cascavel, armando
    O bote balançando maracá.

    Vi uma mão fazer o barro
    Um homem forte, um homem nu;
    Um homem branco como eu
    Um homem preto como tu;
    Porém não foi a mão de Deus;
    Foi Vitalino de Caruaru.

     

    CLARÃO ‘MISTERIOSO’ NO CÉU SURPREENDE MORADORES DO NORDESTE

    FOLHA DE S. PAULO / UOL (De Recife) – Moradores de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte surpreenderam-se com um clarão repentino no céu por volta das 22h20 desta quarta-feira (15).

    O fenômeno que assustou muita gente e dominou as redes sociais na região chama-se bólido ou fireball (bola de fogo), segundo a Sociedade Astronômica do Recife.

    “A vaporização dos meteoroides [corpos sólidos provenientes do espaço] na atmosfera produz um rastro luminoso de curta duração e um rastro ionizado de longa duração. Alguns desses corpos têm tamanhos maiores o suficiente para produzirem um rastro com aspecto de uma bola de fogo”, diz nota da Sociedade.

    Segundo os astrônomos, a luminosidade é oriunda de aquecimento resultante do atrito com gases da atmosfera.

    Caso esse objeto espacial consiga chegar à superfície da Terra, recebe o nome de meteorito. Os astrônomos dizem que o mais provável é que ele tenha se desintegrado, pois, até a manhã desta quinta-feira (16) não havia relatos de nenhum meteorito encontrado.

    “Não precisamos entrar em pânico com os bólidos, isso é um evento natural e que ocorre a uma altura de aproximadamente 60 km acima do solo, na alta atmosfera”, diz a nota da Sociedade Astronômica do Recife.

    “Geralmente os bólidos chegam a explodir e são acompanhados por grandes estrondos parecidos com trovões e a um grande clarão azul, o que foi visto por muito mais pessoas”, informa o comunicado.

    Os astrônomos acreditam que o bólido visto na última noite está relacionado com uma chuva de meteoros comum nesta época do ano, entre os dias 14 e 29 de outubro.

    Especialistas afirmam que chuvas de meteoros acontecem anualmente porque a Terra passa por diversos detritos deixados no espaço por cometas.

    A chuva que acontece neste período do ano é causada por detritos do rastro do cometa Halley, que passa perto da Terra a cada 76 anos. A última passagem aconteceu entre 1985 e 1986.


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