• “RETROCESSO”

    Foto do portal Olhar 21 (Porto Alegre, 19 de junho de 2013).

     

                       
                      DILMA CONDENA DISCRIMINAÇÃO E SILENCIA SOBRE ‘CURA GAY’

    UOL / AGÊNCIA ESTADÃO (Brasília) – Em reunião com representantes de movimentos de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis, a presidente Dilma Rousseff defendeu nesta sexta-feira, 28, que o Estado impeça a violência contra a comunidade LGBT, mas evitou comentar o projeto de ‘cura gay’, que tramita na Câmara dos Deputados, segundo relataram participantes da reunião. O dia de hoje, 28 de junho, é comemorado por militantes como o Dia do Orgulho Gay.

    O PSDB divulgou no último dia 26 nota oficial manifestando publicamente “posição contrária” ao Projeto de Decreto Legislativo 234/2011, mais conhecido como ‘cura gay’. O projeto, apresentado pelo deputado e pastor evangélico João Campos, filiado ao PSDB de Goiás, tem sido um dos principais alvos dos protestos de rua. Na Câmara, recebeu parecer favorável da Comissão de Direitos Humanos, sob a liderança do deputado e também pastor Marco Feliciano (PSC-SP).

    “A presidente nos disse que o Estado tem o dever de defender e impedir a violência contra a comunidade LGBT, e isso é muito importante vindo da mais alta autoridade da República”, disse Toni Reis, secretário de Educação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

    “Dilma não falou diretamente (sobre o projeto da ‘cura gay’), mas hoje queremos a rejeição do projeto, que deve ir à votação na semana que vem, ou terça ou quarta-feira (na Câmara). Não se pode curar o que não é doença. Já temos o apoio do PSDB, do PT e de vários partidos para que seja enterrado esse projeto que, pra gente, é uma excrescência de cidadania”, destacou Toni Reis. “A presidenta falou na laicidade do Estado, não dá pra fazer propaganda de opções religiosas ou outras questões. Pedimos políticas públicas (para a população LGBT).”

    Para a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, a presidente Dilma se posicionou “muito claramente” contra toda forma de violência e discriminação no Brasil. “Ela posicionou o seu governo contra todas as formas de violência que qualquer brasileiro sofra, se solidarizou e determinou que tenhamos iniciativas concretas para enfrentarmos qualquer violência à comunidade LGBT”, disse.


  • “ALÔ POLÍCIA EU TÔ USANDO UM EXOCET!” (*)

     

                       POLICIAIS MILITARES E CIVIS PARTICIPAM DO PROTESTO DE HOJE

    TNH1 / UOL (Da redação) – Policiais civis, militares e bombeiros anunciaram por meio do sindicato e associação das categorias que irão se juntar aos manifestantes do protesto marcado para a tarde desta quinta-feira (27), às 15h, na Praça Centenário. O ato é organizado pela Frente pelo Passe Livre em Maceió.

    As lideranças dos policiais civis e militares afirmam que querem reivindicar as pautas do movimento e fazer uma mobilização pela PEC 300, que prevê a implementação de um piso salarial nacional. Em relação ao uso de arma, comum pelas categorias, o sindicato reconhece que não fez qualquer tipo de orientação aos policiais que querem participar da manifestação desta tarde e que ir armado ou não ficará a critério de cada um.

    Na noite desta quarta-feira (26), um incidente envolvendo um policial civil gerou tumulto durante protesto na Tomaz Espíndola. O acusado teria tentado furar bloqueio e acabou puxando uma arma e ameaçando os manifestantes. Na semana passada, um funcionário municipal baleou um estudante durante o ato.

    Para uma das organizadoras do protesto, Laís Cavalcante, não há como impedir a adesão dos policiais, mas se eles forem como trabalhadores reivindicando melhorias salarais “serão muito bem vindos”.

    O Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) e Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (ASPRA-AL) convocaram a classe para pressionar a aprovação da emenda pelo Congresso. “Houve uma dormência na discussão pela aprovação da PEC 300, a maioria da base aliada da presidenta mantém a posição de que não deve ser aprovada, em segundo turno, por não saber de onde virá o Fundo de Investimento. Precisamos aproveitar o momento para retomar a mobilização”, afirmou o presidente da ASPRA-AL, Wagner Simas.

    O presidente do Sindpol, Josimar Melo, ressaltou a importância dos protestos e da participação dos movimentos sociais. “A luta é da classe trabalhadora e dos estudantes. Os protestos são legítimos  e mostram que a população luta por um país mais justo”, defendeu.

    Nessa quarta-feira (26), a ASPRA-AL se juntou aos aprovados no último concurso da Polícia Militar em protesto em frente ao Palácio dos Martírios. Eles pediam celeridade na convocação. Em reunião com o Governador, os manifestantes foram informados que os aprovados serão chamados para a próxima etapa no início de julho.

     

    Nota do SDV ( * ): verso de “Kátia Flávia”, música de Fausto Fawcett.


  • QUE TAL VIRAR UMA MICARETA PARA SEU DELEITE, SEU JAQUES!

    Jaques Wagner quer tudo certinho e explicadinho: “Tem que organizar a demanda. Está protestando por quê? Como viabilizar? Se não, vira Woodstock”, afirmou o governador baiano. Na foto acima, concentração na orla de Salvador comandada pelo “Rei das Micaretas” Bel Marques, do Chiclete com Banana, que certamente deve fazer a cabeça do “Jaquinho’.

    A cara de um, o ‘frinfa’ do outro: Bel Marques (Chiclete com Banana) sem barba e o seu clone baiano, o governador Jaques Wagner, também sem barba (raspou para ‘homenagear’ o chefão Lula).

     

    JAQUES WAGNER CRITICA ADESÃO DO PT A MANIFESTAÇÕES E DIZ QUE MOVIMENTO PODE VIRAR UM WOODSTOCK

    CORREIO DA BAHIA / FOLHAPRESS – O governador da Bahia, Jaques Wagner, criticou hoje a adesão do PT ao protesto sem a definição de uma pauta específica de reivindicação. Afirmando que “o PT tem responsabilidade com a nação”, Wagner disse temer a idolatria ao movimento. “É correto o PT não hostilizar nem criminalizar o movimento. Agora, precisa saber como entra. Não pode engrossar uma coisa difusa. Tenho medo dessa glamourização”.

    Wagner evitou comentar o teor das entrevistas do presidente nacional do PT, Rui Falcão, que conclamou a militância do PT a engrossar as manifestações. Insistiu, porém, que o papel do partido é identificar as demandas e seus interlocutores dentro do movimento. Não “fazer massa”. Se não, “vira woodstock”. “Tem que organizar a demanda. Está protestando por quê? Como viabilizar? Se não, vira woodstock”, afirmou o governador. E acrescentou: “Com que objetivo o PT pede para a militância entrar no movimento, é para fazer massa? Estou fora. A gente é presidente, governador, deputado… quem está na rua não está identificando nos partidos políticos veículo de transformação. E o PT faz parte da política. O PT vai para rua fazer o quê? Só dizer que não está contra?”

    Enfrentando protestos no Estado, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, informou, por intermédio de sua assessoria, que não comentaria as declarações de Falcão nesta quinta-feira porque precisava se dedicar à segurança durante as manifestações. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, foi aconselhado a não polemizar com o presidente do PT. A reportagem apurou que a iniciativa de Falcão contraria aliados do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

    No Palácio dos Bandeirantes a preocupação foi com a garantia da integridade física de petistas durante protestos. A avaliação é de que a participação de políticos nas ruas gera mais tensão.


  • ANARCHOS

     

    “O QUE SERÁ” ( * )

    O melhor de todas essas manifestações que ocorrem pelo país inteiro é o esvaziamento político-partidário observado no movimento #VemPraRua.

    A maioria esmagadora rechaça os partidos políticos e as ações provocativas de alguns ‘infiltrados’ durante os protestos.

    O velho “Briza” (Leonel de Moura Brizola), um dos pouquíssimos políticos que conservaram um mínimo de dignidade e honestidade, chamava esses aproveitadores e ‘sabotadores’ de “pescadores de águas turvas”.

    O movimento não livra a cara de nenhuma facção política e esgota a briguinha de comadres entre tucanos e petistas.

    É o velho princípio anárquico posto em pauta:

    Ação Direta, meus netinhos!!!


    (Graco Medeiros)

     

    Nota do SDV: título de música de Chico Buarque (1976), onde consta o verso “E todos os meninos vão desembestar”.


  • “SAMANGOS SENVEIGONHOS!”

    Pia só a cara de tarado do samangão ‘afrudescendente!’ Negão tem pudê, tão ligado??!!

     

    SAIA DE CASA SEM SAIA

    CABROBÓ NEWS / Rocas Quintas (Direto do Largo da Batata, Sumpálo)  – No façibúqui, um grupo de feminista avisa qui as moça saia tudo sem saia pro movimento #VemPraRua, pro causa de abuso, enxerimento e saliença dos puliça qui fôro arrregistrados na úrtima quinta-feira, dia 13.

    A samangada estava enfiando os cacetetes por baixo das saias das minina pra móde desestabilizá e dismoralizá as manifestantes, alerta uma cartilha de orientação.

    Espí mais mió aqui nesse línqui: http://ow.ly/m7gMg

    É de bom alvitre qui a recomendação sêje repassada pros rapaizes qui são chegado a usá saias, saiotes, anáguas e combinação, além de miniçáia.

    O aviso selve tomém pro pessoá do ‘CONGO DE CALÇOLAS’, do meu Errigenê (RN) véio de guerra, visse!

    Pronto. Adispois num digam qui eu num avisei!


  • MARCHA PELA LIBERAÇÃO DO VINAGRE E VINAGRETE

    Seguindo a ‘cartilha do baculejo’ (herança da ditadura), ‘samanguinho’ paulistano flagrou um jornalista com uma ‘paranga’ de vinagre dentro da mochila. A ‘otoridade’, sempre ‘positiva e operante’, encanou o subversivo e vinagreiro sem-vergonha no ato, em nome dos bons costumes e da segurança nacional.

    Segundo a governança tucana e a prefeiturança petista de São Paulo, outro bagulho perigoso no descaminho dos nossos jovens é essa substância líquida (foto acima), à base de vinagre e azeite de oliva, bastante usada pelos subversivos em ragabofes populares. Todo cuidado é pouco!

     

                       OPINIÃO: COM VIOLÊNCIA, POLÍCIA CRIOU ‘METAMANIFESTAÇÃO’

    FOLHA DE S. PAULO (UOL) / Antonio Prata – A prisão do jornalista Piero Locatelli, na passeata da última quinta, pelo inaudito crime de porte de vinagre, diz muito sobre a postura da PM durante aquela tarde e noite. Dá, ainda, uma pista de como o governo paulista conseguiu transformar um movimento de 5.000 pessoas, cujos motivos pareciam questionáveis a quase metade da população, num poderoso imã de insatisfações -a se crer nas confirmações via Facebook, dezenas de milhares podem comparecer hoje à 5ª Manifestação do Movimento Passe Livre, no largo da Batata.

    Piero, repórter da Carta Capital, estava no viaduto do Chá filmando a polícia revistar alguns manifestantes, quando um PM pediu para que ele também abrisse sua mochila. Havia ali uma garrafa de vinagre – substância que, ao ser inalada, minimiza os efeitos do gás lacrimogêneo. Encontrada a garrafa, ele foi detido e levado para o 78º DP.

    Se a produção, o porte e o consumo do ácido acético não configuram crime em território nacional, por que o jornalista foi preso? Porque o vinagre era indício de que ele estava ali para a manifestação – e sair às ruas para manifestar-se, como indicam a detenção do repórter e os relatos, fotos e vídeos dos feridos pelas balas de borracha e golpes de cassetete naquela noite, é visto pelo governo como uma atividade criminosa.

    Justificando as ações da PM, o governador Geraldo Alckmin afirmou que “A polícia tem o dever de preservar o direito de ir e vir”. Muito acertadamente, um tuiteiro lembrou que a decoração natalina das agências bancárias da Paulista também restringe o direito de ir e vir, a cada dezembro, e ninguém jamais foi preso ou tomou tiro de borracha no rosto por causa disso. Pelo contrário, nos últimos anos a CET fechou algumas vezes as pistas da avenida, em certas horas do dia, para que os pedestres apreciassem os enfeites.

    A constatação acima não significa subscrever o slogan “Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar”, apenas aceitar o fato de que nossa cidade (ou uma parte dela) para por outras razões, sem que seja enviada a Tropa de Choque. Seria a discussão sobre o preço do transporte público motivo menos nobre do que as luzinhas e as renas do Papai Noel?

    Se na última quinta a polícia houvesse acompanhado os manifestantes pacificamente, ou os bloqueado e tentado negociar, talvez o MPL tivesse perdido força. Talvez alguns dos participantes tivessem partido pro quebra-quebra e o movimento acabaria desmoralizado perante a opinião pública. A violência da PM, contudo, criou para hoje essa metamanifestação: é o direito de ir às ruas, mais do que o preço do ônibus, o que parece motivar as 186.014 pessoas que, até a conclusão deste texto, haviam confirmado a presença no largo da Batata, pelo Facebook.

    Claro que nem todo mundo vai – para muitos, dizer que irá já é uma forma de dar apoio- mas é fundamental que o governo se prepare para um evento de grandes proporções. É imprescindível que a polícia se comporte de maneira radicalmente diferente do que fez na quinta: não só para que se garanta um dos direitos mais básicos da democracia, mas para evitar uma tragédia.


  • A PETROBRAS É DEZ!

    Na ‘mão grande’ e incompetente da ‘companheirada’, a PETROBRAS, um dos orgulhos do Brasil, corre risco de quebradeira. Cuidado, BB e CEF!

     

            DÍVIDA ‘ESTRATOSFÉRICA’ PODE QUEBRAR PETROBRAS, DIZ PROCURADORIA

    FOLHA DE S. PAULO / Filipe Coutinho e Fernanda Odilla (Brasília) – Impedida de importar e exportar petróleo há uma semana em razão de uma dívida de R$ 7,3 bilhões, a Petrobras pode “quebrar” e gerar “caos” no mercado de ações caso pague o débito “estratosférico”, segundo o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

    A Folha teve acesso ao parecer da procuradoria no processo que tramitou no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da Segunda Região).

    Dívida impede Petrobras de importar, exportar e participar das rodadas do pré-sal

    Na quinta-feira (13), a estatal tentou, sem sucesso, levar o caso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) para suspender a exigência dessa certidão de débito.

    No parecer, de abril de 2012, o Ministério Público Federal opina em favor da Petrobras. À época, o valor calculado da dívida estava na casa dos R$ 6 bilhões e, segundo a procuradoria, esse débito “estratosférico” deveria ser suspenso para evitar a falência da estatal.

    “Vale salientar que, no caso em tela, a agravante (Petrobras) não poderia promover o depósito judicial para suspender a exigibilidade do crédito, tendo em vista seu valor estratosférico na casa dos R$ 6.000.000.000,00 (seis bilhões de reais)”, diz o documento.

    E a procuradoria ainda destacou: “O valor é seis bilhões e não seis milhões de reais, que se depositado ‘quebraria’ a Petrobras e levaria de roldão a Bolsa de Valores de São Paulo, gerando o caos no mercado acionário brasileiro”.

    DÍVIDA

    Alvo de uma briga judicial desde 2003, a empresa reconhecia em seus balanços uma exposição máxima de R$ 4,5 bilhões. Atualmente, o valor calculado do débito é de R$ 7,3 bilhões.

    A dívida que motivou o cancelamento da certidão da Petrobras está relacionada ao não recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre remessas para o exterior em pagamento de plataformas petrolíferas móveis, no período de 1999 a 2002.

    A empresa foi autuada em 2003 e, desde então, questiona na Justiça a cobrança da dívida.

    No processo levado ao STJ, os advogados da Petrobras citam que o valor da dívida é “vultuoso”.

    Afirmam ainda que a empresa enfrenta “falta de disponibilidade de caixa”, o que lhe levou a reduzir o próprio orçamento relativo aos investimentos do pré-sal e lhe forçou a captar recursos no exterior para honrar o plano de investimentos.

    OUTRO LADO

    A Folha ainda aguarda posicionamento da Petrobras sobre os impactos financeiros e efeitos operacionais em razão do cancelamento da certidão.

    A empresa disse apenas que “está tomando as medidas cabíveis para recorrer dessa decisão (do STJ)”.

    A estatal também ainda não se posicionou sobre o parecer do Ministério Público Federal.


  • UM BRINDE AO POETA DA TABACARIA (*)

    No dia 13 de junho de 1888 (há 125 anos) nascia em Lisboa o poeta Fernando António Nogueira Pessoa (Fernando Pessoa), um dos maiores vates da poesia universal, mesmo escrevendo em português.

     

    DE QUEM É O OLHAR

    De quem é o olhar
    Que espreita por meus olhos?
    Quando penso que vejo,
    Quem continua vendo
    Enquanto estou pensando?

    Por que caminhos seguem,
    Não os meus tristes passos,
    Mas a realidade
    De eu ter passos comigo?

    Às vezes, na penumbra
    Do meu quarto, quando eu
    Por mim próprio mesmo
    Em alma mal existo,

    Toma um outro sentido
    Em mim o Universo –
    É uma nódoa esbatida
    De eu ser consciente sobre
    Minha idéia das coisas.

    Se acenderem as velas
    E não houver apenas
    A vaga luz de fora –
    Não sei que candeeiro
    Aceso onde na rua –
    Terei foscos desejos
    De nunca haver mais nada
    No Universo e na Vida
    De que o obscuro momento
    Que é minha vida agora!

    Um momento afluente
    Dum rio sempre a ir
    Esquecer-se de ser,
    Espaço misterioso
    Entre espaços desertos
    Cujo sentido é nulo
    E sem ser nada a nada.

    E assim a hora passa
    Metafisicamente.


    (Fernando Pessoa – Extraído de ‘Cancioneiro’)

     

    Nota do SDV ( * ): alusivo ao poema “Tabacaria”, autoria de um dos heterônimos mais famosos de Fernando Pessoa – o poeta ‘sensacionista’ Álvaro de Campos.


  • O TAPETE DA COMPANHEIRA

     

                             TOFFOLI VOCALIZA CRÍTICAS DE PETISTAS SOBRE DILMA

    UOL / Blog do Fernando Rodrigues – Com muito tato e poder de síntese, o ministro José Antonio Dias Toffoli, do STF, vocalizou o que grande parte dos petistas acham do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da sua sucessora, Dilma Rousseff.”

    Eis o que o resumo do que disse Toffoli: “Lula tinha mais dúvidas que certezas. Dilma tem mais certezas do que dúvidas”. Enfim, “é um estilo diferente”.

    Eis o trecho da entrevista ao programa “Poder e Política” no qual Toffoli faz suas considerações sobre os dois presidentes da República:

    Como Dilma vem sofrendo baixas em sua popularidade, muitos petistas têm se sentido à vontade para falar sobre as diferenças entre a atual presidente e o seu antecessor.

    O ministro Dias Toffoli foi uma pessoa muito próxima da cúpula petista e serviu vários anos em alguns cargos no governo de Lula. Conhece muito bem o ex-chefe e a atual presidente, com quem também conviveu.

    “Pelo que eu leio, o estilo da presidente Dilma é um estilo que se baseia mais na autoridade versus subordinação. O presidente Lula era um presidente que ouvia mais, que sentia mais e depois ele tomava uma decisão. Ele não tinha ideias pré-concebidas, não tinha certezas, ele tinha mais dúvidas que certezas”, diz Toffoli.

    E mais: “Ela (Dilma) delega menos, centraliza mais. Pode-se tentar deduzir várias hipóteses. ‘A mulher é mais centralizadora’, mas, enfim, não sei as razões. Eu não estou lá. O que eu posso dizer é que o presidente Lula, por exemplo, nunca interveio no meu trabalho. Nunca disse: ‘Toffoli, isso que você falou está errado. Esse parecer está equivocado’, ‘Toffoli, faça um parecer assim, que eu estou precisando de um parecer para isso’. Nunca. Nunca o presidente Lula interveio no trabalho quando eu fui subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, nem quando eu fui advogado-geral da União. E ele sempre ouviu as minhas opiniões, ele sempre foi atento. Sempre tive a liberdade de dizer não ao presidente da República”.

    Muitos petistas estão comemorando hoje a fala de Toffoli. Alguns porque têm esperança de que Dilma melhore sua forma de interlocução política. Outros porque continuam a sonhar com a volta de Lula como candidato a presidente em 2014 – uma possibilidade para lá de remota, mas que nunca sai de cena.


  • “TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO” (*)

     

                APÓS IDENTIFICAR “FALSO ÍNDIO”, PF FARÁ DEVASSA EM “RGs INDÍGENAS”

    FOLHA DE S. PAULO / Kátia Brasil (Manaus) – Após indiciar um líder indígena por suspeita de falsificação do Rani (Registro Administrativo de Nascimento de Índio), a Polícia Federal no Amazonas irá promover uma devassa nesses documentos emitidos no Estado.

    A PF quer entender as causas de um boom na emissão de “RGs indígenas” no Amazonas: de uma média anual de 159 Ranis/ano de 2000 a 2007, o número passou para 1.143/ano no período 2008 a 2011 – salto de 619%.

    Apuração preliminar da PF detectou que o aumento anormal na expedição dos documentos se deu a partir de 2007, ano da emissão do registro de Paulo Ribeiro da Silva, o Paulo Apurinã, indiciado sob suspeita de falsificação de documento público.

    O Rani é um documento administrativo da Funai (Fundação Nacional do Índio). Não fornece vantagens por si só, mas na ausência da certidão de nascimento subsidia a identificação do índio e o pedido de benefícios como aposentadoria especial, cotas em universidades e inclusão em programas sociais.

    Para o superintendente da PF no Amazonas, Sérgio Fontes, há indícios de problemas na expedição dos registros pela Funai. “É preciso rever o processo de emissão. Não temos dúvida de que, infelizmente, pela fragilidade existente na Funai, muitos registros foram (emitidos) na esteira da fraude.”

    O foco da apuração da PF serão os Ranis expedidos desde 2007. Os registros feitos no Estado desde 1979 foram para 32 grupos indígenas –a etnia apurinã foi a mais beneficiada, com 18% do total.

    Um dos critérios para emissão do Rani é o autorreconhecimento –a comunidade indígena tem de reconhecer a pessoa como índio. Caso a Funai tenha dúvidas sobre a etnia, deve pedir laudo antropológico, o que não ocorreu no caso de Silva.

    Entre os indícios de fraude no caso de Silva, que é porta-voz de uma entidade indígena e já participou de atos com a presidente Dilma Rousseff, estão a ausência de dados genealógicos e de estudos antropológicos, além de depoimentos de índios que negaram a origem dele e da mãe.

    A mãe do líder indígena, em depoimento à PF, disse ter tirado os nomes indígenas dela e do filho de um dicionário de tupi-guarani. Ambos não falam a língua apurinã. Com o Rani, a mãe de Silva entrou como cotista na Universidade Estadual do Amazonas.

    Procurada por diversas vezes em Brasília e em Manaus, a Funai não comentou a apuração da PF. Silva nega ter fraudado sua identidade de índio – afirma que seu bisavô era um apurinã.

     

    Nota do SDV ( * ): título de música de Jorge Ben Jor (1981), sucesso também com Baby Consuelo (Baby do Brasil).