• ORA DIREIS…

     

    MINHA ESTRELA

    A minha estrela é matutina
    É vésper no arrebol.
    A minha estrela é o Botafogo
    É seu Mané no Futebol.
    A minha estrela é cangaceira
    Entrincheirada no lençol.
    A minha estrela é maconheira
    Não é Brahma nem Skol.
    A minha estrela é de absinto
    É de Bandeira e Gogol.
    A minha estrela é pequenita
    E trabalha no *Tirol.

    A outra estrela é simulacro
    Arremedo da Texaco
    Sonho que se fez em cacos
    E não toma semancol!


    (GM)


    Nota do SDV ( * ): bairro de Natal / RN.


  • DE COTAS & COCOTAS

    .
    O índio guarani Araju Sepeti é retirado à força do plenário do STF após se manifestar contra a posição do Supremo Tribunal Federal de julgar apenas as cotas para negros.

     

              MOVIMENTO NEGRO CONSIDERA POSITIVA DECISÃO DO STF SOBRE COTAS

    AGÊNCIA BRASIL – Com a decisão unânime do STF (Supremo Tribunal Federal) de validar as cotas raciais nas universidades, o movimento negro quer se preparar para cobrar das instituições de ensino superior a implantação das reservas de vagas.

    De acordo o fundador e coordenador da Educafro, frei Davi, a organização vai procurar fundamentação jurídica para pressionar as universidades. A Educafro é uma instituição que tem o objetivo de realizar a inclusão de negros em instituições públicas e privadas de ensino superior.

    “É impossível fazer política pública sem considerar a especificidade do povo negro”, disse o coordenador.

    O professor Nelson Inocêncio, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (Universidade de Brasília), também defende a cobrança.

    “Não vai agradar a todos (decisão do STF). Não se trata de uma questão afetiva. É primordialmente que a população negra seja respeitada”, explicou o professor.

    Para o docente, as cotas não reduzem as diferenças sociais e econômicas entre negros e brancos, mas possibilita que tal parcela da população chegue a um banco de universidade – coisa que, há alguns anos, era sequer imaginado por muitos negros.

    “É preciso (sistema de cotas) até que a gente faça ajustes na sociedade”, argumentou Inocêncio.

    Com placar de 10 votos a favor e nenhum contrário, os ministros do STF consideraram constitucional o sistema de cotas raciais em universidades públicas e privadas. A decisão não obriga nenhuma instituição a adotar o sistema. Atualmente, não existe lei que torne as cotas obrigatórias.

    O partido Democratas (DEM), autor da ação julgada pela Corte, questionava a legalidade das cotas raciais para ingresso na UnB. Para o DEM, esse tipo de política de ação afirmativa viola diversos preceitos garantidos na Constituição.

    A UnB foi a primeira universidade federal a instituir o sistema de cotas, destinando 20% das vagas do vestibular a candidatos que se autodeclararem negros (pretos e pardos). Desde 2004, 5 mil alunos ingressaram pela reserva de vagas.


  • “MAIS ANGUSTIADO QUE UM GOLEIRO NA HORA DO GOL” (*)

    O papa João Paulo II foi goleiro. O líder revolucionário argentino Ernesto Che Guevara foi goleiro. O presidente potiguar Café Filho, que governou o Brasil após o suicídio de Getúlio Vargas, foi goleiro. O escritor Albert Camus foi goleiro. Sir Artur Conan Doyle, o criador do detetive Sherlock Homes, foi goleiro. O cantor romântico Julio Iglesias também foi goleiro. O ensaísta russo Vladimir Nabokov não foi goleiro. Mas queria muito ter sido, como revelou: “Eu era louco para ser goleiro. Na Rússia e nos países latinos, esta arte altaneira sempre esteve cercada de um halo de fascínio singular. Distante, solitário, impassível, o grande goleiro é seguido nas ruas pela meninada em transe. Rivaliza com o toureiro e os aviadores como objeto de emocionada veneração” (na foto acima, o voo do grande goleiro Pompeia – “O Constellation” – do América do Rio de Janeiro).

    “A Máquina do Tempo”, de Alex Medeiros ( ** ), não é a invenção constante no filme “De Volta Para O Futuro” (1985), de Robert Zemeckis; nem “A Máquina”, apelido dado ao Fluminense de 1976. Tampouco a “Dinamáquina”, a excelente seleção dinamarquesa da primeira fase da Copa do Mundo de 1986 e, posteriormente, a fantástica seleção da Eurocopa no ano de 1992. A “Máquina do Tempo” de Alex, na verdade, tanto poderia ser uma Leonam, uma Singer, uma Vigorelli ou Elgim. Algumas das máquinas de Dona Nenzinha, nome da mãe dele e mãe minha!

     

    GOLEIROS

    Blog de Alex Medeiros / www.alexmedeiros.com.br – Menino, eu fui um meia criativo vestindo camisa e calção com o número 14 de Cruijff; fui atacante imitando os dribles e os trejeitos físicos de Leivinha; improvisei de volante imaginando-me Clodoaldo na Copa 70; e até me escalei como se fosse um Scala.

    Entre os nove e os vinte e poucos anos, minha relação com uma bola de futebol foi sempre mantida com as pernas; nas peladas de rua ou nos colégios, jamais aceitei insinuações de ir para as traves durante a democrática sessão de “tirar” os times.

    Mas ninguém impede que o primeiro contato com a bola, o mais mágico dos brinquedos, não seja feito com as mãos. Mãos que recebem o presente esférico, mãos que rasgam o papel do mimo tão esperado, mãos que giram a bola para a contemplação.

    Com as mãos ajeitei a bola para o primeiro chute aos dois ou três anos, e que me levou ao chão. Com as mãos eu tratei de rabiscar meu nome e desenhos nas superfícies das esferas, como um animal humano a marcar o espaço da sua propriedade lúdica.

    E antes de sair para exibir o talento no barro das ruas, nas areias da praia, no cimento da escola ou nos irregulares gramados dos campinhos do percurso Rocas-Quintas, tive nos cômodos do lar as minhas canteiras, as divisões de base, e alguns dias de goleiro.

    Numa pequena sala, o estreito espaço entre a base de madeira e o pedal de uma máquina de costura Leonam (onde peguei a mania de ler as palavras de trás para frente), meu irmão transformava em trave para as minhas defesas. Depois veio um modelo Elgin.

    Aquela pequenina e quase insignificante experiência no gol ajudou-me a aguçar a percepção de espaço, a relação tempo-espaço entre eu e a bola. Logo deixei a baliza da mãe-costureira e passei a chutar a “Bola Pelé” ou a “Canarinho” em sua direção.

    Com o pé direito, com o esquerdo, a pontaria foi exercitada de modos que até hoje minha perna destra não tem qualquer vantagem sobre a canhota se o assunto é futebol. E nenhuma delas jamais me levou a zombar dos goleiros, nem mesmo os galináceos.

    A partir da máquina de costura de minha mãe, jamais ousei jogar no gol. Marcar gols ou dar assistência foram a minha militância no ludopedismo das ruas, no amadorismo que os meninos do meu tempo viviam, como se cada pelada fosse uma final épica de Copa.

    Fiz gols, vi tantos gols, louvo os gols de ontem e de hoje numa atemporalidade que não cansa. Mas a cada gol assistido e contemplado, sei reverenciar a missão solitária e heróica dos goleiros. Ah, meus amigos, agradeço aos deuses os goleiros que eu vi.

    Eu vi os guarda-metas do humilde futebol potiguar nos tempos de Juvenal Lamartine, vi os baixinhos Ribamar e Erivan parecerem vara-paus alemães em defesas circenses; vi o magricela Dedé fazer pontes impossíveis; vi Bastos transformado em muralha de carne.

    Nas sessões do Canal 100, quando os cinemas tinham as portas para a rua, assistí defesas epopéicas de Castilho, um pegador de pênaltis; vi Gilmar se elevando aos céus e impedindo que ao Santos ocorresse lá atrás o que Pelé e Cia. faziam lá na frente.

    Uma década e meia depois do trauma da geração do meu pai, constatei na tela a grandeza de Barbosa, o maior de todos os goleiros da nossa história. Eu vi Picasso fazer defesas plásticas como se fosse o pintor homônimo em estado de graça tricolor.

    Perguntem por aí aos mais velhos, folheiem os livros e revistas, naveguem nas buscas do Google, do Bing; vejam como Ubirajara garantia o “bicho” do Flamengo, assistam Raul como artista pop cegando os atacantes com o amarelo canário da camisa do Cruzeiro.

    A mítica seleção brasileira do tri tinha três bichos para defender as traves, um gato chamado Félix, um felino maior de nome Leão e um grande leopardo de nome pequeno, Ado, que tantas vezes fechou o gol do Corinthians diante de craques imortais e letais.

    O russo Yashin aparecia no cinema com seu contorcionismo de aranha, e meus olhos testemunharam ao vivo a milagrosa defesa do inglês Banks contra o rei Pelé. Eu tinha o uruguaio Mazurkiewicz como titular da minha seleção de caixinhas de fósforo.

    Eu vi jogar Hélio Show, Valdir Appel, Wendell, Mazzaropi, Andrada, Dino Zoff, Mayer, Preud’homme, Taffarel. E reverencio cada um dos atuais neste dia dedicado aos anjos solitários a quem os deuses determinaram tão difícil e ingrata missão.

    Acho que o terreno descascado dos goleiros, onde dizem não nascer grama, é só um ponto a distinguir do verde, para que os deuses olhem melhor para eles. Contemplo seus feitos com a ternura de quem rever um menino pegando bolas na máquina de costura da mãe.

     

    Nota do SDV ( * ): verso de “Divina Comédia Humana”, música de Belchior.
    ( ** ) Alex Medeiros é jornalista, escritor e publicitário. Mora em Natal (RN) e é também meu ‘irmão mais moço’.


  • POVO ARRETADO (*)

                                          Dinheiro para ser “lavado?”

              A violência expressa no “meio circulante”.

     
          
                   UMA EM CADA TRÊS NOTAS DE R$ 2 E R$ 5 ESTÁ DANIFICADA, DIZ BC

    REUTERS (São Paulo) – O Banco Central identificou que 30% das notas de R$ 2 e R$ 5 estão tão danificadas que não poderiam estar em circulação.

    Em pesquisa divulgada nesta segunda-feira sobre a qualidade do dinheiro, a autoridade monetária revelou ainda que 15% das notas de R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100 apresentam o mesmo nível de descaracterização, como riscos, furos, fitas adesivas, e outros problemas, e deveriam ser tiradas de circulação.

    “Este desgaste precoce se deve geralmente ao descuido no manuseio das notas ou até mesmo dano intencional”, informou o BC em nota.

    A orientação do BC é que as pessoas em posse dessas notas depositem em algum banco para viabilizar o recolhimento para destruição e troca por cédulas novas.

    DURABILIDADE

    As cédulas de real com maior valor duram mais que o dobro do que as notas de até R$ 20. As notas de R$ 50 e R$ 100 têm vida útil média de 37 meses, enquanto que as notas de R$ 2, R$ 5, R$ 10 e R$ 20 apresentam durabilidade de 14 meses, em média.

    O levantamento levou em conta todas as cédulas em circulação, ou seja, as duas famílias do real.

    De acordo com o levantamento inédito, 27% das moedas emitidas desde o lançamento do Plano Real estão fora de circulação. “Por ano, deixam de circular 7% de moedas de R$ 0,01 e 3% das moedas de R$ 1”, informou o BC, explicando que esse dado deve-se à perda de moedas de baixo valor pela população e armazenamento prolongado.

    O levantamento foi realizado entre dezembro de 2011 e janeiro de 2012, com 2.013 entrevistas dirigidas à população, ao comércio e aos prestadores de serviços em todo país.

     

    Nota do SDV ( * ): expressão proferida por Paul McCartney no show de Recife, dia 21/04/2012, no Estádio do Arruda.


  • A BRUXA DE BLAIR NO SUL DA BAHIA…

    Cenas do filme “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project), de 1999. Com direção de Daniel Myrick, o filme (trash-suspense) narra a história de jovens que se perdem na floresta de Black Hills, no estado americano de Maryland (USA).

     


          BUSCAS POR UNIVERSITÁRIOS DESAPARECIDOS CONTINUAM NO SUL DA BAHIA

    Correio da Bahia – Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (SSP-ES) continua realizando buscas pelos jovens desaparecidos no Sul da Bahia, de acordo com informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (SSP-ES).

    Na manhã desta terça-feira (24), o órgão chegou a afirmar que um carro semelhante ao dos universitários teria sido encontrado na BR-418, na Bahia, com cinco vítimas fatais, mas a informação foi desmentida pelo delegado Danilo Bahiense, que sobrevoou a região e não localizou o suposto veículo, de acordo com informações da TV Globo. O carro, segundo a assessoria da SSP-ES teria despencado em uma região montanhosa de difícil acesso.

    A polícia foi deslocada para a região para verificar se os supostos corpos encontrados eram dos cinco universitários do Espírito Santo que estavam desaparecidos. O delegado Danilo Bahiense, do Espírito Santo, foi enviado ao local e não encontrou nenhum tipo de veículo em situação de acidente.

    Izadora Ribeiro, Marllonn Amaral, Amanda Oliveira, Rosaflor Oliveira e André Galão viajavam em um carro modelo Punto, placa ODC-6985, para comemorar o aniversário da mãe de Izadora, que mora em Prado. Até na manhã desta quarta-feira (24), eles não haviam sido encontrados.

    Segundo o delegado Walter Barcelos, os celulares dos cinco jovens pararam de funcionar quase simultaneamente. “Eles saíram do Espírito Santo por volta das 19h e, por volta das 21h, os celulares apagaram ao mesmo tempo perto do município de Pedro Canário, na divisa com a Bahia”, disse o delegado ao CORREIO. A viagem deveria durar aproximadamente três horas.

    Com a demora dos jovens, os pais da Izadora fizeram o trajeto contrário da viagem à procura de acidente. Como não encontraram, procuraram a polícia em São Mateus para informar o desaparecimento. “Se eles fossem mudar o trajeto iriam avisar a gente”, disse Doralize Ribeiro, mãe de Izadora.


  • GATOS & RATOS

    Homenagem a Ringo, ‘ma non troppo’: não estava previsto no set list de Sir Paul McCartney, no show realizado em Recife no dia 21 de abril, mas alguém na plateia gritou “Ringo”, após homenagens prestadas por Macca a Lennon e a George. Paul ouviu e respondeu “Yehhh, Ringo”. Logo em seguida ele puxou “Yellow Submarine” e a plateia cantou junto. Quiçá a ‘desatenção’ de Paul não esteja relacionada aos comentários abaixo feitos por Ringo em 2011? Na época, Ringo teve a cabeça decapitada por fãs furiosos no jardim localizado em frente à estação de Garston em Liverpool (foto), berço dos Fab Four.

     

                                RINGO ‘PERDE A CABEÇA’ DEPOIS DE CRITICAR PAUL

    DESTAK JORNAL – Bastou uma frase infeliz em meio a uma entrevista para que Ringo Starr, ex-baterista dos Beatles, despertasse a ira dos fãs de sua ex-banda, que arrancaram sua cabeça em uma escultura do quarteto feita em arbustos em Liverpool. Em entrevista publicada pelo Daily Mail, Ringo criticou Paul McCartney. “Nós somos os únicos Beatles vivos, embora ele goste de acreditar que é o único”, afirmou o baterista.

    Não foi a primeira vez que Ringo se perdeu durante entrevista. O músico já havia dito que não sente saudade de nada em Liverpool, cidade natal do baterista e dos Beatles. Ringo tem casas na Inglaterra, em Monte Carlo e também em Los Angeles. Depois, o músico lamentou a declaração. “Peço desculpas a quem se sentiu ofendido, desde que sejam pessoas que vivam em Liverpool, e não fora”, afirmou.

    Apesar da crítica a Paul, Ringo disse, na mesma entrevista, que os dois são amigos. “Se estamos na mesma cidade, estamos juntos.”


  • PRA SEU GOVERNO!

     


    BATIDA DA POLÍCIA ( * )

    Documento, vagabundo.
    Todo mundo de costas
    Com a cara pra parede!

    Blitz no bairro operário
    Às 23 horas em ponto
    (após o segundo turno).

    Em flagrante delito bem sucedido
    O policial mostra, aos urros
    O material confiscado
    No bornal do proletário
    Amontoado em cena incrível:

    Uma marmita vazia
    Meia carteira de ‘Arizona’
    Uma chiaba apagada
    E uns versos mal traçados
    Num papel de fibra horrível.

    Além disso
    Um macacão desbotado
    Fedorento a óleo diesel.

     
    Vila Nossa Senhora da Luz – Curitiba /1980.


    (GM)

     

    Nota do SDV ( * ): poema do meu livro não recomendável “Poemas do Céu da Boca na Boca da Noite Suja” (1982) e também publicado na “Antologia Poética Potiguar”, organizada por J. Medeiros em 1997.


  • A VIAGEM DE DAILOR

    Pôr do sol no rio Potengi visto do cais da rua Tavares de Lira, bairro da Ribeira (Natal/RN) – Foto de Sandro Fortunato.

                    O poeta Dailor Varela (1945 – 2012) – Foto do blog Carta Potiguar.

     

    Lembro de Dailor Varela numa manhã de sol, no início dos anos setenta, numa travessia de lancha para a praia da Redinha partindo do cais da rua Tavares de Lira, na Ribeira.

    Eu, completamente absorto na instigante lombra de quem vinha no rolé das bandas de Brasília Teimosa, lá da ‘Boca de Cabo Hermes’, viajava perto da proa vendo o singrar da quilha do barco rasgando o véu de Iemanjá na lâmina d’água do Potengi de tantas memórias. Dailor, com quem eu tinha apenas um conhecimento amistoso, seguia impassível na popa da embarcação lendo um livro de algum autor que não cheguei a identificar.

    De repente, eis que surge, na boca da barra, a corveta ‘Ipiranga’ da Marinha de Guerra do Brasil fazendo ondas mil…

    Cortando o meu barato, tratei logo de me garantir equilibrado na proa e vi todo mundo ‘se segurando’, a lancha pulando as marolas e Dailor lá, completamente zen, olhando calmo e sorridente para a cena com o livro na mão marcado entre os dedos.

    Foi a derradeira imagem que guardei do poeta na cidade dos reis ( * ) e do esquecimento. Mas eu lembro!

     
    (GM)


    Nota do SDV ( * ): título de livro do jornalista e escritor potiguar Carlos de Souza.


  • A FRESCURAGEM DO POLITICAMENTE CORRETO

    Uma foto feita dia 15 de abril tem causado controvérsia na Suécia. Na ocasião, a ministra da Cultura do país, Lena Adelsohn-Liljeroth, oferece sorrindo pedaços da “genitália” de um bolo no formato de uma africana. Criador da ideia, o artista Makode Linde (que é a “cabeça” do doce) grita quando pedaços são cortados. A ministra agora é acusada de racismo e pressionada a renunciar (UOL).

    O brasileiríssimo bolo caseiro ‘Pé de Moleque’.

    O pernambuquíssimo doce de banana açucarado ‘Nego Bom’. Imagine se alguém achar o ‘nego ruim’…

     

      MINISTRA DA CULTURA SUECA É ALVO DE CRÍTICAS APÓS CORTAR ‘BOLO RACISTA’

    G1.GLOBO.COM – A ministra da Cultura da Suécia sofreu sérias críticas nesta quarta-feira (18) após ter sido fotografada cortando o que foi chamado de um “bolo racista”, feito com o formato de uma mulher de tribo nativa africana.

    Críticos pediram a renúncia de Lena Adelsohn Liljeroth após o episódio, que eles desceveram como um “espetáculo racista”, segundo a reportagem do “Daily Mail”.

    Liljeroth participava de um evento no Museu de Arte Moderna de Estocolmo quando foi convidada a cortar o bolo, que tinha o formato de uma mulher africana nua.

    O próprio artista e cozinheiro que produziu o doce pintou a face para se incorporar ao bolo, assumindo o lugar da cabeça no corpo e “gritando de dor” quando era cortado e servido (veja o vídeo). A massa do bolo era de cor vermelha, lembrando a tonalidade da carne humana.

    Makode Linde disse que sua obra, feita para dar destaque à questão da mutilação genital em tribos africanas, foi mal interpretada.


  • DIET, LIGHT E MACRÔ

                    “Saturno devorando seus filhos”, de Goya

     

              SUSPEITA DE CANIBALISMO DIZ QUE COMEU O FÍGADO E NÃO O CORAÇÃO

    FOLHA.com (São Paulo) – Um vídeo gravado mostra Isabel Cristina da Silva, uma das acusadas de matar, esquartejar e comer ao menos cinco pessoas em Pernambuco, descrevendo como fazia os assassinatos e o preparo de salgadinhos de carne humana.

    Isabel revela que eles comeram10 kgde carne humana entre três e cinco dias. “Bruna faz dieta, mas quando ela come carne como mesmo. Agora, eu já gosto mais de arroz e não como muita carne. Essa carne só durou pouco por causa da Bruna e da menina porque elas gostam muito de carne. A menina não sabia, ela pensava que era carne comum”.

    “Eu não comi muito a carne porque não sou de comer muito. Eu comi o fígado e alguns pedaços do corpo, mas não comi o coração”, diz Izabel.

    Isabel é casada com Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, 51. O casal vivia com a amante dele, Bruna Cristina Oliveira da Silva, 25.

    Os três são suspeitos de matar, esquartejar e comer pedaços dos corpos de pelo menos três mulheres nas cidades de Olinda e Garanhuns.

    CANIBALISMO

    Uma menina de 5 anos morava com eles. A polícia diz que ela é filha de Jéssica, morta por eles em 2008, em Olinda, quando tinha 17 anos.

    Pedaços dos corpos das mulheres assassinadas por membros de uma seita em Garanhuns (234 kmde Recife) eram utilizados para rechear salgados vendidos por uma das suspeitas, diz a Polícia Civil.

    De acordo com o comissário da Delegacia de Garanhuns, Demócrito de Oliveira, a comerciante ambulante Isabel Cristina Oliveira da Silva, 51, confessou em seu depoimento que fazia e vendia pastéis e empadas nas ruas da cidade com se fossem salgados de carne bovina.

    A morte de Jéssica é contada em detalhes no livro “Revelações de um esquizofrênico”, escrito por Jorge em 2009 e registrado em cartório em 28 de março deste ano.

    No livro, a amante de Jorge, Bruna, aparece com o nome de Jéssica, porque usava a identidade da vítima.

    “Ao olhar para o corpo já sem vida da adolescente do mal, sinto um alívio. Pego uma lâmina e começo a retirar toda a sua pele, e logo depois a divido. Eu, Bel e Jéssica nos alimentamos com a carne do mal, como se fosse um ritual de purificação, e o resto eu enterro no nosso quintal”, diz um trecho.

    Em entrevista à TV Jornal, de Pernambuco, Jorge Negromonte da Silveira, 51, admitiu ter matado as três vítimas, mas se recusou a chamar a atitude de assassinato. “Eu digo que foi missão porque nenhuma folha cai sem a permissão do grande Deus. Todas essas pessoas estão purificadas. Todas estão com Deus e purificadas”, disse Silveira, atrás das grades.

    Ele disse à TV que as vítimas eram escolhidas por dois seres que ele chamou de arcanjo e querubim. “Nessas duas últimas missões, quem me ajudou foram as duas pessoas, duas crianças ainda, um branco e um negro, que desde cedo estão na minha vida e que passam todas essas informações para mim”.

    Jorge afirmou não ter religião e disse que comia a carne das vítimas para completar o ritual de purificação.

    De acordo com ele, sua mulher, Isabel Cristina Torreão Pires da Silveira, 51, era quem atraía as vítimas. “Ela começava a mostrar filmes bons. No momento, a pessoa ia melhorando. Depois que conversava, a gente via que a hora tava certa pelas quantidades de palavras boas e palavras ruins que ela falava”.

    O suspeito de matar as mulheres disse não recordar o que usava para esquartejá-las, mas afirmou que não havia tortura. “Ela (a vítima), antes (de ser morta), chorava e falava alguma coisa, e eu dizia: seus pecados estão perdoados”.