• O BRUXO DA GAITA

    sonny boy williamson_esta                 O fenomenal Sonny Boy Williamson II, falecido em 25 de maio de 1965

     


                                   UM CERTO SONNY BOY WILLIAMSON, O SEGUNDO…

    Site whiplash.net – Aleck Ford, filho de Mille Ford e pai desconhecido, nasceu na área de Tallahatche perto de Glendora no Mississippi em dezembro de 1899. Como podem logo perceber, este Sonny Boy Williamson é quatorze anos mais velho que seu antecessor, o que é uma situação bastante peculiar. Sua mãe depois se juntaria com James Miller que torna-se o padrasto do infante Aleck a quem adotaria e corrigiria o nome, passando de Aleck para Alex Miller. Ainda bem criança, por ter um corpo extremamente fino, passam a apelidá-lo de Rice (Arroz). Esta é a razão pela qual podem encontrar tanto os nomes Alex Miller como Rice Miller relacionados a ele. Rice aprendeu a tocar a gaita sozinho aos cinco anos de idade e comumente tocava em festas em troca de gorjetas, usando o nome de Little Boy Blue. Na década de vinte, saiu de carona pelo mundo, tocando basicamente entre as fronteiras dos estados de Mississippi e Arkansas. Gradualmente seguiu para Louisiana, Missouri e Tennessee. Usou vários nomes artísticos, desde os óbvios Alex e Rice Miller como os menos conhecidos Willie Williamson, Willie Williams e Willie Miller entre outros. Na década de trinta tocou com Sunnyland Slim, Elmore James, Big Boy Cradup, Robert Johnson, Howlin’ Wolf, e Robert Jr. Lockwood.

    Seria trabalhando novamente com Lockwood em 1941 que ele passaria a usar o nome Sonny Boy Williamson, usurpando a fama de ás da gaita contido no nome. A dupla trabalhava em um programa de rádio na cidade de Helena, fato que contribuiu para tornar este Sonny Boy Williamson em uma celebridade entre as regiões do leste de Arkansas, oeste de Tennessee e o delta do Mississippi. Rice Miller também pegou “emprestado” muito da técnica que John Lee Williamson (o outro Sonny Boy Williamson) utilizava, acabando por desenvolvê-la ainda mais. Miller fazia de sua gaita o centro das atenções, não importando quem estivesse tocando com ele. Sem duvida, Rice Miller (agora Sonny Boy Williamson – o segundo) é o mais conhecido e quem tocou com mais gente de renome dentro do meio blues das décadas de trinta e quarenta. Voltaria a tocar novamente com Howlin’ Wolf, Elmore James, e um grande número de outros bluesmen. Começou a gravar na década de cinqüenta ao lado de Josh White, Otis Spann, e Memphis Slim, entre outros.

    Na década de sessenta foi à Inglaterra a convite de Chris Barber, se tornando junto com Muddy Waters, o bluesman que mais atraiu os ingleses a deixarem o jazz de lado para abraçar o blues. Dizem que além de sua habilidade com o instrumento, Miller era também um típico contador de caso, exagerando fatos e aumentando proezas para o humor dos ouvintes. Seu caráter imprevisível colorem sua personalidade artistica aos olhos de muitos. Conta-se que era capaz de colocar sua gaita inteira na boca e ainda tirar notas precisas. Voltou à Inglaterra outras três vezes, a última em 1964. Nestas viagens tocou com bandas como the Chris Barber Band (com Alexis Korner e Cyril Davies), Cyril Davies & the All Stars, the Animals, the Yardbirds, e Brian Auger & the Trinity. Antes de sua última viagem para a Inglaterra, ensaiou com The Hawks, mais tarde conhecidos como The Band, com planos de excursionarem juntos o sul americano. Alex Miller faleceu antes destes planos poderem se concretizar, no dia 25 de  maio de 1965 em Helena, Arkansas, aos 65 anos de idade, de causas naturais. Se John Lee Williamson (Sonny Boy Williamson – o primeiro) foi quem elevou o status da gaita em uma banda, tamanha a técnica que possuía, foi Rice Miller (Sonny Boy Williamson – o segundo) quem desenvolveu esta técnica ainda mais e quem a levou para os cantos mais distantes do planeta, onde o blues jamais havia chegado antes. Rice Miller levou o seu blues não só para a Inglaterra, mas também para a França, Alemanha, Dinamarca, e até a Polônia (ao lado de Memphis Slim) enquanto aquele país ainda pertencia à chamada cortina de ferro. Rice Miller, o segundo Sonny Boy Williamson é certamente o mais famoso entre os dois. Foi o que mais gravou discos, mais viajou, mais viveu. Jamais colocaria duas notas onde uma ou nenhuma dava o recado. Por estas e outras, na tradição do nome Sonny Boy Williamson, Rice Miller é chamado de o Rei da Gaita.

    Entre suas composições mais conhecidas estão “Eyesight to the Blind,” “One Way Out,” “Don’t Start Me Talking,” “Cross My Heart,” “Mighty Long Time,” “Help Me,” e “Nine Below Zero”. Entre músicos que abertamente o tem indicado como grande influência estão Clarence Anderson (também conhecido como Sonny Boy Williamson Jr.), Howlin’ Wolf, Lightin’ Slim, Little Walter, Little Milton, Little Sonny Willis, Snooky Pryor, Hound Dog Taylor, Jimmy Reed, Junior Wells, James Cotton, Brian Jones, Mick Jagger, Paul Butterfield, Eric Clapton e Keith Relf, gaitista do Yardbirds, entre vários outros.

     
    Nota do SDV: vide a técnica de sopro do “monstro”, numa época de parcos recursos tecnológicos não comparaveis aos de hoje, com seus microfones ‘capsulados’ e efeitos ‘drivers’ que dão à gaita de boca (diatônica) a sonoridade de uma guitarra distorcida, com todas as pedaleiras (“latinhas”) disponíveis nas boas lojas especializadas. No link abaixo, ‘a levada’, a sonoridade, ‘o astral’, a voz e a pinta desse bruxo do ‘vialejo de flandre’, segundo a denominação popular da ‘harp blues’ no tempo da minha infância em Natal/RN. Taí a prova do que digo em “Keep it to Yourself”:  http://www.youtube.com/watch?v=Q0rRvfwrrGc

     


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