• JOGADOR MESSIÂNICO

    messianico

     

    NEYMAR VENCE DISPUTA COM CHILENO E É ELEITO O REI DA AMÉRICA; GANSO FICA EM 3º LUGAR

    AFP (Montevidéu) – O jovem craque brasileiro Neymar, estrela do Santos, foi eleito o Rei da América, isto é, o melhor jogador do continente sul-americano, na pesquisa anual do jornal uruguaio El País, que também apontou o uruguaio Oscar Tabárez, treinador da seleção de seu país, como o melhor técnico do continente.

    No total, 247 jornalistas de 19 países participaram da eleição entre os meses de novembro e dezembro, e Neymar superou o chileno Eduardo Vargas (Universidad de Chile) na sondagem por 60 votos de diferença. Com 130 votos, o brasileiro bateu o recorde que era do argentino Juan Sebastián Verón, campeão em 2009 com 109. Outro santista, Paulo Henrique Ganso, ficou em terceiro lugar com 33.

    Oscar Tabárez, que comandou o Uruguai no título da Copa América, derrotou o argentino Jorge Sampaoli, técnico campeão da Copa Sul-Americana com a Universidad de Chile.

    “Neymar teve um ano brilhante, conquistando a Copa Libertadores com o Santos e jogando um futebol que assombrou o mundo e que lhe abriu as portas das melhores equipes, que se matam para contratá-lo”, afirma o site do jornal.

    O atacante de 19 anos conquistou a Libertadores e o Campeonato Paulista, dos quais foi eleito o melhor jogador, e ainda venceu o Sul-Americano sub-20 com a seleção brasileira. Ele foi o quinto brasileiro a ficar com o título de Rei da América, depois de Bebeto (1989), Raí (1992), Cafu (1994) e Romário (2000).

    Na pesquisa entre jogadores que atuam no futebol europeu, o argentino Lionel Messi (Barcelona) venceu pela terceira vez seguida. O técnico do Barça, Josep Guardiola, foi escolhido o melhor treinador.


  • QUEM PODE PODIUM

    ano novo2

     

    Se ganhou bronze
    Não perca a pose
    Chute dois mil e onze
    E viva dois mil e doze.


    (GM)
     

  • O REVEILLON DE DRUMMOND

    drummond3          Estátua de Carlos Drummond de Andrade na praia de Copacabana / RJ

     

    Procuro uma alegria
    uma mala vazia
    do final de ano
    e eis que tenho na mão
    – flor do cotidiano –
    o vôo de um pássaro
    e de uma canção.


    Carlos Drummond de Andrade
    (da série Poemas de Dezembro – 1968)

     

    Nota do SDV: Poema revelado por Lázaro Barreto, autor mineiro que mandou para Carlos Drummond de Andrade um exemplar do livro “Contos do Apocalipse Clube”. Sensibilizado pela situação do conterrâneo, que à época residia na cidadezinha mineira de Marilândia, Drummond comentou o livro de autoria de Barreto e estabeleceu, a partir daí, uma troca de correspondências com o escritor iniciante que durou mais de 20 anos. Os dois jamais se conheceram pessoalmente, mas o poeta nunca deixou de remeter suas opiniões sobre os escritos de Barreto e, principalmente, de enviar alguns poemas que permaneceram inéditos até há pouco tempo. Contudo, diversos exegetas drummonianos conservam certas desconfianças de alguns poemas atribuídos a ele. Afinal, o poeta de Itabira é um dos autores cuja obra é difundida de forma mais apócrifa na internet.


  • DOS COMERCIANTES E DOS INDUSTRIAIS “ECOCORRETOS”

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                 PAULISTANOS TERÃO DE VIVER SEM SACOLINHAS A PARTIR DE JANEIRO

    FOLHA.com / Toni Sciarretta (São Paulo) – Com ou sem lei (que está suspensa), São Paulo vai banir as sacolinhas plásticas a partir de 25 de janeiro.

    No lugar, o consumidor terá de se virar com ecobags retornáveis, caixas de papelão, carrinhos de feira ou sacolas biodegradáveis de amido de milho, vendidas a R$ 0,19.

    Apesar de a eficácia da medida dividir ambientalistas (falta infraestrutura para decompor as tais sacolas biodegradáveis), as redes varejistas, o governo e a Prefeitura de São Paulo juntaram forças para vencer as resistências – a reação inicial do consumidor foi ruim nas pioneiras Jundiaí e Belo Horizonte.

    Os consumidores reclamavam de pagar R$ 0,19 por algo que recebiam de graça, explodiu o consumo de sacos de lixo e houve bate-boca de quem não tinha como carregar as compras – principal argumento para derrubar na Justiça leis como a de São Paulo.

    Nos próximos dias, começa a campanha com propaganda na TV e sacolas retornáveis gigantes afixadas nas ruas (terá uma na avenida Paulista, região central).

    Os supermercados compraram mais de 100 milhões de sacolinhas biodegradáveis e reforçaram as encomendas das retornáveis duráveis – novo negócio até para grifes como Osklen e Cavalera.

    A ideia é que o consumidor substitua o plástico não pela similar biodegradável, mas pela durável. Em Jundiaí, somente 5% do consumo “ressurgiu” nas biodegradáveis.

    O fim dos plásticos motiva grito geral da indústria, que fatura R$ 1,1 bilhão e ameaça demitir 6.000 pessoas. Provoca “guerra de laudos” de diferentes tecnologias verdes, que tentam demonstrar emissão menor de CO2.

    A sacolinha plástica entope bueiro, polui mananciais e vai parar no estômago de peixes nos seus mais de cem anos de vida. Com a biodegradável ocorre a mesma coisa, só que por até dois anos – em usina de compostagem (há somente 300 no país), são seis meses.

    De cara, os supermercados vão economizar R$ 72 milhões mensais – valor dos 2,4 bilhões de sacos gratuitos.

    Segundo João Sanzovo, diretor da Apas (Associação Paulista de Supermercado), a economia é desprezível perto dos gastos com propaganda, educação, coleta seletiva e treinamento de equipes.

    “A sacolinha é uma comodidade para o supermercado. O fato de não ter uma indústria de compostagem não tira o mérito dessa iniciativa, que vai puxar outras.”

    Unilever e Procter investem em produtos como detergentes concentrados, que usam menos água e precisam de frascos menores. Os alimentos tendem a vir em embalagens com menos papel.

    Para atender a indústria, a Braskem criou um plástico verde, a partir da cana, e emite menos carbono. Esse plástico será usado nas ecobags retornáveis.


  • “OBA, OBA… TODO MUNDO DE MÃOZINHA PRA CIMA!”

    chimbinha                                      Sai pra lá, “slowhand!” É nóis na parada, gringo!…

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           REINO UNIDO PERDE POSIÇÃO PARA O BRASIL E DEIXA INGLESES SURPRESOS

    UOL / Luiz Felipe de Alencastro – A notícia havia sido anunciada semanas atrás em relatórios e colunas especializadas, mas sua publicação recente no diário londrino “The Guardian” deu-lhe um destaque muito mais amplo: a economia brasileira superou a do Reino Unido e se tornou a sexta do mundo. Como observaram vários analistas brasileiros e estrangeiros, a classificação não esconde o fato de que a renda per capita e a qualidade de vida dos britânicos são muito melhores que a dos brasileiros.

    Não obstante, a notícia tem um significado especial para os britânicos. Como é sabido, os graves problemas econômicos e sociais que afetam o Reino Unido e quase toda a União Europeia geram uma crise de identidade nacional na maioria desses países. É verdade que a Europa mudou sua configuração política várias vezes e conheceu muito mais transformações que as Américas no último século.

    Durante a Segunda Guerra Mundial, os dois grandes líderes da democracia europeia, Churchill e De Gaulle, ligavam estreitamente o destino de seus respectivos países à continuidade de seus domínios ultramarinos. Para eles, as democracias britânica e  francesa não eram incompatíveis com a opressão colonial exercida sobre os povos africanos e asiáticos. Tornada inevitável pelas revoltas independentistas e pela pressão internacional, a descolonização levou os dois países a se reorganizarem de maneira distinta. Enquanto a França, junto com a Alemanha, centrava seus esforços na construção da União Europeia (UE), o Reino Unido mantinha-se ao largo, aderindo parcial e tardiamente às novas instituições continentais em 1973, mas recusando-se a compartilhar o euro em 2002.

    A crise que afeta a moeda única resolveu boa parte do mal-entendido. Afastando-se do acordo para restaurar a unidade europeia e o euro – que os outros 26 países da UE selaram no dia 9 de dezembro em Bruxelas -, o Reino Unido demonstrou cabalmente que tem pouco a ver com seus vizinhos. No seu editorial do dia 10 de dezembro, intitulado “A Grã-Bretanha está mais insular do que nunca”, o jornal parisiense “Le Monde”, alegando que os britânicos só se interessavam por uma união alfandegária com países europeus e que eles eram hostis ao aprofundamento da União Europeia, aceitou a ruptura com Londres e sentenciou “Não há o que lamentar pelo que se passou em Bruxelas. Esclareceu-se uma ambiguidade”.

    Sucede que o afastamento do resto da Europa também gerou dúvidas no Reino Unido e, em particular, entre alguns membros do governo de David Cameron. Outras dúvidas, desta vez ligadas ao perfil multicultural da sociedade britânica, haviam surgindo no mês de agosto, quando tumultos e saques nos subúrbios multiétnicos impressionaram a opinião pública inglesa e europeia. Na ocasião, o “Guardian” denunciou “o fracasso da política e da solidariedade social” dos sucessivos governos britânicos.

    Neste contexto de questionamentos internos e europeus, a notícia da superação da economia britânica pela economia brasileira causou certa perplexidade no Reino Unido. Afinal, os países que têm as cinco primeiras economias do mundo – Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França – quase sempre estiveram no topo e três dentre eles têm cadeira cativa no Conselho de Segurança da ONU ao lado do Reino Unido e da Rússia.

    Numa declaração ao jornal “The Financial Express”, Peter Slowe, ex-conselheiro econômico do governo trabalhista de Tony Blair, achou uma explicação para justificar a ascensão brasileira: “O Brasil tem uma variedade de recursos naturais, incluindo ouro e prata e também petróleo na plataforma submarina e minerais na Amazônia. Ao passo que a economia britânica está afetada pelos problemas da zona euro”.

    Nas vantagens do Brasil, há metais preciosos de mais (a produção brasileira de prata ocupa apenas o 35° lugar no mundo) e agronegócios de menos. Mais interessante é a opinião de Slowe sobre os problemas ingleses. Para ele, o país atravessa dificuldades por causa da recessão na zona euro. Ou seja, o Reino Unido não quer nada com a União Europeia e o euro, mas tem que torcer para eles darem certo.


  • DAS VACAS DE SHIVA

    indianaGoogle imagens – Indiana amamenta bezerro.

     

             ÍNDIA CONTESTA CONTEÚDO DO FACEBOOK E GOOGLE, DIZ IMPRENSA LOCAL

    Reuters (Déli) – Dois tribunais indianos pediram às empresas norte-americanas Facebook, Google, Yahoo e outras companhias de Internet que retirem material considerado ofensivo do ponto de vista religioso, na última disputa de uma crescente batalha sobre conteúdo de Internet na maior democracia do mundo.

    Um tribunal de Déli convocou nesta sexta-feira 19 empresas para comparecem a julgamento por delitos cometidos na distribuição de material obsceno para menores, após difundirem imagens ofensivas aos hindus, muçulmanos e cristãos, segundo a agência de notícias PTI.

    “Os acusados, coniventes entre eles e com outras pessoas desconhecidas, estão vendendo, exibindo publicamente e colocando em circulação conteúdo obsceno e lascivo”, afirmou o magistrado Sudesh Kumar, segundo a imprensa local.

    Em geral, a Índia oferece acesso à Internet sem restrições para as pessoas, entre seus 1,2 bilhão de habitantes, que podem pagar pelo uso.

    Até agora, só uma décima parte da população se conecta à Internet, mas o número cresce com rapidez na sociedade conservadora e religiosa da Índia, e, como consequência, aumenta os temores sobre a natureza do conteúdo em circulação.

    Nesta semana, outro tribunal de Déli exigiu a remoção de fotografias, vídeos e textos que podem prejudicar sensibilidades religiosas.


  • RUBEM BRAGA DE PRESENTE NUMA NOITE DE NATAL

    presepio3

     


    CONTO DE NATAL
    (Rubem Braga)


    Sem dizer uma palavra, o homem deixou a estrada, andou alguns metros no pasto e se deteve um instante diante da cerca de arame farpado. A mulher seguiu-o sem compreender, puxando pela mão o menino de seis anos.

    – Que é?

    O homem apontou uma árvore do outro lado da cerca. Curvou-se, afastou dois fios de arame e passou. O menino preferiu passar deitado, mas uma ponta de arame o segurou pela camisa. O pai agachou-se zangado:

    – Porcaria…

    Tirou o espinho de arame da camisinha de algodão e o moleque escorregou para o outro lado. Agora era preciso passar a mulher. O homem olhou-a um momento do outro lado da cerca e procurou depois com os olhos um lugar em que houvesse um arame arrebentado ou dois fios mais afastados.

    – Péra aí…

    Andou para um lado e outro e afinal chamou a mulher. Ela foi devagar, o suor correndo pela cara mulata, os passos lerdos sob a enorme barriga de 8 ou 9 meses.

    – Vamos ver aqui…

    Com esforço ele afrouxou o arame do meio e puxou-o para cima.

    Com o dedo grande do pé fez descer bastante o de baixo.

    Ela curvou-se e fez um esforço para erguer a perna direita e passá-la para o outro lado da cerca. Mas caiu sentada num torrão de cupim!

    – Mulher!

    Passando os braços para o outro lado da cerca o homem ajudou-a a levantar-se. Depois passou a mão pela testa e pelo cabelo empapado de suor.

    – Péra aí…

    Arranjou afinal um lugar melhor, e a mulher passou de quatro, com dificuldade. Caminharam até a árvore, a única que havia no pasto, e sentaram-se no chão, à sombra, calados.

    O sol ardia sobre o pasto maltratado e secava os lameirões da estrada torta. O calor abafava, e não havia nem um sopro de brisa para mexer uma folha.

    De tardinha seguiram caminho, e ele calculou que deviam faltar umas duas léguas e meia para a fazenda da Boa Vista quando ela disse que não agüentava mais andar. E pensou em voltar até o sítio de “seu” Anacleto.

    – Não…

    Ficaram parados os três, sem saber o que fazer, quando começaram a cair uns pingos grossos de chuva. O menino choramingava.

    – Eh, mulher…

    Ela não podia andar e passava a mão pela barriga enorme. Ouviram então o guincho de um carro de bois.

    – Oh, graças a Deus…

    Às 7 horas da noite, chegaram com os trapos encharcados de chuva a uma fazendinha. O temporal pegou-os na estrada e entre os trovões e relâmpagos a mulher dava gritos de dor.

    – Vai ser hoje, Faustino, Deus me acuda, vai ser hoje.

    O carreiro morava numa casinha de sapé, do outro lado da várzea. A casa do fazendeiro estava fechada, pois o capitão tinha ido para a cidade há dois dias.

    – Eu acho que o jeito…

    O carreiro apontou a estrebaria. A pequena família se arranjou lá de qualquer jeito junto de uma vaca e um burro.

    No dia seguinte de manhã o carreiro voltou. Disse que tinha ido pedir uma ajuda de noite na casa de “siá” Tomásia, mas “siá” Tomásia tinha ido à festa na Fazenda de Santo Antônio. E ele não tinha nem querosene para uma lamparina, mesmo se tivesse não sabia ajudar nada. Trazia quatro broas velhas e uma lata com café.

    Faustino agradeceu a boa-vontade. O menino tinha nascido. O carreiro deu uma espiada, mas não se via nem a cara do bichinho que estava embrulhado nuns trapos sobre um monte de capim cortado, ao lado da mãe adormecida.

    – Eu de lá ouvi os gritos. Ô Natal desgraçado!

    – Natal?

    Com a pergunta de Faustino a mulher acordou.

    – Olhe, mulher, hoje é dia de Natal. Eu nem me lembrava…

    Ela fez um sinal com a cabeça: sabia. Faustino de repente riu. Há muitos dias não ria, desde que tivera a questão com o Coronel Desidério que acabara mandando embora ele e mais dois colonos. Riu muito, mostrando os dentes pretos de fumo:

    – Eh, mulher, então “vâmo” botar o nome de Jesus Cristo!

    A mulher não achou graça. Fez uma careta e penosamente voltou a cabeça para um lado, cerrando os olhos. O menino de seis anos tentava comer a broa dura e estava mexendo no embrulho de trapos:

    – Eh, pai, vem vê…

    – Uai! Péra aí…

    O menino Jesus Cristo estava morto.


    Nota do SDV ( * ): Texto extraído do livro “Nós e o Natal”, Artes Gráficas Gomes de Souza – Rio de Janeiro, 1964, pág. 39, postado no
    www.releituras.com


  • UM OLHAR CRÔNICO SOBRE O NATAL

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                                                         A CRÔNICA DE NATAL

    BBC BRASIL / Ivan Lessa – Na verdade ela, a crônica de Natal, é um apetrecho que faz parte dessas comemorações de fim de ano. Todo cronista brasileiro, gente classuda e cheia de manha, quando os havia, tinha a sua engatilhada.

    Era sempre a pior crônica do ano, não importa se você se chamasse Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Antônio Maria, Drummond ou Clarice Lispector.

    Um dia vagabundo em que nada acontecia e eles, os cronistas, davam um banho, alguns à fantasia. O gato (nunca se deve dizer seu verdadeiro nome) comeu todos.

    Hoje, que se tem três ou quatro, já é muito. Bloga-se. Blogam-se os blogs de Natal. E tome sino. Um bimbalhar de ensurdecer frade de pedra. Blim-blom, blim-blom.

    A rigor, estas linhas, que digito por mero cacoete ou hábito, talvez não passem de uma (i)vã tentativa de manter uma vela de verdade acesa na matéria barata que virou tudo – árvore, enfeite, presépio, presentes.

    Talvez não seja mais que uma vontade de jogar areia na presepada (a falta de graça e imaginação no jogo de palavras é culpa da estação) que reina ao menos no mundo cristão.

    Estar no Afeganistão ou no Iraque pacificado pelo Obama (ser irônico é um condimento da época) é, seguramente, menos nocivo à saúde física e mental do que leitão, presunto, peru ou presente eletrônico.

    Jogar areia no sentido de que, a rigor, ela, a “crônica de Natal” deveria “estar indo para o ar” (a falada “nuvem”?) na sexta, dia 23, para pegar a enxurrada de feriados, feriadinhos e feriadões que deverão se seguir.

    Agora, vida mesmo, dessas danadas de chatas, essa só depois do dia 2 de janeiro de 2012. E olha lá, para quem vive no Reino Unido será ano de Jogos Olímpicos, conforme todos os noticiários de televisão insistem em lembrarem o tedioso tema todos os dias em todas as horas por pelo menos cinco minutos.

    Eu me perdi. Deve ter sido a gemada reforçada com vinho do Porto que tomo sozinho como um personagem rabugento de Dickens.

    Ah, sim. Por que mandar a “crônica de Natal” antes do dia adequado? Porque tudo indica que não terei forças dentro de 48 horas.

    Comecei a me perder, a me desorientar, na segunda-feira, quando taquei serenamente, neste cantinho que me cabe, que o Sol nascia a oeste.

    Deve estar nascendo assim ao menos para mim. Os duendes que auxiliam Papai Noel entortaram e, desde o começo da semana, deram para botar para quebrar aqui em casa. Literalmente.

    A televisão transformou 12 canais digitais em expressionismos abstratos mudos como esse filme, O Silêncio, de que tanto falam.

    A cortina de meu quarto quebrou e recusa-se a abrir, roubando-me do ralo sol de dezembro que banha por uma ou duas horas o aposento a que chamo, sem ironia ou vergonha, de quarto/escritório, que, agora, como minha vida interior, anda às escuras.

    Três lâmpadas direcionais de 40w iluminam minha cela, tal como chamo isso que sobrou de minha vida, quando nela cumpro parte de minha sentença (esbanjamento ilegal de joie de vivre antes do tempo, disseram os juízes, meus algozes).

    O resto da casa também trama contra mim. A pequena e outrora fiel árvore de Natal de plástico, com seus enfeites bobocas, virou na mesinha da sala, deu curto e eu tive de me virar também, descurtificando sem fôlego o desastre diante do espanto e medo da gata, que já não é, como eu, broto.

    Olhamo-nos, mudos como o “falado” filme que citei acima, para ver quem envelhece mais e morre primeiro.

    Continuando: o banco errou no pagamento de algumas contas. Uma tarde perdida conversando com gravações que, como o resto do mundo, só sabia me deixar aguardando impotente em hold. É, estou em hold há uns bons 20 anos.

    A vizinha de cima bateu na minha porta, muito educada (trabalha na City, e é ruiva natural, porem feiosa), para me avisar que, na noite de sexta-feira, vai dar uma recepção e que iria procurar bimbalhar o mais baixo possível. Duvi-de-o-dó.

    Agora, é sentar na poltrona que me detesta e eu a ela e, juntos, esperarmos a tempestade declarar missão cumprida, como um Iraque pacificado desde a época do George W. Bush, e aguardar até que o sistema de aquecimento dê o prego.

    Em geral, quando essas coisas batem, batem com força e para valer. Fico, com a gata a me espionar, a tentar ribombar e não bimbalhar. Acabo sendo ribombado e bimbalhado por força das circunstâncias e contra minha vontade. Claro.


  • ABERTA TEMPORADA DE CAÇA A NOEL E SUAS RENAS

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    FODA-SE O NATAL

    Psicopataenrustido.blogspot.com / Postado por Zebedeu (22 de Dezembro de 2005) – Doutor, chega novamente a época dos clichês. Do velho obeso barbudo e pedófilo cercado de duendes-zumbis e viadinhos resfriados. Dos presépios malfeitos e das músicas com sininhos. De gastar o décimo terceiro em presentes e bobagens que levarão doze parcelas sem juros para serem pagas.

    Dezembro é uma época do ano em que o brega, o cafona e o retrógrado são aceitos com sorrisos bestas nos rostos das famílias suburbanas. Somos todos enfeitiçados pelo vírus natalino. Saímos às compras, enfrentamos estacionamentos lotados em shopping centers e empurra-empurra de tias gordas e cheias de sacolas.

    Odeio o natal. Odeio mais do que tudo. E não por causa de um trauma ou experiência traumática (apesar delas realmente existirem, mas não vem ao caso). Sou um scrooge do novo milênio, mas órfão de fantasmas do passado e futuro (os do presente não me abandonam). Minha vida não seria narrada por Dickens, e eu não viraria personagem da Disney.

    Sou amargo, sim. Sou imune à felicidade, sim. Odeio iluminação de natal, árvore cheia de bolas coloridas, arroz com uva-passa e chester com abacaxi. Odeio sorrisos amarelos consumistas e papel de embrulho espalhado pela sala. Odeio encontro de família e tio bêbado bolinando a sobrinha adolescente. Odeio tia varizenta distribuindo pacotes. Odeio filmes de Natal. Odeio a Xuxa e o Roberto Carlos.

    Sou um câncer natalino em remissão. Tenho crises de urticária só de imaginar a roupa do velhinho filho da puta. Aliás, Papai Noel é a maior prova que, sim, seus pais mentem para você. E desde que você se conhece por gente. Assim que a gente descobre que a porra do velho esquimó não existe, rui simultaneamente a confiança paterna. “Papai Noel não existe? Então para onde você mandou o meu cachorrinho? E a massagem na empregada? Ela não estava doente de verdade, estava? E por que o padeiro sempre vem aqui quando o papai tá no trabalho?”. É tudo de uma vez.

    Um dia meu pai me disse: “Nesse natal Papai Noel não vem!”. “Por que, pai?”. “Porque a gente é pobre, caralho!” Foi a resposta ébria. E ele não veio mesmo. Comemos arroz, feijão e farinha de rosca naquela noite. Baré, tuti fruti sem gás (mas com a colher no gargalo). Televisão desligada e pai embriagado. Mãe olhando o vazio. Eu, numa última esperança, desenhei uma cena natalina numa folha e dei de presente pro meu pai. O final de cinema seria a família se abraçando aos prantos, enquanto um exército de freiras sorridentes invadiria nossa casa cheia de presentes e com uma ceia decente. Não rolou. Meu presente foi uma surra de cinto no lombo pra deixar de ser besta. Pra deixar de ser criança. Eu tinha 5 anos e já sabia que o Natal não prestava.

    Lembro-me de uma tira do Henfil mostrando que apenas no Natal as pessoas eram caridosas. Verdade, verdade. E eu nem isso faço. Miséria, já tenho a minha, não preciso compartilhar com ninguém. Não pedi ajuda, não vem me encher o saco!

    Foda-se Papai Noel. Foda-se Jesus. Foda-se, foda-se, foda-se…

    Natal é desculpa para falsa moralidade. Todo Natal é hipócrita.

    Espero que você morra engasgado com uma casca de noz, doutor!


  • BASEADO NA BÍBLIA

    maconha

     

    PASTOR FAZ ABAIXO-ASSINADO CONTRA JÔ SOARES POR SUGERIR QUE BÍBLIA SERVE PARA FUMAR MACONHA

    ESTADÃO – Um abaixo-assinado na internet, com 13 mil assinaturas, pede que Jô Soares se desculpe por ter feito piada com a Bíblia no programa de 17 de novembro.

    Na ocasião, foi exibido um documentário no qual um entrevistado disse que o grupo Novos Baianos utilizava as páginas da Bíblia para fazer cigarros de maconha. Jô comentou que a Bíblia tem “mil e uma utilidades”.

    O pastor Renê de Araújo Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, é o autor do abaixo-assinado. “Repudiamos as declarações apresentadas no Programa do Jô, veiculado no dia 17 de Novembro de 2011, sobre o fato de fumar maconha com as páginas da Bíblia”, diz o documento.

    A reportagem procurou a Globo: “Evidentemente, não foi um comentário ofensivo, mas é assustadora toda iniciativa contra a liberdade de expressão”, disse a assessoria da emissora.