• A NOVA COTAÇÃO DO IBGE

     

    EM DEZ ANOS, POPULAÇÃO QUE SE AUTODECLARA NEGRA AUMENTA, E NÚMERO DE BRANCOS CAI

    UOL / Débora Melo (São Paulo) – Embora a população que se autodeclara branca ainda seja maioria no Brasil, o número de pessoas que se classificam como pardas ou pretas cresceu, enquanto o número de brancos caiu. É o que mostra um novo volume do Censo Demográfico de 2010, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado nesta sexta-feira (29).

    O percentual de pardos cresceu de 38,5%, no Censo de 2000, para 43,1% (82 milhões de pessoas) em 2010. A proporção de pretos também subiu de 6,2% para 7,6% (15 milhões) no mesmo período. Por outro lado, enquanto mais da metade da população (53,7%) se autodeclarava branca na pesquisa feita dez anos antes, em 2010 esse percentual caiu para 47,7% (91 milhões de brasileiros).

    De acordo com Jefferson Mariano, analista socioeconômico do IBGE, essa inversão faz parte de uma mudança cultural que vem sendo observada desde o Censo de 1991. “Muitos que se autodeclaravam brancos agora se dizem pardos, e muitos que se classificavam como pardos agora se dizem pretos. Isso se deve a um processo de valorização da raça negra e ao aumento da autoestima dessa população”, diz.

    O analista, no entanto, afirma que “o Brasil ainda é racista e discriminatório”. “Não é que da noite para o dia o país tenha deixado de ser racista, mas existem políticas. As demandas [da população negra], a questão da exclusão, tudo isso começou a fazer parte da agenda política. A cota racial em universidades, por exemplo, é um desdobramento disso”, afirma Mariano.

    A distribuição por raça entre os Estados refletiu padrões históricos de ocupação e movimentos relacionados à dinâmica econômica, segundo o IBGE. A maior proporção de brancos, por exemplo, é observada na região Sul do país: Santa Catarina (84%), Rio Grande do Sul (83,2%) e Paraná (70,3%). Já a população de pardos é mais comum no Nordeste e no Norte (com destaque para o Pará, com 69,5% de pardos), enquanto os pretos estão mais presentes nos Estados da região Nordeste, principalmente na Bahia, onde 17,1% se autodeclararam pretos (2,4 milhões de pessoas).

    O segundo Estado com o maior número de pessoas que se dizem pretas, no entanto, está na região Sudeste: o Rio de Janeiro tem 12,4% de pretos, o que corresponde a 2 milhões de pessoas. No Estado de São Paulo, a maioria se classificou como branca (63,9%), seguida pela população parda (29,1%) e preta (5,5%).

    O Censo 2010 mostra ainda que também cresceu a proporção de brasileiros que se autodeclaram amarelos, de 0,5% para 1,1% (cerca de 2 milhões). De acordo com o IBGE, são da raça amarela as pessoas de origem oriental (japonesa, chinesa ou coreana, entre outras). O percentual de indígenas se manteve em 0,4% (817 mil pessoas, sendo que 60,8% estavam concentradas em áreas rurais) – segundo o instituto, essa classificação é aplicável tanto aos indígenas que vivem em terras indígenas quanto àqueles que vivem fora delas.


  • OOOPS!…

     

    NÃO SE DEVE “BRINCAR À BEIRA DO PRECIPÍCIO”, DIZ DILMA SOBRE CRISE INTERNACIONAL

    AGÊNCIA BRASIL (Brasília) – Ao anunciar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Equipamentos – um programa de compras governamentais para acelerar a economia – a presidente Dilma Rousseff, disse na quarta-feira (27) que o cenário de crise financeira internacional preocupa, mas não amedronta o país. Dilma disse que, no entanto, não se pode “brincar à beira do precipício”.

    “Este cenário nos preocupa, mas não nos amedronta. É preciso ter consciência dele para evitar que, neste momento, sejam feitas aventuras fiscais. Nenhum país do mundo hoje se permite uma política fiscal que não leve em conta, sobretudo, investimentos. Aventura fiscal é a gente se comportar como se não estivesse acontecendo nada. Não nos amedrontamos, mas não podemos fingir que nada está acontecendo”, disse a presidente, no discurso.

    A presidente disse que o governo continuará estimulando o investimento e o consumo no país e tomará as medidas necessárias para proteger os empregos e preservar as conquistas econômicas e os avanços sociais. “Somos otimistas, apesar de sóbrios, porque temos os instrumentos para preservar a saúde da economia e nossas conquistas sociais. Praticamos um modelo que se desenvolveu em bases sólidas, estamos fincados em pés brasileiros, fizemos um processo de crescimento que expandiu o mercado interno”, explicou a presidente.

    Na avaliação da presidente, a crise dos países da zona do euro tem duração longa e crônica, requerendo mais medidas para ser solucionada. “A cada reunião dos países europeus, esperamos que uma solução mais sistêmica surja e assegure mais confiança”, disse.

    Na cerimônia de anúncio do programa para agilizar as compras governamentais com recursos de R$ 8,4 bilhões e preferência para aquisição de produtos nacionais, a presidente Dilma disse que essa iniciativa é consagrada como um dos mecanismos aceitos para garantir a sustentação do crescimento econômico. As compras anunciadas pelo governo em áreas como saúde, defesa e educação têm o objetivo de estimular a economia brasileira, que sofre os reflexos da crise financeira internacional.


  • “O DIABO NA RUA NO MEIO DO REDEMOINHO” (*)

    O escritor João Guimarães Rosa que nasceu em 27 de junho de 1908, Cordisburgo – MG.

     


    GRANDE TESÃO: REMEDOS

    Não sou Riobaldo
    De alma possessa
    Não tenho pressa
    E aprendi que viver
    Nem é muito perigoso.

    Compadre meu Quelemém
    Não sabe muito bem
    Das malícias do Tinhoso.

    O Temba solto na rua
    Arrevira os olhos mirando a lua
    E balança as cadeiras fazendo pose:

    E se ao invés de Diadorim
    Fosse o Coisa Ruim
    Imitando Roberta Close?


    Graco Medeiros

    Belo Horizonte, 27 de junho de 1984.

     

    Nota do SDV ( * ): frase do personagem Riobaldo em ‘Grande Sertão: Veredas’, obra de Guimarães Rosa (1908-1967).


  • A LOMBRA DOS CANGURUS

     

    AUSTRALIANOS E NEOZELANDESES SÃO OS MAIORES CONSUMIDORES DE MACONHA DO MUNDO

    EFE (Sydney) – Os australianos e os neozelandeses são os maiores consumidores de maconha per capita no mundo, segundo um relatório do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (UNODC, na sigla em inglês) divulgado nesta quarta-feira (27) pela imprensa local.

    Essa pesquisa, que se baseia em dados de 2010, revelou que entre 9,1% e 14,6% da população da Oceania consome maconha, enquanto a média em todo o mundo fica entre 2,6% e 5%.

    A procura por cannabis é a maior do mercado ilícito de drogas na Austrália, embora os números também indiquem um aumento do consumo de cocaína e de fármacos para usos não médicos. Por outro lado, houve uma queda no uso de anfetamina e ecstasy.

    “A cannabis continua sendo a droga que mais prevalece na Austrália, assim como a maior substância vinculada aos que procuram tratamento por abuso de drogas (50%), enquanto a heroína e a anfetamina representam quase 20%”, indicou o relatório citado pela agência local “AAP”.

    Austrália e Nova Zelândia, junto com Estados Unidos e Europa, são os principais destinos da cocaína, principalmente a exportada pelos cartéis mexicanos.

    Nos dois países da Oceania, o consumo desse narcótico aumentou 1,4% em 2009 e mais 1,5% em 2010.


  • OLHE O ‘UPPER’ NA PONTA DO QUEIXO, ‘JOE’ LOUIS INÁCIO!



                     PT TERÁ LULA CONTRA EDUARDO CAMPOS EM RECIFE, DIZ FALCÃO

    FOLHA.com / Catia Seabra (Brasília) – O presidente do PT, Rui Falcão, conclamou a militância a lutar contra a frente montada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em Recife.

    Em depoimento no site do PT, Falcão afirma que o PT enfrenta “do outro lado, uma ampla frente de aliança que tenta os derrotar”.

    Na mensagem, ele avisa, porém, contar com a força do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff no Estado.

    A expectativa é que Lula desembarque em Recife nas eleições. Em Pernambuco, Lula é apontado como um padrinho político de Campos.

    Na segunda-feira, durante reunião do Diretório Nacional do PT, o candidato lançado pelo partido à Prefeitura de Recife, senador Humberto Costa, disse que cumpre uma missão.

    Ao falar sobre as dificuldades a enfrentar –como falta de recursos dada a influência de Campos entre os potenciais doadores– disse, segundo petistas, que já “beijou a lona várias vezes, mas sempre se levantou antes do décimo segundo”.

    O PT administra Recife há 12 anos, com apoio do PSB. Com a crise interna petista envolvendo o atual prefeito João da Costa, o PSB rompeu a aliança.

    Costa reivindicava o direito de disputar a reeleição, mas ontem o partido negou o recurso do prefeito e manteve a pré-candidatura do senador Humberto Costa.


  • VELHO FILME REPRISADO

    Pichação no Cine Olinda, em pleno sítio histórico do Carmo. Olinda, para quem não sabe, é administrada pelo PC do B. O ato da militância só reforça o que já dizia o velho Lenine em 1920: “Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo” (foto de Graco Medeiros).

    “Lula, o Filho do Brasil” – Filme de 2009 dirigido por Fábio Barreto, inspirado na trajetória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O filme foi indicado ao Oscar pelo puxa-saquismo da cultura oficial para pagar o mico de melhor filme estrangeiro em 2010.

     

            APÓS ENCONTRO COM MALUF, LULA ‘ABENÇOA’ HOJE ALIANÇA COM PC do B

    FOLHA.com / Catia Seabra (Brasília) – O PC do B espera a presença de Lula hoje à tarde num ato político simbólico em que deverá anunciar a retirada da pré-candidatura de Netinho de Paula à prefeitura paulistana para apoiar Fernando Haddad (PT).

    O evento está previsto para as 16h em local a ser definido. Avalista do acordo, o ex-presidente faria gesto aguardado pela sigla para o desembarque de seu pré-candidato.

    “Na era das fotos, queremos a nossa também”, disse um dirigente comunista, referindo-se à polêmica imagem da semana passada, em que Lula se confraternizou com Paulo Maluf, após selado o pacto PT-PP.

    Com a aliança, que acrescerá 35 segundos de tempo de TV à coalizão de Haddad, o PC do B passa a ser o favorito a indicar o vice na chapa.

    Em um primeiro momento, o partido sugeriu a deputada Leci Brandão para o posto.

    O comando da campanha petista, contudo, tem preferência por Nádia Campeão, ex-secretária de Esportes do governo Marta Suplicy e favorita para compor a dobradinha.


  • O BRUXO DOS SONS

             Hermeto Pascoal, multinstrumentista e compositor, completa 76 anos na data de hoje.

     


                                             LONGA VIDA A HERMETO PASCOAL

    Sítio do hermetopascoal.com.br – Nascido em Olho d´Água e criado em Lagoa da Canoa, na época município de Arapiraca, estado de Alagoas, em 22 de junho de 1936, Hermeto Pascoal é filho de Vergelina Eulália de Oliveira (dona Divina) e Pascoal José da Costa (seu Pascoal). Foi no seu alistamento militar que colocaram o pré-nome de seu pai como seu sobrenome.

    Os sons da natureza o fascinaram desde pequeno. A partir de um cano de mamona de “gerimum” (abóbora), fazia um pífano e ficava tocando para os passarinhos. Ao ir para a lagoa, passava horas tocando com a água. O que sobrava de material do seu avô ferreiro, ele pendurava num varal e ficava tirando sons. Até o 8 baixos de seu pai, de sete para oito anos, ele resolveu experimentar e não parou mais. Dessa forma, passou a tocar com seu irmão mais velho José Neto, em forrós e festas de casamento, revezando-se com ele no 8 baixos e no pandeiro.

    Mudou-se para Recife em 1950, e foi para a Rádio Tamandaré. De lá, logo foi convidado, com a ajuda do Sivuca (sanfoneiro já de sucesso), para integrar a Rádio Jornal do Commercio, onde José Neto já estava. Formaram o trio “O Mundo Pegando Fogo” que pegou fogo mesmo já na primeira vez em que tocaram, pois, segundo Hermeto, ele e seu irmão estavam apenas começando a tocar sanfona, ou seja, eles só tocavam mesmo 8 baixos até então.

    Porém, por não querer tocar pandeiro e sim sanfona, foi mandado para a Rádio Difusora de Caruaru, como refugo, pelo diretor da Rádio Jornal do Commercio, o qual disse-lhe que “não dava para música”. Ficou nessa rádio em torno de três anos. Quando Sivuca passou por lá, fez muitos elogios sobre o Hermeto ao diretor dessa rádio, o Luis Torres, e Hermeto, por conta disso, logo voltou para a Rádio Jornal do Commercio, em Pernambuco, ganhando o que havia pedido, a convite da mesma pessoa que o tinha mandado embora. Ali, em 1954, casou-se com Ilza da Silva, com quem viveu 46 anos e teve seis filhos: Jorge, Fabio, Flávia, Fátima, Fabiula e Flávio. Foi nessa época também que descobriu o piano, a partir de um convite do guitarrista Heraldo do Monte, para tocar na Boate Delfim Verde. Dali foi para João Pessoa, PB, onde ficou quase um ano tocando na Orquestra Tabajara, do maestro Gomes.

    Em 1958, mudou-se para o Rio para tocar sanfona no Regional de Pernambuco do Pandeiro (na Rádio Mauá) e, em seguida, piano no conjunto e na boate do violinista Fafá Lemos e, em seguida, no conjunto do Maestro Copinha (flautista e saxofonista), no Hotel Excelsior.

    Atraído pelo mercado de trabalho, transferiu-se para São Paulo em 1961, tocando em diversas casas noturnas. Depois de um tempo, formou, juntamente com Papudinho no trompete, Edilson na bateria e Azeitona no baixo, o grupo SOM QUATRO. Foi aí que começou a tocar flauta. Com esse grupo gravou um LP. Em seguida, integrou o SAMBRASA TRIO, com Cleiber no baixo e Airto Moreira na bateria. No disco do Sambrasa Trio, Hermeto já registrou sua música “Coalhada”.

    Com o florescimento dos programas musicais de TV, criaram o QUARTETO NOVO, em 1966, sendo Hermeto no piano e flauta, Heraldo do Monte na viola e guitarra, Théo de Barros no baixo e violão e Airto Moreira na bateria e percussão. O grupo inovou com sua sonoridade refinada e riqueza harmônica, participando dos melhores festivais de música e programas da TV Record, representando o melhor da nossa música. Nessa época, venceram um dos festivais com “Ponteio”, de Edu Lobo. Além disso, Hermeto ganhou várias vezes como arranjador. No ano seguinte gravou o LP QUARTETO NOVO, pela Odeon, onde registrou suas composições O OVO e CANTO GERAL.

    Em 1969, aconvite de Flora Purim e Airto Moreira, viajou para os EUA e gravou com eles 2 LPs, atuando como compositor, arranjador e instrumentista. Nessa época, conheceu Miles Davis e gravou com ele duas músicas suas: “Nem Um Talvez” e “Igrejinha”. De volta ao Brasil, gravou o LP “A MÚSICA LIVRE DE HERMETO PASCOAL”, com seu primeiro grupo, em 1973.

    Em 1976, retornou aos EUA, gravou o “SLAVES MASS” e realizou mais alguns trabalhos com Airto e Flora.

    Com o nome já reconhecido pelo talento, pela qualidade e por sua criatividade, tornou-se a atração de diversos eventos importantes, como o I Festival Internacional de Jazz, em 1978,em São Paulo. Noano seguinte, participou do Festival de Montreux, na Suíça, quando é editado o álbum duplo HERMETO PASCOAL AO VIVO, e seguiu para Tóquio, onde participou do LIVE UNDER THE SKY. Lançou o CÉREBRO MAGNÉTICO em 1980 e multiplica suas apresentações pela Europa.

    Em 1982, lançou, pela gravadora Som da Gente, o LP HERMETO PASCOAL & GRUPO. Em 1984, pelo mesmo selo, gravou o LAGOA DA CANOA, MUNICÍPIO ARAPIRACA, onde registrou pela primeira vez o SOM DA AURA com os locutores esportivos Osmar Santos (Tiruliru) e José Carlos Araújo (Parou, parou, parou). Esse disco também foi em homenagem à sua cidade, que se elevou, então, à categoria de município e conferiu-lhe o título de Cidadão Honorário. Em 1986, o BRASIL UNIVERSO, também com seu grupo.

    Compôs ainda a SINFONIA EM QUADRINHOS, apresentando-se com a Orquestra Jovem de São Paulo. Em seguida, foi para Kopenhagen, onde lançou a SUITE PIXITOTINHA, que foi executada pela Orquestra Sinfônica local, em concerto transmitido, via rádio, para toda a Europa.

    Em 1987, lançou mais um LP: o SÓ NÃO TOCA QUEM NÃO QUER, através do qual o músico homenageia jornalistas e radialistas, como reconhecimento pelo seu apoio ao longo da carreira. Em 1989, fez seu primeiro disco de piano solo, o LP duplo POR DIFERENTES CAMINHOS.

    Em 1992, já pela Philips, gravou com seu grupo o FESTA DOS DEUSES. Depois do lançamento, viajou à Europa para uma série de concertos na Alemanha, Suíça, Dinamarca, Inglaterra e Portugal.

    Em março de 1995, apresentou uma Sinfonia no Parque lúdico do Sesc Itaquera, em SP, utilizando os gigantescos instrumentos musicais do parque. No mesmo ano foi a convite da Unicef para Rosário, Argentina, onde apresentou-se para 2.000 crianças, sendo que seu grupo entrou para tocar dentro da piscina montada no palco a pedido dele.

    De 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997, registrou uma composição por dia, onde quer que estivesse. Essas composições fazem parte do CALENDÁRIO DO SOM, lançado em 1999 pela editora Senac/ SP.

    Em 1999 lançou o CD EU E ELES, primeiro disco do selo Mec, no Rio de Janeiro.
    Nesse CD produzido por seu filho Fábio Pascoal, Hermeto toca todos os instrumentos.

    Em 2003, lançou, com seu grupo, o cd MUNDO VERDE ESPERANÇA, também produzido por Fábio.

    Em outubro de 2002, quando foi dar um workshop em Londrina, PR, conheceu a cantora Aline Morena e convidou-a para dar uma canja no dia seguinte com o seu grupo em Maringá, PR. Em seguida ela foi para o Rio com ele e, no final de 2003, Hermeto passou a residir em Curitiba, PR, com ela. Assim, passou a dar-lhe noções de viola caipira, piano e percussão e, em março de 2004 estreou no Sesc Vila Mariana a sua mais nova formação: o duo “CHIMARRÃO COM RAPADURA” (gaúcha com Alagoano), com Aline Morena.

    Em abril de 2004, embarcou para Londres para o terceiro concerto com a Big Band local, sendo que o primeiro já havia sido considerado o SHOW DA DÉCADA. Em seguida realizou mais alguns shows solo em Tóquio e Kyoto.

    Em 2005 gravou o CD e o DVD “CHIMARRÃO COM RAPADURA”, com Aline Morena, além de realizar duas grandes turnês com seu grupo por toda a Europa. O cd e o dvd de Hermeto Pascoal e Aline Morena foram lançados de maneira totalmente independente em 2006.

    Neste ano de 2010 está lançando o novo cd com Aline Morena, denominado “Bodas de Latão”, em comemoração aos sete anos juntos na vida e na música! Esse cd contem duas faixas multimídias, gravadas às margens do Rio São João, na estrada da Graciosa, em Morretes, Paraná. Além disso, conta com composições novas e antigas do Hermeto, uma composição e algumas novas letras de Aline e uma música de Astor Piazzolla.

    Atualmente, Hermeto Pascoal apresenta-se com cinco formações: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal e Aline Morena, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band e Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica. Diz ele que, por enquanto, é só!

    Obs: no link abaixo, Hermeto tira um som na cadeira do dentista com o sugador de saliva e com o motorzinho da broca.
    Veja e ouça: http://www.youtube.com/watch?v=Q2YDd9ipAYM


  • O CEGO ADERALDO E O ACIDENTE DO TRABALHO

                Cego Aderaldo

     

    O LEGENDÁRIO CEGO REPENTISTA, VÍTIMA DE ACIDENTE DO TRABALHO, QUE NASCEU NUMA VÉSPERA DE SÃO JOÃO E MORREU NUM DIA DE SÃO PEDRO, EM PLENO MÊS DE JUNHO
    “Só nos falta vê agora
    Dá carrapato em farinha,
    Cobra com bicho-de-pé,
    Foice metida em bainha,
    Caçote criar bigode,
    Tarrafa feita sem linha.

    Muito breve há de se vê
    Pisar-se vento em pilão,
    Botar freio em Caranguejo,
    Fazer de gelo carvão,
    Carregar água em balaio,
    Burro subir em balão”.

    (Estrofes do Cego Aderaldo, registradas pelo folclorista Leonardo Mota)


    Aderaldo Ferreira de Araújo, depois conhecido como “Cego Aderaldo”, cantor itinerente e repentista, nasceu em 24 de junho de 1878 na cidade do Crato (CE), e faleceu em 29 de junho de 1967, em Fortaleza (CE). Logo após seu nascimento mudou-se para Quixadá, no mesmo estado.

    Aos cinco anos começou a trabalhar, pois seu pai adoeceu e não conseguia sustentar a família. Tomou conta dos pais sozinho: quinze dias depois que seu pai morreu (25 de março de 1896).

    Quando tinha 18 anos e trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité, sua visão se foi depois de uma forte dor nos olhos ( * ). Pobre, cego e com poucos a quem recorrer, teve um sonho em verso certa vez, ocasião em que descobriu seu dom para cantar e improvisar. Ganhou uma viola a qual aprendeu a tocar. Mais tarde começou a tocar rabeca.

    Algum tempo depois, quando tudo parecia estar voltando à estabilidade, sua mãe morre. Sozinho começou a andar pelo sertão cantando e recebendo por isso. Percorreu todo o Ceará, partes do Piauí e Pernambuco. Com o tempo sua fama foi aumentando.

    Em 1914 se deu a famosa peleja com Zé Pretinho (maior cantador do Piauí). Depois disso voltou para Quixadá mas, com a seca de 1915, resolveu tentar a vida no Pará. Voltou para Quixadá por volta de 1920 e só saiu dali em 1923, quando resolveu conhecer o Padre Cícero.

    Rumou para Juazeiro aonde o próprio Padre Cícero veio receber o trovador que já tinha fama. Algum tempo depois foi a vez de cantar para Lampião, que satisfez seu pedido – feito em versos – de ter um revólver do cangaceiro.

    Tentando mudar o estilo de vida de cantador, em 1931, comprou um gramofone e alguns discos que usava para divertir o povo do sertão apresentando aquilo que ainda era novidade mesmo na capital. Conseguiu o que queria, mas o povo ainda o queria escutar.

    Logo depois, em 1933, teve a idéia de apresentar filmes. Que também deu certo, mas não o realizava tanto. Resolveu se estabelecer em Fortaleza em 1942, aonde veio a abrir uma bodega na Rua da Bomba, nº 2. Infelizmente o seu traquejo de trovador não servia para o comércio e depois de algum tempo fechou a bodega com um prejuízo considerável.

    Desde 1945, então com 67 anos, Cego Aderaldo parou de aceitar desafios. Mas também, já tinha rodado o sertão inúmeras vezes, conseguira ser reconhecido em todo lugar, cantara pra muitas pessoas, inclusive muitas importantes, tivera pelejas com os maiores cantadores.

    E, na medida em que a serenidade, que só o tempo trás ao homem, começou a dificultar as disputas de peleja, ele resolveu passar a cantar apenas para entreter a alma.

     

    Nota do SDV: texto extraído (reeditado) do livro “Eu sou o Cego Aderaldo”, de Rachel de Queiroz, Maltese Editora – São Paulo, 1994.

    ( * ) A cegueira de Aderaldo, segundo outros relatos mais conclusivos, aconteceu após um forte deslocamento de vapor quente e fagulhas advindos da fornalha do trem no qual o futuro cantador trabalhava como foguista (e não como maquinista, conforme diz o texto de Rachel de Queiroz), caracterizando, assim, um típico acidente do trabalho, o que naquela época (como ainda hoje) é  sempre retratado pelo patronato como “fatalidade” ou “ato inseguro” do próprio trabalhador, desconsiderando-se as precárias condições de segurança e saúde às quais os operários são expostos. Além do mais, no ano do acidente que provocou a cegueira de Aderaldo (1896) não existia nenhuma legislação de proteção aos trabalhadores, tampouco legislação acidentária, que só começou a vigorar no Brasil a partir de 1919. Hoje em dia, num governo que se diz “dos trabalhadores”, temos a pior e mais omissa legislação previdenciária acidentária, desde a lei 6.367, de 19 de outubro de 1976, em plena ditadura militar. Só “cego” não enxerga, ou como diz o ditado popular: “O pior cego do mundo é aquele que não quer ver” (Graco Medeiros).


  • O CHEFE DA QUADRILHA

     

    QUADRILHA ( * )

    E neste ano, como todo ano, uma vez por ano
    Tem quadrilha no arraial
    E neste ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
    A satisfação é geral
    Não me leve a mal
    Não me leve a mal.

    O forró corria manso, sem problema e sem vexame
    Quando o chefe da quadrilha decretou changer de dame
    A mulher do delegado rendeu o bacharel
    O peão laçou a jovem filha do coronel
    A Terezinha Crediário deu um passo com o vigário
    A beata com o sacristão
    Diz que a senhora do prefeito
    Merecidamente eleito
    Foi com o líder da oposição
    Não tem nada não
    Não tem nada não.

    Zé-com-fome deitou olho na patroa do “seu” Lima
    Que não faz xodó na moça mas também não sai de cima
    Juca largou a sanfona e, abandonando o salão
    Foi prevaricar com a dona que vendia quentão
    E foi doente com doutora, indigente e protetora
    Foi aluna com professor
    E o perigoso bandoleiro, Zé Durango “El Justicero”
    Fez beicinho pro promotor
    Mas, faça o favor!
    Mas, faça o favor!

    O forró estereofônico estava mesmo um barato
    Muita música na praça e muita dança lá no mato
    Quem gozou da brincadeira, muito bom, muito bem
    Quem tomou chá de cadeira, só no ano que vem
    Pois nesse ano, como todo ano, uma vez por ano
    Tem quadrilha no arraial
    E nesse ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
    A satisfação é geral
    Ninguém leva a mal
    Ninguém leva a mal.

     
    Nota do SDV ( * ): música de Francis Hime e Chico Buarque (composta no período de 1975-1976)
    para o filme ‘A Noiva da Cidade’, de Alex Viany. Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=IJLfNS7YjFc


  • “EL LOCO MUJICA”

              José Mujica, presidente do Uruguai.

     

    “Mostra-lhe mais Lisboa rica e vasta,
    E o comércio, e em lugar remoto e escuro,
    Chorando a hipocrisia. Isto lhe basta.

    Fumam ainda nas desertas praias
    Lagos de sangue tépidos e impuros
    Em que ondeiam cadáveres despidos,
    Pasto de corvos. Dura inda nos vales
    O rouco som da irada artilheria.
    Musa, honremos o herói que o povo rude
    Subjugou do Uruguai, e no seu sangue
    Dos decretos reais lavou a afronta.
    Ai, tanto custas, ambição de império!
    E vós por quem o Maranhão pendura” ( * ).

     

        URUGUAI PLANEJA LEGALIZAR VENDA DE MACONHA PARA FREAR CRIMINALIDADE

    EFE (Montevidéu) – O governo do Uruguai planeja legalizar a venda de maconha para evitar que os adolescentes consumam pasta base de cocaína, que é assinalada como a causa do aumento da delinquência juvenil no país.

    Esta é uma das medidas contra a insegurança nas ruas que o Executivo presidido pelo ex-guerrilheiro José Mujica, da esquerdista Frente Ampla (FA), apresentará nesta quarta-feira em entrevista coletiva.

    Fontes do Ministério do Interior explicaram que a iniciativa “requer um projeto de lei que ainda deve ser redigido”.

    Segundo informações da imprensa uruguaia, o governo pretende “estabelecer registros de consumidores” para outorgar-lhes “até 40 cigarros (de maconha) por mês” e a comercialização dessa droga incluirá “um imposto destinado à reabilitação de pessoas viciadas”.

    Como parte do pacote de medidas, o Executivo pretende também estabelecer controles sobre os meios de comunicação para evitar que sejam transmitidas imagens violentas nos noticiários de televisão, acrescentaram as fontes consultadas pela Efe.

    Segundo a emissora “Canal 10”, a proposta governamental pretende que a droga tenha “controles de qualidade garantida”, mas “falta definir a forma e os locais de venda da maconha para seu consumo livre e controlado”.

    O plano tenta na realidade evitar que o consumidor tenha que ir a algum ponto de venda de drogas onde lhe ofereçam também pasta base de cocaína.

    Consultado pela Efe, o deputado governista Víctor Semproni, do Movimento de Participação Popular, partido da coalizão governante ao qual Mujica também pertence, seu grupo é “partidário de pôr a maconha no mesmo nível que o tabaco e o álcool”.

    “Tem que ser industrializada, legalizada e vendida com as devidas advertências”, ressaltou Semproni, que, no entanto, disse desconhecer o conteúdo do projeto.

    O plano foi redigido pelo Gabinete de Segurança, formado por Mujica e seus ministros de Interior, Defesa e Exteriores, com a ajuda de um grupo de especialistas.

    A medida foi questionada pela oposição através do Twitter. Para a deputada do opositor Partido Nacional, Ana Lía Piñeirúa, a legalização “apenas agravaria o consumo de drogas”.

    O líder do Partido Independiente, Pablo Mieres, assinalou que “é preciso estudar o projeto”, embora, em sua opinião, esse plano não tenha “nada a ver” com a insegurança cidadã.

    “O Estado vai vender maconha, ou seja vamos comprar do narcotráfico?”, questionou por sua vez o senador nacionalista Luis Alberto Heber.

    O líder do Partido Colorado, o senador Pedro Bordaberry, não se pronunciou por enquanto.

    Bordaberry impulsionou a coleta de 367 mil assinaturas que foram apresentadas este ano no Parlamento para convocar um referendo com o qual pretende baixar a idade de imputabilidade penal para os 16 anos como medida contra a delinquência juvenil.

    Mujica pronunciou nesta terça-feira uma mensagem à nação na qual instou seus compatriotas a “refletir” sobre a violência que, em sua opinião, “está presente em todos os segmentos” da sociedade.

    O consumo de maconha para uso pessoal é legal no Uruguai e a Frente Ampla já enviou no ano passado ao Parlamento um projeto de lei para descriminalizar seu cultivo.

    No país, de 3,3 milhões de habitantes, existem 150 mil consumidores de maconha, dos quais 60 mil fumam diariamente.

    Segundo um estudo realizado pelas Nações Unidas em 2010, quase um de cada quarto delitos cometidos por adolescentes reclusos em centros de menores no Uruguai estiveram vinculados ao consumo de álcool ou drogas.


    Nota do SDV ( * ): versos extraídos do poema épico “O Uruguai”, do poeta brasileiro Basílio da Gama (1741-1795), escrito em 1769.