• MARINA MORENA MARINA VOCÊ SE PINTOU? (*)

    DIRCEU JOGA A TOALHA – Na foto, a candidata Marina Silva (PSB) “exibe a prova” para o deputado e ex-ministro Miro Teixeira que o presidiário José Dirceu está sendo leviano e mentiroso, conforme declarações na matéria logo abaixo, usurpando, portanto, um rótulo atribuído recentemente à candidata do PT e atual presidente Dilma Rousseff.

     

                                ZÉ DIRCEU SOBRE MARINA: “ELA É O LULA DE SAIAS”

    UOL / Blog do Fernando Rodrigues – O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que cumpre pena em regime semiaberto em Brasília, tem feito análises sobre o quadro eleitoral para os seus poucos interlocutores. Sua frase mais recorrente é esta: “Marina é o Lula de saias”.

    Zé Dirceu diz enxergar o cenário muito consolidado, com Dilma e Marina no segundo turno. Depois, vê uma vitória certa para a candidata do PSB, que teria a força semelhante à de Lula em 2002, quando a origem humilde do petista se juntou ao desejo de mudança da maioria dos eleitores. Daí a expressão “Lula de saias”.

    Para Zé Dirceu, a culpa pela iminente derrota do PT é quase exclusivamente de Dilma. A presidente teria tomado decisões erradas ao não construir pontes com a sociedade ao longo dos últimos anos. Também não teria chamado o ex-presidente Lula para ajudá-la, sobretudo agora. Por essa razão, Dilma apenas estaria colhendo o que plantou.

    Não é segredo que Zé Dirceu nutre uma mágoa imensa pela forma como Dilma o tratou nos últimos anos, com um distanciamento duro e protocolar. Não está comemorando o fracasso da presidente porque não desejava o PT fora do poder central. Mas tampouco está triste por antever a derrota dilmista em outubro.

     

    Nota do SDV (*): referência ao primeiro verso da música ‘Marina’, de Dorival Caymmi, gravada em 1947. 


  • VEM AÍ MAIS UM ‘SAMBA DO AVIÃO’ (*)

    Pombos-correio foram bastante usados durante a 2ª guerra mundial pelos militares de todos os países envolvidos.

           

             CORREIOS TERÃO COMPANHIA E ESTUDAM COMPRA DE AVIÕES DA EMBRAER

    UOL / Coluna Esplanada (Leandro Mazzini) – Depois de anos de negociação dentro do governo federal sobre a importância do investimento em logística aérea, os Correios terão sua própria companhia aérea.

    A empresa também iniciou conversas com a fabricante franco-brasileira Embraer sobre potencial compra de aviões adaptados para carga, revela o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, em entrevista ao Esplanada WebTV ( assista aqui )

    “Teremos uma participação minoritária. Seremos sócios de uma companhia aérea de carga”, diz o presidente. “Só esperamos a autorização do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Será questão de dias ou semanas”, complementa”

    Pinheiro refere-se à compra de 49% da companhia Rio Linhas Aéreas, que já presta serviços de transporte de cargas e cartas para a estatal. A compra foi aprovada pelo governo mês passado, e agora só falta o aval do CADE e do Ministério da Fazenda para avançarem no contrato. “Esperamos a autorização do ministério da fazenda para termos um acordo de acionistas”.

    Sobre o início de possível negociação com a Embraer, Pinheiro prefere a cautela, embora indique que há grandes chances de fechar negócio:

    “Vamos juntos nessa empresa (Correios + Rio) buscar atualizar a frota de aviões. Temos já conversas iniciais com a Embraer, que possui possibilidades de frotas de avião muito grandes, de grande capacidade, e é uma das empresas de ponta do setor de aviação”, ressaltou o presidente da estatal.

    Na entrevista à Esplanada WebTV, Pinheiro lembrou que o gargalo dos Correios e o seu desafio são as questões de logística, em especial a de carga. Daí a importância da aérea própria.

    Elencou também como prioridades da empresa – que completou 350 anos e tem nova marca – os novos serviços do Banco Postal em parceria com o BB, investimentos em serviços online e auto-atendimento, operação de telefonia virtual em parceria com a italiana Post Mobile, e a parceria com a empresa chinesa Alibaba na operação de galpão na China para dar celeridade na entrega de produtos comprados no e-commerce pelos brasileiros.

    Assim como a China, os Estados Unidos também ganharam atenção especial no comércio bilateral. Os dois países são os maiores exportadores de produtos comprados pela internet , e os Correios querem concorrer de igual tamanho com multinacionais para manter a credibilidade na entrega, lembra Pinheiro.

    Confira detalhes sobre novidades do Banco Postal, a nova aérea e a operação da “telefonia virtual” na íntegra da entrevista de 21 minutos concedida no estúdio da Coluna Esplanada em Brasília.

     
    Nota do SDV ( * ): título de música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.


  • EM TERRA DE MÃE JOANA…

    “Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão” (versos de ‘Acorda Amor’, composição de  Leonel Paiva e Julinho da Adelaide, heterônimos de Chico Buarque de Hollanda).

     

                                      ÔNIBUS DA PM É ASSALTADO EM MÃE LUIZA

    PORTAL NO AR (Natal / RN) – Um motorista do ônibus da Polícia Militar foi alvo de bandidos na manhã desta terça-feira (26), em Mãe Luiza. Os bandidos levaram um revólver calibre 38 e dois carregadores. Policiais sairão em diligência em busca dos infratores. O motorista não teve a identidade divulgada e não sofreu ferimentos na ação.

    Segundo o coronel Alves, sub comandante do Policiamento Metropolitano, o motorista não estava dentro do ônibus no momento do assalto. O soldado, que cumpre serviços administrativos, desceu do veículo, quando foi abordado pelos dois elementos.


  • O ASSASSINATO DA LÍNGUA


    EDITORIÁ DE ROCAS QUINTAS
     – É puriço qui me arrevórto e me abufelo contra eçe povo inguinorante da mulesta. Um cabôco acuma eu, qui aprendeu a iscrvê com muntcha dificulidade nesse mundo véi de meu Deus, fazeno leiturança de madrugada, na hora da cruviana assoprá seu bafo frio no fundo da rede e no espinhaço da gente, se aprumano na vida, rodano catraca na bunda das nêga dos õimbus de Natá, inté qui num dia quarqué topei com seu Draco, o propietáro dessa estrovenga virtuá, qui me dá um arrêgo arretado pela confiança no meu taco, inté qui, finarmente, conçigo çê um dos principá iscrivão dessa peitica de brógui, das vêis fazeno muntcho mai çucesso do qui o própiu dono (um priguiçozo de marca maió), quano acabá me vem uma nutiça escalafobética dessa aí de baixo…


    Só pode de çê marcação pra riba deu, apois num tem ôta ixplicação pra mode uma esculambação dessa qualistria!


    Tão quereno tumá o meu imprêgo de iscritô, bando de galado e fios de rapariga arrumbada!!


    Apois tome vocês ciênça de qui eu já tô na bica pra mode ir pro Flipipa, o festivá literáro da praia mais famosa e cheia de bixo grilo do Errigenê véi de guerra. Quero vê só eçes anarfabetos novo qui vem aí me passá quinal…


    Num sabem nada de tabuada, nunca lêro um almanaque do Biotônico Funtoura  e nem nunca açuletráro “Paulina mastigô pimenta”. Vão cuntá nos dedo e cobrí a letra da prefessôra, bando de excumungado da baixa da égua.


    Mai minino, eu num digo mêrmo… sostô eçe bando de brocoió…


    Cagada nunca me melô, agora peido rastêro qué me lambusá. Pia!!!


    (Foto da biblioteca do projeto “De Pé No Chão Também Se Aprende a Ler”, ações educativas postas em prática pela gestão do prefeito de Natal, Djalma Maranhão, cassado pelo golpe militar de 1964).

     

                   SENADO DISCUTE FIM DO ‘Ç’, ‘CH’ E ‘SS’ NA LÍNGUA PORTUGUESA

    UOL / Edgard Matsuki (Brasília) – A Comisão de Educasão, Cultura e Esporte (CE) do Senado está debatendo uma proposta que viza modificar algumas regras da língua portugeza.

    É isso mesmo. Se um estudo que tramita no Senado chegar a valer, a primeira frase desta notícia seria escrita desse jeito mesmo. O correto, atualmente, é: “A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado está debatendo uma proposta que visa modificar algumas regras da língua portuguesa”.

    Um Grupo de Trabalho (GT) dentro da Comissão, presidida pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO), tem como objetivo buscar formas para facilitar o aprendizado da ortografia nos países lusófonos — e propõe uma outra reforma ortográfica.

    A proposta, criada pelo professor Ernani Pimentel, é acabar com o uso da letra “h” antes das palavras, do “ç”, do “ss”, “sc” e “xc” (que seriam substituídos pelo “s” simples), do hífen, do dígrafo “ch” (que seria substituído pelo “x”). Palavras também passariam e ser escritas como o fonema aponta como o “x” e o “s” com som de “z”. A letra “u” após o “g” e “q” e antes de “e” e “i” também seria suprimido.

    Mudanças ortográficas estudadas no Senado

    • Homem viraria omen

    Fim da letra “h” antes das palavras

    • Faça viraria fasa

    Fim do “ç”

    • Passa viraria pasa

    Fim do “ss”

    • Acrescentar viraria acresentar

    Fim do “sc”

    • Excelência viraria eselênsia

    Fim do “xc” e do “c” com som de “s” (como em cenoura)

    • Couve-flor perderia o “tracinho”

    Hífen deixaria de existir

    • Chuva viraria xuva

    Fim do “ch”

    • Exame viraria ezame

    Fim do “x” com som de “z”

    • Asa viraria aza

    Fim do “s” com som de “z”

    • Quero viraria qero

    Fim do “u” após o “g” e “q”, antes do “e” e do “i”

    Pimentel aponta que essas mudanças acarretariam em economia com a educação no país: “Em vez das atuais 400 horas/aula de ortografia ministradas desde o início do fundamental até o fim do ensino médio, sejam utilizadas apenas (ou em torno de) 150”, diz.

    O professor disse que o convite para integrar o Grupo de Trabalho (que também é liderado pelo professor Pasquale Cipro Neto) surgiu após audiência pública de 2009 em que foram tecidas críticas ao acordo ortográfico que entrou em vigor naquele ano. “Na época escrevi até um livro sobre o assunto. Em 2012, começamos a discutir simplificações da ortografia. Fomos a Portugal e vamos a Angola e Moçambique discutir com professores sobre o assunto”.

    Pimentel também apontou que há um espaço para sugestões de simplificação do idioma. “No site Simplificando a Ortografia estamos abertos a receber sugestões de mudanças e fizemos um abaixo-assinado de apoio às propostas”. Até o momento, o site tem 33 mil propostas.

    Ridículas e patéticas

    Apesar dos argumentos de quem propõe as mudanças, as medidas têm rejeição por parte de alguns linguistas. O filólogo e professor da UnB (Universidade de Brasília), Marcos Bagno, não economiza críticas ao falar da proposta: “São ridículas, patéticas e merecem todo o desprezo da comunidade de linguistas do Brasil”, diz.

    Para Bagno, o argumento de que as novas mudanças facilitariam o aprendizado não é válido. “Aprender a escrever em chinês é muito mais complicado do que aprender a escrever em português, e 94% dos chineses são alfabetizados. A questão é alfabetizar e letrar a população. A ortografia pode ser qualquer uma”, aponta.

    Pimentel aponta que as críticas à proposta sempre vêm da academia e não de quem ensina para crianças. “Há pessoas que defendem a etimologia na construção da ortografia. Mas há várias regras em que ela é quebrada. Temos que decidir sermos mais práticos. Assim, as crianças podem aprender melhor”, responde.

    Senado prefere não se posicionar a respeito

    Para o final do ano ou início de 2015, ainda estão previstas novas discussões na Comissão para criar a lista de sugestões que simplificariam a língua portuguesa. Depois, será fechado um relatório sobre o assunto.

    Apesar de a proposta ser discutida por um GT no Senado, Cyro Miranda apontou que, em nenhum momento, se posicionou favorável a mudanças. “O Grupo de Trabalho vai fazer as propostas e vai propor as regras. Não cabe a mim, que não sou especialista no assunto, opinar a respeito”, disse o presidente da CE, por meio de assessoria de imprensa.

    Para chegar à vigência, a proposta ainda precisa ser aprovada na Comissão de Educação do Senado, ir a Plenário, passar pela Câmara, receber sanção presidencial e ainda ser aprovado em outros países. Ou seja, mesmo que o projeto fosse uma unanimidade, poderia muitos levar anos para que ele passasse a valer.

    Mesmo com as dificuldades, Pimentel ainda acredita que possa ser feita alguma mudança na ortografia. “Eu acho que podemos sim implementar alguma mudança para 2016. Mas mesmo se apenas colocarmos a discussão para o futuro, já ficarei satisfeito. E tenho certeza que, mais cedo ou tarde, teremos que fazer essas mudanças no nosso idioma”, endossa.


  • FOI UM VIVO FAROL QUE LIGEIRO ACENDEU E DEPOIS SE APAGOU (*)

     

    A COMOÇÃO DA MORTE DO PARAIBANO JOÃO PESSOA EM RECIFE… IMAGINEM A MORTE DE EDUARDO CAMPOS, NETO DO LÍDER POPULAR “MIGUÉ ARRAIA”

    Matéria do Blog historiahoje.com – O texto a seguir foi extraído do livro “História do Crime no Brasil”, que será lançado em 2015. A obra, organizada pelos historiadores Mary del Priore e Gian Carlo, contará com a participação de diferentes autores. Confira um trecho do artigo de Giselda Brito Silva, sobre o assassinato de João Pessoa e suas repercussões da política brasileira.


    Em Pernambuco, a morte de João Pessoa transformou-se na maior comoção. Os jornais começaram a relatar o “sofrimento do povo”. As pessoas eram apresentadas pela quantidade de “lagrimas e flores” que devotavam a João Pessoa. Contava-se as orações, os que se ajoelhavam quando o corpo passava defronte a Igreja de Santo Antônio. (Diário de Pernambuco, 27/07/1930). Este jornal, o principal, mas, não o único a investir na imagem de mártir de João Pessoa, conta que “milhares e milhares de pessoas comovidas, homens e senhoras de todas as classes sociais e de todas as idades, em prece de joelhos. Seu corpo estava nos braços do povo. Em comboio fúnebre que o levou depois a Parayba, o seu grande filho. Ouvia-se o soluço do mar humano, cantando estrofes do hino nacional, estrofes de saudades e de dor; em surdo protesto do corpo inanimado. E a Justiça? A cidade, na interpretação do Diário, está abalada, sob intenso pesar, chorava a morte do estimado e ilustre chefe de Estado da Paraíba”. E não se perdia a chance de sempre alertar em meio às interpretações do fato, entre o povo: “há demonstrações de magoa sem distinção de classe”. Pareciam esquecer que dias antes, havia muitos inimigos de João Pessoa circulando nos jornais contra suas medidas e reações na Paraíba, principalmente sobre os fatos em torno de Princesa.

    As autoridades de Pernambuco procuravam expressar sua comoção diante dos alardes do povo, prometiam justiça e que levariam o criminoso João Duarte Dantas, Bacharel em Direito, que depois de ouvido foi preso no Estado-Maior da Força policial, e levado para o quartel do Derby a fim de ser julgado e detido. O Chauffer foi logo enviado para a Casa de Detenção, recebendo voz de prisão. Em toda cidade do Recife se espalhou a Cavalaria para manter a ordem do povo que estava agitado com o crime contra o governador da Paraíba. Diziam os jornais que a cidade estava em vivo pesar e grande indignação, o comércio foi fechado, também os cinemas deixaram de funcionar. O Recife ficou em luto. Presidente João Pessoa “eminente estadista brasileiro” a repercussão do doloroso acontecimento em todo o Brasil. As autoridades locais foram obrigadas a se posicionar imediatamente. A família de João Pessoa, contudo, não esqueceram as oposições que corriam no estado de Pernambuco em torno dos fatos da Revolta de Princesa e da sua política e rejeitaram as homenagens que o governo de Pernambuco queria fazer à sua memória. Em notas enviadas e publicadas nos jornais, recusaram a bandeira de Pernambuco para cobrir seu corpo, preferindo aceitar a bandeira da Associação de Atletismo.

    Com o crescimento das reações, outros jornais passaram a noticiar ao lado do Diário de Pernambuco a triste notícia do crime e da violência que teria vitimado o governador da Paraíba, entre eles se destacam: o Diário da Manhã, da Tarde, o Diário do Recife, o Partido Democrático de Moreno, jornal dos estudantes das Faculdades de Direito, de Medicina e de Engenharia e de Professores e alunos da Escola de Cotonifício de Moreno. Contavam que o povo pegou seu corpo coberto de flores do necrotério e levou em mãos, não deixando que o coche fúnebre fazer seu trabalho. Lágrimas, crises de nervos, viam-se a todo caminho por onde o corpo passava. Flores, muitas flores, eram atiradas e foi assim até a estação central. Ao saber que a família reclamava o corpo na capital Carioca, o povo o tomou nos braços e o carregou até a Rua do Imperador, em frente ao Jornal do Recife. Ao lado, falavam os acadêmicos e o Professor Joaquim Pimenta, exaltando a memória de João pessoa.  Depois voltaram a matriz de Santo Antonio, onde o corpo foi exposto a visita pública. Sargentos, soldados, populares, acadêmicos, todos tomando para si a responsabilidade de organizar o serviço da visita ao corpo de João Pessoa. Assim, o corpo foi visitado por milhares de pessoas. Continua o noticiário dizendo que: “à noite o movimento ficou mais intenso. O único parente do morto era o comerciante, o sr. Antonio Espinola Pessôa, seu primo. Às 3h da madrugada, a comissão paraibana recebeu ordens de embarcar imediatamente o corpo, com o consentimento da família no Rio de Janeiro”.

    Narrando mais detalhes, o Diário de Pernambuco informa que, na saída da matriz de Santo Antônio, o coche fúnebre foi recusado de novo e o corpo seguiu a pé pelas ruas, Nova, Concordia, atravessou a Casa de Detenção e chegou a Estação Central. Populares se aproximaram do caixão, reclamando para tocar nas alças do caixão, nos braços do povo do Recife, o Presidente João Pessoa atravessou as ruas, sob o hino nacional. No trem especial seu corpo seguiu com uma comissão de Pernambuco acompanhada da comissão da Parayba e repórteres do Jornal da Manhã, da Tarde, do Recife e Diário de Notícias, mais acadêmicos da Faculdade de Direito. O corpo seguiu, mas, deixou em Pernambuco grupos políticos, membros da Câmara dos Deputados, Senado Estadual, representantes de todas as partes emitindo notas de pesares através dos jornais.

    As notícias do Diário de Pernambuco eram publicadas dando-se a entender que João Pessoa encarnava a força do povo brasileiro, mas, conforme também se interpretava nos próprios jornais, o crime “não bastou para quebrar a alma de bronze do grande morto e a fibra de sua resistência. “A parahyba e o seu presidente continuavam a não reconhecer como ‘patriota’ e ‘libertador’ o cangaço ‘federal’ armado em seu território. Sr.Washington Luis, cuja responsabilidade lhe pesa inteira sobre os hombros, e lhe ficará atravez da historia, como uma das tristes máculas de seu governo. Porque, aos olhos do paiz inteiro, a aldacia do crime de hontem decorre, logicamente, do notorio após a política federal ao levante de princesa”.

    Conforme o corpo de João Pessoa ia passando, levantava revoltas contra as práticas políticas do país e as razões que teriam levado João Dantas a praticar o crime vão desaparecendo das notícias. Em seu lugar começa a aparecer um “verdadeiro assassino”, o governo federal, apontado como o grande responsável, como se pode perceber neste trecho: “Morre assim João Pessôa com o ultimo abencerragem da dignidade cívica na actualidade do seu paiz. Morre em defesa do principio da autoridade da ordem, do sossêgo e do trabalho pacifico do seu pequeno Estado, contra as hordas sinistradas que o devastam a serviço do ódio e da ambição. A Parahyba não há de esquece-lo; jamais a esquecerá o Brasil. E Deus ilumine enfim, a legalidade desvairada que tão injusta e prematuramente o arrastou ao tumulo, e que sabe nesse caminho, aonde levará o Brasil”.

    Finalmente, seu corpo serviu mais morto do que vivo, como dizem alguns dos especialistas no assunto. Se a Aliança Liberal e as chapas de oposição ao governo central tinham perdido as esperanças com os resultados das últimas eleições, a morte de João Pessoa serviu para reacender as esperanças de uma mudanças de rumos na política e uma virada em favor dos aliancistas, ainda que esta não fossem as intenções de João Pessoa.

    Morto, ele se torna um personagem político perfeito, para conduzir a vontade da população que clamava por novos mártires que pudessem encaminhar suas esperanças de mudanças na realidade política do país. E, o Diário de Pernambuco, soube mais do que outros jornais canalizar imediatamente a notícia do assassinato de João Pessoa para a construção de um mito político que moveria vontades e canalizaria reações.

     
    Nota do SDV ( * ): versos de “Hino A João Pessoa”, música (hino) de autoria de Eduardo Souto e Osvaldo Santiago, na voz de Francisco Alves, que duas décadas depois viria a “parar o Brasil” com a notícia de sua morte (1952), vítima de acidente automobilístico.

    Ouça a música que aprendi ouvindo minha mãe cantar nas labutas diárias do tanque e do fogão: https://www.youtube.com/watch?v=CrCgGip3RlU


  • TÃO ‘BONZINHO’ O ADOLFINHO!

    Caladinha a respeito das matanças da Síria e da Ucrânia e mudinha sobre o tratamento “democrático bolivariano” do bufão venezuelano Nicolas Maduro com os opositores, “Las Izquierdas Revolucionárias Sulamericanas” se aproximam do sentimento de ódio e intolerância da extrema-direita europeia. Falta pouco para os camaradas daqui acharem que Hitler (foto) era um bom companheiro, ‘amiguinho até de veadinho!’


                 COM CONFLITO EM GAZA, ANTISSEMITISMO GANHA FORÇA NA EUROPA

    FOLHA DE S. PAULO / GUARDIAN (por JON HELEY) – Oito sinagogas foram atacadas em apenas uma semana do mês passado, segundo o Crif, o grupo que reúne as organizações judaicas francesas. Uma delas, no subúrbio parisiense de Sarcelles, foi atacada por uma turba de 400 pessoas com coquetéis molotov. Um supermercado kosher e uma farmácia foram depredados e saqueados; as bandeiras e as palavras de ordem gritadas pela multidão incluíam “Morte aos Judeus” e “Degolem os Judeus”.

    No mesmo fim de semana, no bairro de Barbès, em Paris, manifestantes atiraram pedras e queimaram bandeiras israelenses; uma faixa dizia “Israhell” (“Isra-inferno”).

    Na Alemanha, no mês passado, coquetéis molotov foram atirados contra a sinagoga Bergische, em Wuppertal -destruída na Noite dos Cristais (1938)–, e um imã de Berlim, Abu Bilal Ismail, conclamou Alá a “destruir os judeus sionistas… contar e matar até o último deles”. Em Frankfurt, garrafas foram atiradas pela janela de um ativista contra o antissemitismo; em Hamburgo, um idoso judeu foi espancado numa manifestação pró-Israel; um adolescente judeu ortodoxo recebeu socos na cara em Berlim.

    Em várias cidades, as palavras de ordem gritadas em protestos pró-palestinos compararam os atos de Israel ao Holocausto. Outros slogans notáveis incluíram “judeu, porco covarde, saia e lute sozinho” e “Hamas, Hamas, judeus para o gás”.

    Em toda a Europa, o conflito na faixa de Gaza está infundindo vida nova a alguns demônios muito antigos e hediondos.

    Isso não é incomum; não é de hoje que a polícia e as organizações de defesa dos direitos civis de judeus observam um aumento nítido em incidentes de antissemitismo cada vez que se acirra o conflito israelo-palestino. Mas, de acordo com acadêmicos e lideranças judaicas, esta vez é diferente.

    Mais que uma simples reação ao conflito, eles dizem, as ameaças, o discurso de ódio e os ataques violentos parecem ser a expressão de um antissemitismo muito mais profundo e disseminado, alimentado por uma grande gama de fatores que vem ganhando força há mais de dez anos.

    “Estes são os piores tempos desde a era nazista”, disse ao “Guardian” o presidente do Conselho Central de Judeus da Alemanha, Dieter Graumann. “Nas ruas, ouvimos frases como ‘os judeus deviam ser exterminados com gás’, ‘os judeus deviam ser incendiados’. Não víamos isso na Alemanha havia décadas. As pessoas que gritam esses slogans não estão criticando a política de Israel: é puro ódio aos judeus, e nada mais. E não é um fenômeno apenas alemão. É uma explosão de ódio contra os judeus que é tão intenso que é inconfundível.”

    Roger Cukierman, presidente do grupo francês Crif, disse que os judeus franceses estão angustiados com uma reação antijudaica que vai muito além da forte oposição política e humanitária ao conflito atual. “Não estão gritando ‘morte aos israelenses’ nas ruas de Paris”, disse Cukierman no mês passado. “Estão gritando ‘morte aos judeus’.” O vice-presidente do Crif, Yonathan Arfi, “rejeita totalmente” a visão de que o recrudescimento mais recente de incidentes antissemitas se deve aos acontecimentos na faixa de Gaza.

    “Esses incidentes trouxeram à tona algo muito mais profundo”, ele disse. E não são apenas os líderes judeus da Europa que estão alarmados. Angela Merkel descreveu os incidentes recentes como “um ataque à liberdade, à tolerância e a nosso Estado democrático”.

    O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, falou em atos “intoleráveis” e claramente antissemitas. A França -cuja comunidade judaica é uma das maiores da Europa, com 500 mil pessoas-e a Alemanha, onde a exortação do pós-guerra “nunca mais” está profundamente enraizada na sociedade, não são os únicos países alarmados.

    Na Áustria, em julho, um amistoso entre o Maccabi de Haifa e o SC Paderborn, da Bundesliga alemã, teve que ser adiado, depois de a partida anterior do time israelense ter sido cancelada devido a uma tentativa de agressão a seus jogadores. O principal órgão de vigilância de antissemitismo da Holanda, Cidi, recebeu mais de 70 ligações de cidadãos judeus assustados em uma semana do mês passado, sendo que a média é entre três e cinco ligações.

    Um rabino de Amsterdã, Binjamin Jacobs, viu a porta de sua casa ser apedrejada, e duas mulheres judias que penduraram bandeiras israelenses de suas sacadas foram atacadas -uma foi espancada e a outra foi vítima de um incêndio criminoso.

    Na Bélgica, uma mulher teria sido impedida de entrar numa loja, onde o comerciante lhe teria dito “não estamos vendendo a judeus”. Na Itália, os donos judeus de dezenas de lojas e outros estabelecimentos comerciais em Roma encontraram suásticas e slogans antissemitas pintados sobre suas janelas e portas. Um dos slogans dizia: “Todo palestino é como um camarada.

    Mesmo inimigo, mesma barricada”. Outro proclamava: “Judeus, seu fim se aproxima”. O imã Abd al-Barr al-Rawdhi, de San Dona di Piave, será deportado, depois de ser filmado em vídeo fazendo um sermão em que pedia o extermínio dos judeus.

    Não houve violência na Espanha, mas a pequena população judaica do país (entre 35 mil e 40 mil pessoas) acha que a situação está tão tensa que “se continuar por muito tempo, coisas ruins vão acontecer”, disse o líder da comunidade judaica de Madri, David Hatchard. A comunidade pretende mover uma ação contra o jornal “El Mundo”, que publicou uma coluna do dramaturgo Antonio Gala, de 83 anos, questionando se os judeus são capazes de conviver pacificamente com outros:

    “Não é de se estranhar que tenham sido expulsos com tanta frequência”. Estudos sugerem que o antissemitismo pode de fato estar em ascensão. Uma pesquisa feita em 2012 pela agência de Direitos Fundamentais da UE, entrevistando cerca de 6.000 judeus em oito países europeus que, juntos, abrigam 90% da população judaica da Europa, constatou que 66% dos entrevistados sentem que o antissemitismo está em alta na Europa. Qual seria a causa do fenômeno?

    Manuel Valls, o premiê francês, admitiu que existe um antissemitismo “novo”, “normalizado”, que, segundo ele, mistura “a causa palestina, o jihadismo, a devastação de Israel e o ódio pela França e seus valores”. Mark Gardner, da Community Security Trust, organização beneficente sediada em Londres que monitora o antissemitismo no Reino Unido e na Europa continental, também identifica uma série de fatores.

    Para ele, os conflitos sucessivos no Oriente Médio criaram “um acúmulo de eventos-gatilhos” que impediu os ânimos de se acalmarem: a segunda Intifada em 2000, a guerra entre Israel e Líbano em 2006 e os três conflitos entre Israel e Hamas (2009, 2012 e 2014) “não deram tempo de a situação voltar ao normal”.

    Nesse clima, disse ele, três assassinatos antissemitas brutais cometidos nos últimos oito anos -dois na França, um na Bélgica e nenhum deles coincidindo com ações militares de Israel-“não chocaram, mas incentivaram os antissemitas”, que passaram a “buscar mais sangue e intimidação, não menos”.

    Em 2006, Ilan Halimi, de 23 anos, foi sequestrado, torturado e deixado para morrer em Paris por um grupo que se autodenominava Gangue de Bárbaros e que subsequentemente admitiu que o atacou “porque era judeu, de modo que sua família teria dinheiro”. Dois anos atrás, em maio de 2012, Mohamed Merah, de Toulouse, matou sete pessoas a tiros, incluindo três crianças e um jovem rabino diante da escola judaica onde estudavam.

    E em maio deste ano o francês de origem argelina Mehdi Nemmouche, que teria retornado à França pouco antes, depois de passar um ano na Síria combatendo com islamitas radicais, foi acusado de atirar em quatro pessoas em um museu judaico em Bruxelas.

    Se o establishment francês já abrigava um veio profundo de sentimento antissemita desde muito antes do caso Dreyfus, a influência do islã radical, dizem muitos líderes da comunidade judaica, é evidentemente um fator importante que contribui para o antissemitismo atual no país. Mas, para Gardner, outro fator que contribui é o fato de tantos muçulmanos jovens se sentirem alienados da sociedade.

    “Muitas vezes tem mais a ver com isso que com Israel. Muitos teriam tanta disposição de atear fogo a uma delegacia de polícia que a uma sinagoga. Os judeus simplesmente são identificados como parte do establishment.”

    Embora tenha destacado que seria um erro atribuir toda a culpa aos muçulmanos, o pesquisador Peter Ulrich, do centro de pesquisas sobre antissemitismo (ZfA) da Universidade Técnica de Berlim, concorda que alguns dos “fatores antissemitas” vistos na Alemanha em protestos recentes podem ser “uma espécie de rebelião de pessoas que são marginalizadas, elas próprias, com base em estruturas racistas”.

    Arfi disse que, na França, o antissemitismo passou a ser “uma bandeira que reúne muitas pessoas revoltadas: muçulmanos radicais, jovens alienados vindos de famílias imigrantes, a extrema-direita, a extrema-esquerda”. Mas ele também atribuiu a alta do antissemitismo a “um processo de normalização pelo qual o antissemitismo começa a ser visto como aceitável, de alguma maneira”.

    De acordo com Arfi, um dos culpados por isso é o polêmico humorista Dieudonné. “Ele legitimou o antissemitismo. Tornou aceitável algo que antes era inaceitável.” Uma normalização semelhante pode estar em curso na Alemanha, segundo um estudo de 2013. Ente 14 mil mensagens de ódio enviadas ao longo de dez anos à embaixada de Israel em Berlim e ao Conselho Central de Judeus na Alemanha por correio, e-mail, e fax, Monika Schwarz-Friesel descobriu que 60% foram escritas por alemães de classe média, incluindo professores universitários, advogados, sacerdotes e estudantes universitários e secundaristas.

    A maioria das pessoas não teve medo de informar seu nome e endereço, algo que Schwarz-Friesel achou que poucos alemães teriam ousado fazer 20 ou 30 anos atrás.

    Quase todos os observadores apontam para o poder ímpar de inflamar e mobilizar que possuem as mídias sociais não filtradas. Para Arfi, o fluxo constante de imagens chocantes e hashtags radicais, incluindo #HitlerWasRight (#HitlerTinhaRazão), equivalem quase a uma doutrinação. “Na verdade, a consequência lógica é a radicalização: nas mídias sociais as pessoas selecionam o que veem, e o que veem pode ser propaganda política pura, sem verificação dos fatos. As pessoas podem nunca se defrontar com opiniões que não coincidam com as suas.”

    Reportagem adicional de Josie Le Blond em Berlim, Kim Willsher em Paris, John Hooper em Roma e Ashifa Kassam em Madri.

    Tradução de CLARA ALLAIN.


  • “BALA COM BALA” (*)

    “A INFILTRADA” – Menina vendendo ‘balas’ entre os pelotões de tropas militares na Ucrânia (foto da Internet sem o devido crédito do autor).

     


    AS ARMAS DA INFANTA

    Abram alas
    Para as minhas balas
    Seus caras de balaclavas!

    (Graco Medeiros)

     

    Nota do SDV ( * ): título de música de João Bosco e Aldir Blanc, sucesso com Elis Regina.


  • DANEM-SE OS ‘BARBUDINHOS’ DO HAMAS!

     


    SOLDADO DE ISRAEL ( * )

    Mamãe eu vou ser soldado de Israel
    Não tem água no cantil, mas tem mulher no quartel
    Além disso, guerra é guerra, mamãe
    E vai ser sopa no mel.

    Já pensou, que regimento, que delícia de quartel
    Dona Sarah, meu sargento e Raquel, meu coronel.

    Mamãe!…


    Nota do SDV ( * ): marchinha composta por Luiz Antônio em 1967, inspirada na ‘Guerra dos Seis Dias’ (conflito armado, ocorrido neste mesmo ano, entre Israel e uma frente de países árabes formada por Egito, Jordânia e Síria, apoiados por Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Argélia e Sudão) que se tornou grande sucesso no carnaval de 1968 na voz de Blecaute. Ouça aqui:
    https://www.youtube.com/watch?v=oZqFamlFf0c