• BALADA PARA BARRABÁS

    O blogueiro nas ruínas da Igreja de Nosssa Senhora do Rosário dos Pretos, em Sabará / MG (1984). Foto de Dalva Lima (in memoriam).

     

    PAIXÃO

    Nesta sexta da paixão
    não quero lança no peito
    (por inveja ou despeito)
    companhia de ladrão
    de olho no voo da alma
    cobiçando toda calma
    e também minha aflição.

    Nesta sexta da paixão
    com família, alguns amigos
    e a mulher do coração
    me protejo dos perigos
    são eles os meus abrigos
    no horto da solidão.

    Nesta sexta da paixão
    é o meu aniversário
    por isso não tem Calvário
    Pilatos lavando mão
    romano legionário
    nem Judas e nem o cão.

    (G.M)


  • IMAGINEM A FESTA (*)

    O gol do uruguaio Ghiggia que calou o Maracanã na copa de 1950, ocasionando um dos maiores silêncios já registrados numa turba de 174 mil torcedores. O episódio ficou conhecido como ‘maracanazo’.

     

             MARIN USA SITE DA CBF PARA DIZER QUE SELEÇÃO ESTÁ ‘NO BOM CAMINHO’

    FOLHA DE S. PAULO / UOL – A seleção brasileira precisa melhorar antes da Copa das Confederações em junho, disse o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, após os resultados fracos dos últimos amistosos.

    Desde que assumiu como treinador do Brasil no lugar de Mano Menezes, no final de 2012, o técnico Luiz Felipe Scolari dirigiu a seleção em três amistosos e não obteve nenhum triunfo, perdendo para a Inglaterra (2 x 1), e empatando com Itália (2 x 2) e Rússia (1 x 1).

    Contudo, Marin considerou que a seleção avança no caminho certo. O dirigente, responsável pela demissão de Mano Menezes no final do ano passado, usou o site da CBF para comentar sobre o desempenho após a chegada de Felipão.

    “Eu disse após o jogo contra a Itália e repito hoje: a seleção está no bom caminho. O time ainda tem o que melhorar, mas já tem mostrado um futebol que me deixa essa certeza, a de que está progredindo”, afirmou.

    “Temos mais três amistosos até a Copa das Confederações, o que trará entrosamento que todo o time precisa para ser vencedor. Isso, aliado à qualidade técnica dos nossos jogadores, deixará a seleção pronta para a Copa das Confederações”, completou.

    Marin acredita que os próximos três amistosos, contra Bolívia, Chile e França, darão mais conjunto à equipe antes da Copa das Confederações, considerada como teste para o Mundial de 2014.

     

    Nota do SDV ( * ): bordão ufanista da propaganda de certa cerveja sobre o êxito da seleção brasileira na Copa das Confederações deste ano e na Copa do Mundo de 2014.


  • “A PERMUTA DOS SANTOS” (*)

                 “Com a dupla ‘Edu e Chico’ / Lula e Dilma pedem o pinico” (Soriedem do Repente)

     

     CAMPOS DIZ TER MAIS COISAS EM COMUM COM SERRA DO QUE COM ALGUNS ALIADOS

    FOLHA DE S. PAULO / Daniel Carvalho (Recife) – Depois de ser elogiado pelo ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou ter mais pontos em comum com o tucano do que com alguns aliados.

    “Esse campo em que Serra sempre militou é um campo mais próximo do nosso campo político do que muita gente que está conosco e esteve conosco na base de sustentação do presidente Lula. Todo mundo sabe disso”, afirmou o governador.

    A declaração ocorreu nesta sexta-feira (22), no Recife, antes de ele participar do lançamento de um livro patrocinado pela empreiteira OAS sobre artesãos pernambucanos.

    O governador afirmou ter “muitas coisas em comum” e citou como exemplo questões como a maior distribuição de renda, crescimento “mais arrojado” da economia e “inovação que agregue valor às nossas exportações”.

    “Não há diferença nisso em relação a muitos que estão na base do governo e outros que estão na oposição”, disse Campos.

    Em entrevista à Folha, José Serra disse que a provável candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República “é boa para o Brasil e boa para a política”.

    O jornal revelou também que os dois se encontraram em São Paulo, na última sexta-feira.

    Ontem, o ex-governador se irritou ao ser questionado sobre o encontro. Hoje, ele disse encarar a reunião como algo “inteiramente natural”.

    “Eu acho que nós devemos seguir discutindo o Brasil. É bom, é importante que possamos acumular um debate plural, diverso, sobre o futuro do Brasil”, afirmou.

    “Ele não vai concordar com tudo o que eu falo, nem eu vou concordar com tudo o que ele fala. Mas nós vamos, com certeza, com esse debate, enriquecer o debate político”, disse Campos.

    O governador falou da relação que sua família teve com Serra durante o regime militar e depois, quando ambos eram governadores.

    Referiu-se ao tucano como homem de “experiência”, “quadro importante na vida brasileira” e “economista respeitado”.

    “Sempre tive uma boa relação com Serra. O próprio (ex-) presidente Lula sabe disso, que sempre tivemos uma porta de conversa”.

    DILMA

    O governador Eduardo Campos disse que nesta segunda-feira (25) terá “absolutamente” a mesma postura que sempre teve com a presidente Dilma Rousseff em suas visitas ao Estado.

    Dilma irá inaugurar uma adutora no sertão de Pernambuco e um trecho de uma rodovia na região metropolitana do Recife.

    “Estamos felizes de receber a presidente Dilma aqui. Terei muito gosto de fazer uma calorosa recepção para ela”, disse.

     

    Nota do SDV ( * ): título de música de Edu Lobo e Chico Buarque (1987-1988).


  • BOLIVARIANISMO ABSTÊMIO

    Um brinde de Hugo Chávez no Dia Mundial da Água (22 de março), quando afirmou em 2011 que “o capitalismo pode ter acabado com a vida em Marte”.



                         AMBEV ABANDONA VENEZUELA DIANTE DE SITUAÇÃO ‘INVIÁVEL’

    AFP / UOL (Caracas) – A Ambev encerrará suas operações na Venezuela depois de sete anos de prejuízos, que deixaram a empresa diante de uma situação “inviável” para manter suas atividades no país, iniciadas em 1994, anunciou a cervejaria brasileira nesta quarta-feira em um comunicado.

    “A Brahma Venezuela (filial da Ambev no país) informa que no dia 18 de março de 2013 deu início ao processo para o encerramento de suas operações na Venezuela, dado que a empresa se encontra em uma situação que a torna definitivamente inviável e não tem outra alternativa”, destaca a empresa em uma nota, acrescentando que sua participação caiu “de 9% para 0,9% no mercado de cerveja (local) nos últimos sete anos”.

    “Chegamos até este ponto após uma longa e permanente queda da venda de nossos produtos, o que nos impediu, nos últimos anos, de realizar os investimentos necessários em nossa unidade de Barquisimeto”, no estado de Lara.

    Ambev, uma das maiores empresas da região, iniciou suas operações na Venezuela em 1994, com a aquisição da Cervejaria Nacional.
    Segundo o comunicado, os prejuízos da empresa “se somaram ao persistente crescimento dos custos operacionais e a um ambiente para a indústria cervejeira muito complexo”.

    A companhia destacou que “cumprirá com todas as exigências das leis venezuelanas” para garantir os direitos de seus 364 trabalhadores, que foram comunicados da decisão na segunda-feira.

    Segundo o economista Jesús Casique, as empresas estrangeiras na Venezuela têm sido afetadas pela desvalorização de quase 32% no bolívar adotada em fevereiro passado, e pelo severo controle cambial vigente no país desde 2003, “o que dificulta a obtenção de divisas para importar matéria-prima”.

    A estas dificuldades se somam o controle dos preços por parte do governo, principalmente sobre os produtos básicos, impedindo “que as empresas reajustem seus preços”, apesar da desvalorização da moeda.

    “A Brahma vinha atravessando problemas com seus produtos devido à política econômica do governo. Se não é possível ajustar os preços, obviamente as empresas vão ter sérios problemas”, expressou Casique.

    A Ambev vendia na Venezuela as marcas Brahma, Brahma Light e Brahma Malta.


  • FASHION WEEK


                     PERUCAS DE PALHA DE AÇO GERAM POLÊMICA; ENTENDA O CASO

    UOL (São Paulo) – A peruca feita de palha de aço pelo “beauty artist” Marcos Costa para o desfile de Ronaldo Fraga no SPFW gerou polêmica e, tanto o maquiador, quanto o estilista, estão sendo acusados de racismo por entidades que lutam pelos direitos dos negros. Segundo post publicado no site Afrokut “fazer analogia do bombril com o cabelo negro é nos remeter a uma situação racista e constrangedora. Onde o negro tem seu núcleo básico de força abalado, ou seja: autoestima, que foi e é alvo desde sempre de várias investidas racistas, na tentativa de inferiorizar a raça negra”.

    Na tarde desta quarta (20), o profissional da beleza conhecido por trabalhar com modelos e anônimas das mais variadas etnias publicou um comunicado oficial, em quem diz: “nunca foi minha intenção ou de Ronaldo Fraga ofender ou discriminar quem quer que seja. A ideia para o look do desfile era ressaltar a beleza de cabelos que podem ser moldados como esculturas, não importando o fato de serem crespos”.

    Leia abaixo o comunicado na íntegra do texto de Marcos Costa:

    “Nunca foi minha intenção ou de Ronaldo Fraga ofender ou discriminar quem quer que seja. A ideia para o look do desfile era ressaltar a beleza de cabelos que podem ser moldados como esculturas, não importando o fato de serem crespos. Depois de testarmos alguns materiais, Ronaldo sugeriu a palha de aço. Foi também uma forma de subverter um preconceito enraizado na cultura brasileira. Por que o negro tem de alisar seus fios? Eles são lindos!

    Quem acompanha minha carreira, mesmo que seja apenas aqui pelo blog, pode se lembrar de vários ensaios com belíssimas mulheres negras – sejam modelos, famosas ou anônimas. Inclusive no meu livro “Eu Amo Maquiagem” (2006), são modelos negras que abrem e fecham a publicação, ocupando lugar de destaque que acredito ser coerente com a incrível miscigenação racial que há no nosso país.

    Abaixo, algumas imagens que inspiraram o look e sentimos muito que nossa intenção tenha sido interpretada de outra forma”


  • AO POETA COLOSSO (*)

    Antônio Frederico de Castro Alves foi o último grande poeta da terceira geração romântica no Brasil, executando com brilho e maestria a transição entre o romantismo e o parnasianismo em obras (poemas) de fôlego como Navio Negreiro e Espumas Flutuantes. Expressou em suas poesias a indignação aos graves problemas sociais de seu tempo. Denunciou a crueldade da escravidão e clamou pela liberdade, dando ao romantismo um sentido social e revolucionário que o aproxima do realismo. Foi também o poeta do amor, sua poesia amorosa descreve a beleza e a sedução do corpo da mulher. É patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras. Nasceu na cidade de Curralinho (Bahia) em 14 de março de 1847 e faleceu em Salvador no dia 6 de julho de 1871, aos 24 anos, vitimado pela tuberculose.

     

    ORTODOXIA

    Engraçado
    como performers
    do concreto
    da alvenaria
    do processo
    e habeas corpus
    com seus paideumas
    e paidéguas
    de Elza pondo
    num parangolé
    qualquer
    conseguem
    (na base do arroto)
    a louvação
    dos seus afazeres
    pós-éticos
    que esperam superar
    neste 14 de março
    a saga do poeta moço
    o poetinha colosso
    condoreiro sem percalços.


    (Graco Medeiros)

     
    Nota do SDV ( * ): Castro Alves tinha os epítetos de “poeta dos escravos” e “poeta do amor”, entretanto, preferi o “poeta colosso” em homenagem ao seu conterrâneo, o compositor e cantor Gordurinha, que na música “Baiano Burro Nasce Morto”, com letra apologética ironizando as piadas de cariocas e paulistas com a Bahia, o homenageia com os versos: “O Castro Alves poeta colosso / Sujeito moço mas soube o que fez”.

    Lembrança também do meu pai, Luiz Cleodon de Medeiros, que pelos corredores da velha casa ficava ‘entoando’ os outros versos da 2ª estrofe: “a Marta Rocha violão baiano / foi mostrar pro americano que a Bahia já tem vez / e Rui Barbosa, cabra de sangue na guelra / foi pra Inglaterra ensinar inglês”. Veja e ouça a música no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=tAXsCvrItx4


  • EL CHICO BUENO DE PELOTA

     

                    CARDEAL ARGENTINO BERGOGLIO DE 76 ANOS É O PAPA FRANCISCO

    DN GLOBO / Susana Salvador – Mais de uma hora depois do fumo branco, o cardeal francês Jean-Louis Tauran anunciou a partir da varanda da Basílica de S. Pedro o nome do novo Papa: Jorge Mario Bergoglio.

    O Papa Francisco nasceu em Buenos Aires e tem 76 anos. O nome do jesuíta Jorge Mario Bergoglio era um dos falados para suceder a Bento XVI.

    Bergoglio é o primeiro papa do continente americano e o primeiro jesuíta a chegar ao cargo máximo da Igreja Católica.

    O sucessor de Bento XVI foi eleito à quinta votação, ao segundo dia de Conclave.

    A praça de São Pedro é pequena para todos os fiéis que quiseram ver de perto o novo papa.


  • “TAMBIÉN NO MORI CAPITALISTAS DE MIERDA!”



    CHAVÉZ VIVE, A LUTA SEGUE; OS GRITOS DOS VENEZUELANOS PELAS RUAS DE CARACAS

    UOL / Carlos Iavelberg (Caracas) – Após a morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, seus seguidores venezuelanos saíram às ruas para prestar homenagens. Em manifestações populares, no cortejo fúnebre ou na fila à espera para ver o corpo do líder, novos gritos da “revolução bolivariana” são ouvidos pelas ruas da capital Caracas.

    “Chávez vive, a luta segue”.

    “Alerta, alerta, alerta que caminha o coração de Chávez por América Latina”.

    “Chávez não morreu, se multiplicou”.

    “Chávez, com Maduro teu voto está seguro” – sobre as próximas eleições.

    “Com Simón, Chávez ao Panteão”  – sobre o traslado do corpo ao Panteão, onde está o túmulo de Simón Bolívar.

    “Chávez somos todos”.

    “Queremos a Chávez no Panteão, o povo exige e tem razão”.

    “Chávez virou milhões (de pessoas)”.


  • O SOLO DA VELOCIDADE DA LUZ

    Alvin Lee, o fenomenal guitarrista lider da banda Ten Years After que impressionou a todos no festival de Woodstock com seus solos “na velocidade da luz” e performance de palco arrebatadora.

     

            MORRE ALVIN LEE QUE INCENDIOU WOODSTOCK COM O ‘TEN YEARS AFTER’

    Redação do vagalume.com.br – O mundo do rock perde mais uma de suas lendas. O guitarrista Alvin Lee do Ten Years After morreu ontem aos 68 anos. Lee ficou célebre após a performance incendiária dele e de sua banda em Woodstock rodar o mundo no famoso documentário sobre o festival.

    Segundo a família, o músico morreu após complicações no pós-operatório de uma cirurgia de rotina.
    O Ten Years After em sua primeira fase ficou na ativa entre os anos de 1966 e 1974 e conquistou um sucesso razoável com seu blues rock.

    O maior sucesso da banda foi “I’d Love To Change The World“, uma balada com um toque de psicodelia que chegou ao top 40 americano em 1971. Mas é inegável que a imagem que fica de Lee para a posteridade é a de sua destreza como guitarrista imortalizada no filme sobre “Woodstock”.

    O excesso de virtuosismo pode ter incomodado muita gente, mas a quantidade de garotos que se impressionaram com a demonstração e decidiram se tornar guitarristas também é enorme.

    Se você nunca viu a cena confira agora. Quem já a assistiu sabe que vale a pena rever.


    Veja e ouça:  http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=bW5M5xljdCI


  • QUEM VAI OCUPAR O BARRIL IDEOLÓGICO?

     

                    MORTE DE CHÁVEZ DEIXA VAZIO NA ESQUERDA DA AMÉRICA LATINA

    UOL / REUTERS, por Jeff Franks (Havana) – A morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na terça-feira, deixou um grande vazio na liderança de esquerda da América Latina e levantou dúvidas sobre se a generosidade do petróleo que ele espalhou pela região vai continuar.

    Aliados como o presidente boliviano, Evo Morales, prometeram continuar o sonho de Chávez de unidade “bolivariana” do hemisfério, mas em Cuba, muito dependente da ajuda venezuelana e de seu petróleo, as pessoas foram às lágrimas quando souberam que Chávez tinha perdido a batalha contra o câncer.

    Sua influência foi sentida em toda a região, das pequenas ilhas do Caribe à empobrecida Nicarágua na América Central, passando por economias emergentes como Equador e Bolívia e os pesos pesados da América do Sul, Brasil e Argentina, onde ele encontrou o apoio de governos próximos.

    Sem a sua presença ideológica, a influência da Venezuela deve diminuir e o peso da economia brasileira poderia preencher a lacuna no realinhamento diplomático da região.

    Chávez, de 58 anos, deixa um legado misto de problemas econômicos e a polarização política venezuelana, mas para muitos latino-americanos e caribenhos ele ofereceu ajuda financeira e deu voz às aspirações regionais de superar mais de um século de influência dos EUA.

    “Ele usou seu dinheiro do petróleo para construir boas relações com todos”, disse Javier Corrales, cientista político dos EUA e especialista em Venezuela, da Amherst College.

    A riqueza de petróleo também transformou a Venezuela em um grande importador de bens da região. “Sua conta de importação era tão grande que ele se tornou um grande parceiro comercial. É por isso que suas relações eram tão boas”, disse Corrales.

    Entre 2008 e o primeiro trimestre de2012, aVenezuela forneceu 2,4 bilhões de dólares em ajuda financeira à Nicarágua, de acordo com o banco central da Nicarágua – uma quantia enorme para uma economia no valor de apenas 7,3 bilhões de dólares em 2011.

    A Venezuela fornece petróleo em condições muito preferenciais para 17 países sob sua iniciativa Petrocaribe, e se juntou a projetos para produzir e refinar petróleo em países como Equador e Bolívia.

    Chávez também ajudou a Argentina a sair da crise econômica, comprando bilhões de dólares em títulos enquanto o país lutava para se recuperar de um enorme calote da dívida.

    “Quando a crise de 2001 colocou em risco 150 anos de construção política, ele foi um dos poucos que nos deu uma mão”, afirmou o ex-chefe de gabinete do governo da Argentina, Aníbal Fernández, no Twitter.

    CRIADOR DE BLOCOS

    Em Cuba, dois terços do petróleo vem da Venezuela em troca dos serviços de 44.000 profissionais cubanos, a maioria da área médica.

    Combinando com investimentos generosos da Venezuela, isso ajudou Cuba a sair dos dias negros do “Período Especial” que se seguiram ao colapso em 1991 da União Soviética.

    Chávez era pessoalmente e politicamente próximo ao ex-líder cubano Fidel Castro, com quem planejou a promoção de governos de esquerda e a solidariedade latino-americana contra o inimigo ideológico Estados Unidos.

    Junto com a Petrocaribe, Chávez incentivou a criação do bloco de esquerda Alba, a Aliança Bolivariana para os Povos da nossa América, e da Celac, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, ambas voltados para a integração regional e a redução da influência dos EUA no hemisfério.

    “Chávez era um líder regional com a Alba e a Celac, mas a Alba está em um processo de deterioração gradual. Em parte como a saúde de Chávez se deteriorou, assim está a Alba”, disse Frank Mora, ex-subsecretário adjunto de Defesa para Assuntos do Hemisfério Ocidental no primeiro governo do presidente dos EUA, Barack Obama.

    “Para mim, é difícil acreditar que alguém como Rafael Correa (presidente equatoriano) ou Raúl Castro (líder cubano) possa pegar o manto que está sendo deixado pela ausência de Chávez e manter o mesmo nível de apoio e vibração que estes relacionamentos e organizações antiamericanas e bolivarianas tinham.”


    (Reportagem adicional de Nelson Acosta e Marc Frank, em Havana; Hilary Burke e Alejandro Lifschitz, em Buenos Aires; David Adams, em Miami; Ivan Castro, em Manágua; Jack Kimball, em Bogotal; e Eduardo Gil Garcia, em Quito)