• DESAFIO DESAFORADO


    Resgate do blog “ALMA DO BECO”, de Eduardo Alexandre Garcia (Dunga) – Natal, terça-feira, 10 de abril de 2007:
    A PELEJA QUASE SUICIDA DE GRACO LEGIÃO COM OS POETAS LÍVIO OLIVEIRA E ANTONIEL CAMPOS NOS OITO PÉS DE QUADRÃO.

     

    Graco Legião:
    (Graco Medeiros / ‘Legião’ e o personagem Rocas Quintas)

    Seu Lívio não bote aqui
    Nem Jane nem Herondy
    Pra fazer um ti ti ti
    Dentro dessa lotação
    Pois a turma da matraca
    Se pular minha catraca
    Eu furo o bucho de faca
    Nos oito pés de quadrão.

    Lívio Oliveira:
    (“Zé de Zabumba”)

    Ô seu Graco Legião
    Rocas-Quintas é seu nome?
    Pois lhe tenho fé de homem
    Acredito na versão:
    Não foi por maldade não
    Que testara a testa dela
    Colocando na panela
    Keitileine e macarrão.

    Antoniel Campos:
    (AC do Mourão)

    Keitileine é o meu nome
    Sou doida por esse hômi,
    Por ele já passei fome:
    Rocas Quintas vacilão
    Rogo a Graco Legião,
    Canto Barros de Alencar:
    “Prometemos não chorar”
    Nos oito pés a quadrão.

    Graco Legião:

    Lívio deixe de besteira
    Antoniel fez carreira
    Escondeu-se na Ribeira
    Com medo de “Legião”.
    Venha o Beco da Lama
    Todos poetas de fama
    Comigo vão comer grama
    Nos oito pés de quadrão!

    Livio Oliveira:

    Não me interessa o teu nome
    Nem mesmo qualquer alcunha
    Rocas-Quintas? Cabra homem?
    Ou moça ruim, com mumunha
    Só quero é te repetir:
    Se no verso prosseguir
    Tu levarás safanão
    Nos oito pés de quadrão!

    Graco Legião:

    Lívio você tem renome
    Não confunda o meu nome
    Com dublê de passa-fome
    Não sou Rocas do Busão
    Levo a vida na mumunha
    Fumando muita maconha
    Greiando com sem-vergonha
    Nos oito pés de quadrão!

    Livio Oliveira:

    Dom Graco tem muita goga
    Pensa que faz muita troça
    Mas esse cabra com folga
    Vai deixar de fazer bossa
    Quer enfrentar toda turma
    Quente em brasa de um vulcão.
    Ficará de quatro pés
    Nos oito pés de quadrão!

    Graco Legião:

    Tu podes plantar cardeiro
    Diamba pra maconheiro
    Criar bode no chiqueiro
    E maniva no oitão
    Mas faça rima direito
    Trate o verso com mais jeito
    Pra não perder o respeito
    Nos oito pés de quadrão!

    Livio Oliveira:

    Não quero saber de rima
    Casar o quarto e o oitavo
    Mas já tô ficando bravo
    Com esse azedo de lima.
    Faço verso com formão
    Ninguém vai me dar palpite
    Nem comedor de alpiste
    Nos oito pés de quadrão!

    Graco Legião:

    Já cantei com cantor ruim
    Nas bandas do Alecrim
    Com cheiro do pituim
    Catingando no salão
    Esse cabra tá com medo
    Volta pra casa mais cedo
    Ou fica chupando dedo
    Nos oito pés de quadrão!

    Livio Oliveira:

    Você já tá tão cansado
    Que erra até no teclado.
    Já soma tanta besteira
    Nesse papo de parteira.
    Mas cuide de outra lição,
    Que essa ficou estragada,
    E não me diga mais nada
    Nos oito pés de quadrão!

    Graco Legião:

    Eu havia percebido
    Que o cobrador metido
    Já andava combalido
    Aqui nessa lotação
    Pois brigou com muita gente
    Ficou firme no batente
    Cansou de fazer repente
    Nos oito pés de quadrão!

    Livio Oliveira:

    Num sábado d’aleluia,
    Cruzei com GRACO Medeiros,
    Inteligente e arteiro,
    Guardando milhões na cuia
    Fiquei com a alma feliz:
    Eu me salvei por um triz
    Lutei com uma LEGIÃO,
    Nos oito pés de quadrão!

    Graco Legião:

    Valeu Lívio Oliveira
    Pela nossa brincadeira
    Mesmo dizendo besteira
    Um abraço de ‘Legião’
    Por topar o desafio
    Tocar fogo no pavio
    Na margem do Grande Rio
    E nos oito pés de quadrão!

    Antoniel Campos:
    (AC do Mourão)

    Epa! Epa! E alto lá!
    Que agora vai começar
    Na arte de pelejar
    O grande AC do Mourão
    Pra enterrar Legião
    Rocas Quintas et caterva
    Que escreva por mim Minerva
    Meus oito pés a quadrão!

    Graco Legião:

    Eu aviso, Antonié
    Se vai pegar no meu pé
    Fica cheirando chulé
    Do meu velho chinelão
    Se tu gostas de rapé
    Viage pro Pixoré
    Pra tu saber do rolé
    E da fama de Legião!

    Antoniel Campos:

    É entre profissionais
    Que a arenga agora se faz
    Bandeira branca da paz
    Digo logo: aceito não!
    Eu tou virado num cão
    Também virado num traque
    E essa legião de araque,
    Não sabe os oito a quadrão!

    Graco Legião:

    Ontem, Lívio Oliveira
    Passou quase a noite inteira
    Levando pau na moleira
    Mas aprendeu a lição.
    Vem agora Antonié
    Um poeta barnabé
    Feito as pregas de Quelé
    Querendo fazer quadrão!

    Antoniel Campos:

    Cantador da sua igualha
    É como fogo de palha
    Frente ao meu verso-navalha
    Se acaba em cinza no chão!
    Quem peita ‘AC do Mourão’
    Se borra logo nas tintas
    Lá vai pisa em ‘Rocas Quintas’
    Nos oito pés a quadrão!

    Graco Legião:

    Eu rimo sem arrodeio,
    Pois não tenho aperreio
    Pra fazer o meu enleio
    Com poeta medalhão.
    Falo a língua do povo,
    Começo tudo de novo
    E você baba meu ovo
    Nos oito pés de quadrão!

    Antoniel Campos:

    Hoje vou tirar diploma,
    Vou deixar você em coma,
    Deitado, cagando goma
    No banco da lotação…
    Que poeta mais teimoso,
    Tome surra do tinhoso
    Com cipó de fedegoso
    Nos oito pés de quadrão!

    Graco Legião:

    Poeta peba atrevido
    Leva mão no pé d’ouvido
    Se caga, fica fedido
    Estendido pelo chão.
    Você hoje se ‘atrapaia’
    Com o peso da ‘cangaia’
    Na frente de Marcia Maia
    E nos oito pés de quadrão!

    Antoniel Campos:

    Quem avisa amigo é:
    Pegue o beco, dê no pé
    Que pra cantador chué
    Não tenho contemplação
    O meu verso é cinturão
    Lascando seu espinhaço
    Hoje eu tiro seu cabaço
    Nos oito pés a quadrão!

    Graco Legião:

    Poeta segure o tombo,
    Eu vou em Pedro Catombo
    Meter o pau no seu lombo,
    Calunga de caminhão,
    Comigo não tem perdão
    Pode ser em Nazaré,
    Eu lhe pego Zé Mané
    Nos oito pés de quadrão!

    Antoniel Campos:

    Vais chamar broca de breca
    Catraca chamar catreca
    Na frente da sua “réca”
    Vais passar humilhação
    Hoje eu dou-lhe uma lição
    Guarde dentro do bisaco
    E agora cate cavaco
    Nos oito pés a quadrão!

    Graco Legião:

    Com você eu nunca erro
    Ganho na rima e no berro
    Reboco pra “Pau dos Ferro”
    Pra servir de mangação
    Lá você toma tenência
    Vai me bater continência
    E perder toda decência
    Nos oito pés de quadrão!

    Antoniel Campos:

    Cresça mais dois “palmo” e meio
    Tou vendo seu aperreio
    Nessa pisa por e-mail
    Que dá o AC do Mourão
    Vá ver o seu Domingão
    Ou um filme na Record
    Que já tá me dando dó
    Surrar-lhe em oito a quadrão!

    Graco Legião:

    Você entra no cacete
    Filhote de tamborete
    Não pise no meu joanete
    Pra não levar safanão
    Deixe a televisão
    Vá simbora pro “DENITE”
    Tratar melhor dessa gripe
    E da surra de quadrão!

    Antoniel Campos:

    Cheguei agora da feira
    Amolando a “lambedeira”
    No caminho da ladeira
    Pra açoitar Legião
    Mas troco pelo abração
    Pondo fim na cantoria
    E lhe louvo a “qualistria”
    Na arte de oitar quadrão!

    Graco Legião:

    Antoniel grande vate,
    Nós demos um “chocolate”
    Foi feroz o nosso embate
    Neste choco domingão.
    Você briga feito o cão
    Eu não dou folga no laço
    Vai daqui um grande abraço
    Nos oito pés de quadrão!

    *****


  • EPITÁFIO DE ARGONAUTA

     

     

    Algum dia em mar distante
    Exilado da ambígua raça
    Serei tido como farsante
    Por fora da grande farsa.


    (GM)

     

    Publicado em “Poemas do Céu da Boca na Boca da Noite Suja”, meus rascunhos poéticos de MCMLXXXII.