• A ROSA DOS VENTOS


     

    Rosa entre rosas
    cujos espinhos sou eu.

    Mimosa entre ‘mimosas’
    as gaitas do sopro meu.

    Você
    meu dó, ré, mi,
    fá, Sol, lá, si
    e só.

    Meu vibrato, meu acorde
    minha fermata, meu arpejo
    por mais tarde que eu acorde
    beijo-te, meu vialejo.

    Neste 30 de setembro
    de primavera floral
    da branda brisa me lembro
    soprando no matagal:

    Minha querida Alcione,
    meu sopro virou ciclone
    e você é meu vendaval!


    (Graco Medeiros)


  • A PRAIA DA MARGEM ESQUERDA

    Praia da Redinha, originária comunidade de pescadores no litoral norte de Natal (RN), no lado da margem esquerda do Rio Potengi.

     


    Velha Redinha
    dos passeios escolares
    desbravando o Rio Doce
    e rolés dados nas dunas
    como se deserto fosse.

    Velha Redinha
    da igrejinha de pedra
    do trapiche e da lancha
    do mar que sempre avança
    e maruim que não arreda.

    Velha Redinha

    resiste mangue e mercado
    (resto de teus coqueirais)
    o bando do cão danado
    que come lama, ginga e tapioca
    com caranguejo que sai da loca
    pra brincar teus carnavais!


    (GM)


  • POEMA PARA UM PÉ DE MACONHA EXTERMINADO

     


    Arranquei-te, coisa mardita
    planta danada, erva danisca
    arbusto do bem e do mal!

    Pensavas que vingarias
    no xaxim e no quintal
    no terreiro de Maria
    pra brincar o carnaval?

    Queima, jererê de Piancó
    lá na beira do aceiro
    nos roçados de Salgueiro
    e sítios de Cabrobó.

    Pra nego fumar boró
    só na mão do traficante
    no mundo beligerante
    que dá toco e desfaz nó!


    (GM)


  • A MURALHA DA MORTE NA PRAÇA ANDRÉ DE ALBUQUERQUE…


    Das coisas que tinha medo

    Que me causavam paúra
    Boi preto da prefeitura
    Puxando o lixo bem cedo
    E na Rua Gonçalves Ledo
    Escutava o grito forte
    De Cambraia com seu porte
    Sem uso de megafone:
    Hoje tem Capitão Tony
    Lá na muralha da morte!

    (Graco Medeiros)

     
    Nota do SDV: na foto, o ‘galego’ ou o ‘alemão’ CAPITÃO TONY pilotando sua motocicleta na desafiadora “Muralha da Morte”, lá pelo começo dos anos 1960, na Praça André de Albuquerque, Natal-RN. 

    Depois da exímia exibição, ele passava para um pequeno porsche – e em alta velocidade -, balançava toda a estrutura feita de madeira e vigas de aço para suas exibições, deixando assustado, tonto e boquiaberto o seu fiel e ‘respeitável público’.

    No encerramento, o mestre de cerimônia do evento levava um lero com a galera, dizendo que “nenhuma seguradora queria fazer um seguro de vida para o intrépido e audaz  ‘capitão…”

    Não chegava a concluir a frase de um discurso já decorado sobre o abandono do ‘capitão’ à própria sorte e risco de vida… a frase inconclusa era o bastante para cativar emocionalmente uma plateia extasiada e ‘indignada com as seguradoras’.

    De repente, começava a ‘chover dinheiro’ na arena da Muralha da Morte!


  • CUTUCANDO MARIMBONDOS…

     

                                  DILMA TIRA PODERES DE COMANDANTES MILITARES

    O ESTADÃO (De Brasília) – Além das crises política e econômica que atingem o governo, o Palácio do Planalto agora enfrenta problemas com a área militar. Na quinta-feira da semana passada, a presidente Dilma Rousseff assinou decreto que estava na gaveta da Casa Civil há mais de três anos, tirando poderes dos comandantes militares e delegando ao ministro da Defesa competência para assinar atos relativos a pessoal militar, como transferência para a reserva remunerada de oficiais superiores, intermediários e subalternos; reforma de oficiais da ativa e da reserva; promoção aos postos de oficiais superiores; nomeação de capelães militares, entre outros.

    Hoje, esses atos são assinados pelos comandantes militares. A medida foi recebida com “surpresa”, “estranheza” e “desconfiança” pela cúpula militar, que não foi informada de que ela seria assinada por Dilma.

    A responsabilidade pela decisão de o decreto ter saído da gaveta era considerada um mistério. No fim do dia, no entanto, a Casa Civil informou que o envio do decreto à presidente atendeu a uma solicitação da secretaria-geral do Ministério da Defesa, comandada pela petista Eva Maria Chiavon.

    O comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que estava ocupando o cargo de ministro interino da Defesa, e que viu seu nome publicado no Diário Oficial endossando o decreto, disse que não sabia da existência dele.

    “O decreto não passou por mim. Meu nome apareceu só porque eu era ministro da Defesa interino. Não era do meu conhecimento”, disse o comandante ao deixar o desfile de Sete de Setembro.

    O ministro da Defesa, Jaques Wagner, que estava na China quando o decreto foi editado, também demonstrou surpresa com a medida. “Posso assegurar que não há nenhum interesse da presidente Dilma em tirar poderes naturais e originais dos comandantes”, afirmou à reportagem.

    “Ainda não estudei o decreto, mas ele visa normatizar as prerrogativas de cada instância com a criação do Ministério da Defesa e não tirar o que é da instância dos comandantes”, justificou. Wagner lembrou que o decreto ainda não entrou em vigor e que “qualquer erro ainda pode ser corrigido”.

    Repercussão

    O decreto gerou “uma histeria geral”, pela maneira como foi feita a publicação, sem que a cúpula militar fosse avisada. “Há uma preocupação de que este decreto, que estava dormindo há anos, foi resgatado por algum radical do mal ou oportunista, com intuito de criar problema”, disse um oficial-general, ao lembrar que a publicação do texto foi “absolutamente desnecessária”.

    Outro militar afirmou que “faltou habilidade política de quem tirou o decreto da cartola, em um momento em que o governo já enfrenta tantas dificuldades, criando uma nova aresta, pela forma como foi feita”.

    Este mesmo militar comentou que, mesmo o ministro da Defesa podendo delegar aos comandantes os poderes previstos no decreto, a medida é uma retirada de atribuição dos chefes das três Forças e que, no mínimo, a boa regra de relacionamento ensina que você avise a quem será atingido. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.