• TOCA JACKSON DO PANDEIRO!

    Há precisamente 93 anos nascia em Alagoa Grande (PB) um dos maiores gênios da Música Popular Brasileira, o mestre José Gomes Filho, o Jackson do Pandeiro (foto do “Jornal de Músicas” – RJ).

     

    O REI DO RITMO

    Criado em 1974 pelos jornalistas Tárik de Souza, Ezequiel Neves e Ana Maria Bahiana, e o artista gráfico Diter Stein, o ‘Jornal de Músicas’ nº 24, de outubro de 1976  fez a seguinte matéria com Jackson do Pandeiro, ao lado de Gilberto Gil, fã entusiasta do mestre de Alagoa Grande.

    Gil fez uma breve análise da importância de Jackson na MPB e, especialmente, em seu trabalho.

    “Quando eu era menino, ficava escutando ele no rádio e pensava: um dia vou cantar como esse cara. Eu tenho um balanço parecido como dele.’ O ouvido atento e curioso de Gil, que o levaria a percorrer diversos caminhos dentro da música, não apagaria contudo a marcante influência de Jackson. A tal ponto, que o próprio Gil reconhece que nem Luiz Gonzaga o marcou tanto musicalmente.

    – A grande importância de Jackson – explica Gil – é que ele é um dos chamados definidores cíclicos da MPB. Ele introduz o coco, a malandragem nordestina, enquanto Luiz Gonzaga traz o baião, que tem suas raízes no sertão, na caatinga, no country nordestino. Luiz é rural, e Jackson urbano. São, enfim, duas faces de uma mesma moeda, expressões máximas da música do Nordeste. Na minha formação, os dois são fundamentais, só que eu tenho mais parecença com Jackson. “Suingo” igual a ele. De Luiz eu trago uma carga empática maior, pelo volume da obra dele, que é um empreendedor, uma figura mais política.

    – Quando Luiz Gonzaga apareceu – é Jackson que intervém – cantando baião e essas coisas, eu pensei: minha mãe cantava umas coisas mais temperadas. Aí, em vez de seguir o Luiz, vim para o coco, maracatu, forrozada.

    – É, você é mais beira de praia – prossegue Gil -, mais dendê. Gonzaga é mais agreste. Você é um diletante.

    – Peraí – espanta-se Jackson – assim você tá me esculhambando. Que diabo é diletante?

    – É um cara que faz as coisas por prazer – tranquiliza Gil.

    – Ah, aí tá certo. Eu sou isso mesmo – conclui Jackson”.

     
    Nota do SDV: texto compilado dos blogs ‘Palavras Domesticadas’, de Márcio de Aquino, e ‘Tablóide Digital’, de Aramis Millarch. 

    Agora, veja e ouça um vídeo raríssimo (1976) de Gil e Jackson curtindo uma malemolente suingada, marca registrada do “Rei do Ritmo”:

    http://www.youtube.com/watch?v=OLom-3k0WRw


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