• DEZ ANOS SEM O BEATLE QUIETO

    GeorgeHarrison                                    George ‘espiando’ através da vidraça…

    eu_george                       Fotomontagem de Alex Medeiros – Ele, de chapeu, ‘espiando’ George…

     

    Blog de Alex Medeiros / www.alexmedeiros.com.br – Na meia dúzia de vezes que entrei na histórica livraria Shakespeare and Company, ao lado da catedral Notre Dame, e que é hoje “marco zero” de Paris, fiz uma louvação à memória de George Harrison, repetindo ali um gesto dele em janeiro de 1964.

    A capital francesa deve ter sido o lugar de menor repercussão dos Beatles em seu começo de carreira, longe de parecer-se com o assédio que os quatro garotos de Liverpool teriam em Nova York no ano seguinte. Paris não foi uma festa pra eles.

    Tanto que menos de cem admiradores foram vê-los no aeroporto Le Bourget e pouco mais de 2 mil assistiram ao primeiro show, no Teatro des Capucines Boulevard. A cantora Sylvie Vartan, uma lolita, tinha mais popularidade no mesmo palco.

    Passearam e tiraram fotos pela cidade sem o pandemônio das fãs enlouquecidas. E George saiu do hotel, tranquilamente dentro de um táxi, para visitar a famosa livraria que abrigou a “geração maldita” de Ernest Hemingway e James Joyce.

    Saiu de lá carregando um livrinho de poemas da americana Sylvia Plath, o único publicado em vida, quatro anos antes da entrada de George naquele pequeno mundo de gigantesca história. Eu também peguei um exemplar de The Colossus and Other Poems.

    George Harrison tinha um olhar mais curioso sobre o cotidiano do que seus três amigos, apesar da fama intelectual ter caído sobre a dupla que virou razão social Lennon & McCartney. Menos midiático, discreto e tímido, foi chamado de o “beatle quieto”.

    Mas o caçula dos Beatles tinha uma inquietude interior, a busca pelo conhecimento, fato que o fez desde cedo, com apenas 14 anos, mais aquinhoado de bagagem teórica musical do que o próprio Paul, um exímio instrumentista e leitor de partituras.

    Quando McCartney, ainda no tempo em que o adolescente John Lennon liderava a banda “The Quarrymen”, apresentou George ao futuro líder dos Fab Four, este só desmanchou a cara de desprezo ao ver a técnica do garotinho no violão.

    A aparente quietude de Harrison era apenas a marca de um espírito sossegado, mas incansavelmente produtivo, assim como foram hiperativos os quietos mineiros do Clube da Esquina, nos anos 70, em Belo Horizonte, todos eles, aliás, fãs dos Beatles.

    O olhar de George Harrison no auditório de Ed Sullivan, em 1965, fitando o alto, enquanto John, Paul e Ringo olham o ambiente, parece perceber os 70 milhões de espectadores lá fora e não apenas as 728 fãs enlouquecidas no estúdio da CBS.

    Quando partem de Nova York para Washington a bordo de um trem, a principal foto daquele instante mostra de novo John, Paul e Ringo sorrindo para as pessoas na estação, e George vasculhando a geografia do lugar, os olhos mais uma vez nas alturas.

    É esta visão ampla das coisas que o levou a iniciar os primeiros experimentos nos campos da música e do comportamento. George partiu na frente quanto a tocar novos instrumentos, cantar as “groupies” no cio, usar drogas e aprofundar-se na cultura oriental.

    O menino que aos 13 anos trocou a bicicleta pelo violão quando ouviu “Heartbreak Hotel”, o primeiro sucesso de Elvis Presley pela RCA Victor, em 1956, também foi o primeiro dos Beatles a descobrir a cultura hippie, a meditação e a cultura indiana.

    Base de uma geração que misturava Buda com Marcuse, Cristo com Woodstock, a contracultura, ou a onda underground, levou os Beatles por novas linhas melódicas e também foi impulsionada pelo grupo, tendo Harrison como seu melhor embaixador.

    Se não foi tão cultuado quanto Lennon nos atos de cunho político, posto que não teve o mesmo peso na mídia, George também fez muito pela paz. No mesmo ano (1971) em que John lança “Imagine”, ele organiza o “Concert for Bangla Desh”, em Nova York.

    Foi um dos maiores shows beneficentes do mundo pop e que pautou os muitos que vieram depois, como o “Live 8”, de Bob Geldof. A Unicef arrecadou milhões.

    Depois do fim dos Beatles, muito se falou sobre a postura de George nos anos de sucesso arrebatador. Sua preocupação no palco era sempre com a música, uma nota desafinada, um acorde a mais, e não com a gritaria das fãs ou a interação com elas.

    Hoje, 29/11/2011, faz dez anos da sua morte. Admirador do “beatle quieto”, supro sua ausência me fazendo presente na foto da chegada dos Beatles à América. Que seus demais fãs tomem esta crônica como um olhar sobre o seu doce espírito.


  • O ESTRONDO DE BAIXA VERDE (*)

     baixa verde_abaloO maior terremoto do RN foi registrado há 25 anos no município de João Câmara (74 km de Natal), por volta das 3h30, madrugada do dia 30 de novembro de 1986.

     

    O armador fez um rangido
    No sopapo da parede
    O velho caiu da rede
    E ficou esbaforido.

    A velha chutou penico
    Menino acordou cagado
    E o cachorro amofinado
    Riscou no chão o furico.

    O gado desembestou
    Rompeu cerca e mourão
    E o povo no caminhão
    Dizia: o mundo acabou!

     
    Rocas Quintas
    (PhD do Enem e de Neném)

     
      
    Nota do SDV ( * ): Baixa Verde era o antigo nome da cidade de João Câmara (RN)



  • A COMILANÇA NA CEIA DE DA VINCI…

    bumbum-missFoto polêmica do Miss Bumbum 2011

    ceia_blues       Rolou até blues na ceia de Leonardo Da Vinci? 
     


    APÓS RECRIAR “A ÚLTIMA CEIA” COM MODELOS EM FOTO POLÊMICA, ORGANIZAÇÃO DO MISS BUMBUM 2011 PEDE DESCULPAS

    UOL – Depois da repercussão que a foto do convite do Miss Bumbum Brasil 2011 gerou ao recriar a imagem da tela “A Última Ceia”, de Leonardo Da Vinci, a organização do evento divulgou um comunicado no qual se desculpa pela imagem. Leia a nota na íntegra:  

    “Depois de recebermos diversos e-mails de pessoas e de algumas entidades que se sentiram ofendidas com a foto de divulgação da etapa final do concurso Miss Bumbum Brasil 2011, a organização e as candidatas querem se desculpar com todos e declarar que de nenhuma forma tiveram a intenção de ofender e desrespeitá-los”.

    A premiação acontece na próxima quarta-feira (30), em São Paulo.


  • SAUDADES DA SUPERGIRL…

    supergirl3          Kara Zor-El, mais conhecida como Supergirl ou Super-Moça, a prima do Superman

    bunker4                   Bunker, o novo super-heroi gay da DC Comics

     

                    SUPER-HEROI ADOLESCENTE ABERTAMENTE GAY NOS NOVOS TITÃS

    Blog queercomics.com – Miguel José Barragan, um super-heroi adolescente assumidamente gay do México, se juntará ao time de herois teens da DC Comics. O artista Brett Booth comunicou, via Internet, que irá estrear na edição de novembro da Teen Titans.

    Aparentemente, Bunker, seu nome de super-heroi, será o personagem mais óbvio que qualquer outra representação gay anterior vista nas páginas da DC. Os autores descrevem que ele já “nasceu fora do armário”. Os poderes de Bunker incluem a habilidade de criar pequenos campos de força que parecem tijolos. Seu traje é visivelmente de cor púrpura, mas esta não foi a primeira opção para as cores, segundo matéria, devido a possíveis conotações que elas possam ter com o movimento LGBT.

    Fonte
    Comics Alliance

     


  • “MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO…” (*)

    iphone-5-3D

    Ipobre   A nova versão Ipobre, líder absoluto de vendas no Brasil pós-Lula

     

         CONHEÇA E COMPARE OS SMARTPHONES MAIS POTENTES VENDIDOS NO BRASIL

    UOL / Rodrigo Vitulli – O UOL Tecnologia selecionou os dez smartphones mais poderosos à venda no país. Conheça as características dos supersmartphones e dê a sua nota para todos os modelos. A lista será atualizada periodicamente, à medida que novos lançamentos chegarem ao mercado (Enviado pelo correspondente Rocas Quintas, direto de Cabrobó City para o Som do Vialejo).


    Nota do SDV ( * ): frase de Glauber Rocha na boca de Corisco, personagem “ideologizado” 
    vivido pelo ator Othon Bastos, no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964).


  • AMY MALASSOMBRADA

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             PETE DOHERTY DIZ QUE FANTASMA DE AMY WINEHOUSE ESTÁ EM SUA CASA

    FOLHA.com / Ilustrada (São Paulo) – O cantor Pete Doherty, ex-Libertines, acredita que o fantasma de Amy Winehouse, morta em julho deste ano, está assombrando sua casa, informa o tabloide inglês “The Sun”.

    Segundo a publicação, um amigo próximo de Doherty disse que o artista teria visto aparições de Winehouse em seu apartamento, em Londres.

    “Doherty está convencido que viu o fantasma dela”, disse o amigo, não identificado. “Muita gente vai achar que as visões dele são provocadas por drogas, mas ele alega estar limpo.”


  • A AREIA DA COPA NATALENSE…

    AREIA_CAMEL_SERGIO PEIRETTI         “Dromedário da Praia de Genipabu” (Natal-RN), foto de Sergio Peiretti

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    BRIGA JUDICIAL PERMITIU UTILIZAÇÃO DE AREIA DE DUNA NO ESTÁDIO DE NATAL PARA 2014

    UOL Notícias – A obra do estádio de Natal para 2014, a Arena das Dunas, utilizou até a última sexta-feira areia proveniente da duna de Genipabu, um dos pontos turísticos da capital potiguar. Amparada em uma decisão judicial polêmica, a empresa que fornecia o material para a construção vai ser substituída imediatamente, segundo o secretário especial de Copa do Estado.

    “Desde sexta-feira suspendemos o recebimento deste material, mas apenas o recebimento de material desta jazida. A obra segue normalmente. Existem várias jazidas da região da grande Natal. É só mudar o fornecedor. Não vai haver atraso nenhum. Vamos retirar material daquelas jazidas que forem licenciadas”, disse o secretário de Copa Demétrio Torres, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

    A discussão tornou-se pública no fim da última semana. A empresa JC Oliveira, contratada pelo Estado para ajudar na obra da Arena das Dunas, retirava areia, argila e saibro da jazida que fica a apenas 1,5km da praia de Genipabu.

    A operação não é ilegal. A JC Oliveira explora o local há cerca de 20 anos, mas sua última licença emitida pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) expirou em março deste ano. A empresa pediu a renovação do contrato, negada pelo Idema.

    A mudança de postura do órgão se deve a uma mudança na lei que protege a Área de Proteção Ambiental (APA) de Genipabu. Sem a licença do Idema, a JC Oliveira foi à Justiça e conseguiu uma liminar do juiz Ibanez Monteiro da Silva, que determinava o prosseguimento das operações.

    “A empresa está dentro da legalidade, mas com uma licença precária concedida por uma liminar. Vamos fazer um laudo e apresentar para o juiz que concedeu essa liminar”, prometeu Jamir Fernandes, diretor técnico do Idema, também ao Bom Dia Brasil.

    Na última segunda, o promotor do Ministério Público Márcio Diógenes visitou o local para tentar costurar um acordo entre as partes. “Vamos chamá-los para fazer um termo de ajustamento de conduta para suspender as atividades, já que o regulamento não permite. E aí vamos verificar se é cabível uma medida judicial”, disse Diógenes à Globo.

    Apesar da operação ser legal, o governo do Estado decidiu evitar a polêmica e mudou o fornecedor antes mesmo da conclusão da disputa.


  • “AILOVIÚ DE CANASTRÃO…”

    DILMINHA

    lupi-olho

      

    Disse um campônio a sua amada:
    – “Minha idolatrada, diga-me o que quer,
    Por ti vou matar, vou roubar
    Embora tristezas me causes, mulher
    Provar quero eu que te quero
    Venero teus olhos, teu porte, teu ser
    Mas diga sua ordem, espero
    Por ti não importa matar ou morrer”
    E ela disse ao campônio a brincar:
    – “Se é verdade tua louca paixão
    Parte já e pra mim vai buscar
    De tua mãe o inteiro coração” ( * ).

             

             LUPI SE DESCULPA PELA FORMA COMO SE EXPRESSA E DIZ QUE AMA DILMA

    UOL / Maurício Savarese / Camila Campanerut (Brasília) – Pressionado por denúncias de corrupção, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), pediu desculpas à presidente Dilma Rousseff pela “forma exagerada” como se expressa para se defender e afirmou que a ama.

    “Presidente Dilma, me desculpe se eu fui agressivo. Dilma, eu te amo”, disse Lupi nesta quinta-feira (10) na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados.

    Lupi afirmou também que tem uma relação de mais de 30 anos com a presidente e que seu partido –ao qual Dilma foi filiada– apoiou sua candidatura antes mesmo que o PT.

    O ministro declarou que querem tirá-lo da pasta desde 2007, quando assumiu o posto. “Desde que cheguei ao ministério querem me derrubar. São mais de 200 dando tiro na gente”, afirmou. “Mas ninguém atinge um soldado se não for para acertar o general”, disse referindo-se a Dilma.

    Lupi se desculpou por declarações controversas como a que de só deixaria o cargo “a bala”. “Peço desculpas à opinião pública porque fica a imagem de que a gente é um doido.”

    O ministro descredenciou as denúncias da revista “Veja” de que funcionários do ministério teriam cobrado propina para firmar convênios com ONGs. “Um denunciante anônimo denunciou em nome de uma instituição que não recebeu nada. Como é que vão pagar (propina) por aquilo que não receberam”, disse.

    Estratégia

    Lupi se colocou à disposição dos parlamentares para ir ao Congresso Nacional e até mesmo à revista “Veja” para explicar que nem ele, nem o partido tem relação com as acusações.

    Ele repete a estratégia utilizada pelos ex-ministros Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte). Os três foram à Câmara e ao Senado antes de entregar a carta de demissão à presidente Dilma Rousseff.

    Os outros três ministros que caíram nestes anos adotaram táticas diferentes para prestar esclarecimentos ao público sobre as denúncias que receberam: Antonio Palocci (Casa Civil) concedeu entrevista exclusiva à Rede Globo; Nelson Jobim (ex-Defesa), que saiu por criticar o governo, não falou, e Alfredo Nascimento (Transportes), só falou no Senado depois de sair do posto ao voltar a exercer seu cargo de senador, já que estava licenciado para assumir o ministério.

    Ao lado de Lupi, o líder do PDT na Câmara dos Deputados, Giovanni Queiroz (PDT-PA), afirmou ontem que se o ministro for afastado do cargo, a legenda deixará o governo federal. 

    “O ministro Lupi não tem substituto. Se sair o ministro Lupi, sai o PDT do governo”, disse em entrevista coletiva ao lado ministro.  “Não é uma ameaça. Não temos o que ameaçar. O partido não vê a queda do Lupi por corrupção. Por isso, não há razão nenhuma para ele ser pressionado pelo partido”, completou.


    Nota do SDV ( * ): trecho de ‘Coração Materno’, tango canção de Vicente Celestino, gravado em 1937. 


  • O PÉ DE MESA DA XUXA…

    peléPelé no vestiário da Vila Belmiro, na noite de 27 de dezembro de 1961, quando o Santos conquistou a Taça Brasil pela primeira vez, ao derrotar o Bahia por 5 a 1, após empate em um gol no jogo de ida em Salvador.

     

              
             PELÉ SOBRE XUXA: “SE ELA SE LEMBRA DO MEU PÉ, IMAGINA DO RESTO…”

    UOL / Portal Vírgula – O bem humorado Pelé participou nesta terça-feira (8) do lançamento do seu livro “Primeiro Tempo”, que conta o início da trajetória do “Rei do Futebol”. Sentado em uma poltrona e ouvindo as mais diversas perguntas dos jornalistas, não faltou, ao eterno camisa 10, muita descontração e algumas cutucadas.

    A principal delas foi direcionada à apresentadora Xuxa. Cerca de dois meses atrás, a ex-namorada do Rei havia dito que o pé de Pelé era uma das coisas mais nojentas que já havia visto na vida. Ele então respondeu: “Eu estava viajando e fiquei sabendo do que foi dito. Eu não sei quem é essa apresentadora. Mas se ela se lembra do meu pé, imagina do resto”, brincou.

    Pelé também falou sobre sua primeira vez. Perguntado se era verdade que tinha iniciado sua vida sexual com um menino, Edson Arantes do Nascimento novamente se saiu bem.

    “Não tem nada disso. Se não me engano foi numa entrevista na ‘Playboy’. Falei que entre os meus amigos de Bauru tinha um menino que era veado. Na época não era bicha, era veado. Nunca falei que tinha transado com ele. Nunca foi minha palavra. Se tivesse, eu ia dizer, porque a gente faz um monte de besteira quando é garoto”, afirmou.

    Ricardo Teixeira

    Apesar do clima descontraído, Pelé não conseguiu escapar das perguntas mais ásperas. Atual incentivador da Copa de 2014 no Brasil, o Rei foi questionado sobre as acusações de corrupção que Ricardo Teixeira, presidente da CBF, vem recebendo.

    “O presidente Ricardo Teixeira sempre foi de polêmica. Nos Estados Unidos, em 1994, eu tive um desentendimento com o João Havelange e, também, com o Teixeira. Graças a Deus fizemos as pazes. Quando se faz uma denúncia é preciso provar. Não adianta ficar falando sem provar”, disse em tom mais sério.


  • “O BARQUINHO VAI” (*)

    barco-furado                          “Barca Furada” – foto de Enoch Filho, Jequié / BA

     

                          DILMA MANDOU TOCAR O BARCO, DIZ MINISTRO DO TRABALHO

    FOLHA.com / Reuters (Brasília) – Em meio a denúncias de irregularidades no Ministério do Trabalho, o titular da pasta Carlos Lupi disse nesta terça-feira (8) ter recebido da presidente Dilma Rousseff a orientação de continuar trabalhando e se defendendo das acusações.

    Reportagem da revista “Veja” desta semana afirma que três servidores e ex-servidores do Ministério do Trabalho estavam envolvidos num esquema de cobrança de propinas que revertia recursos para o caixa do PDT, partido de Lupi, que está afastado temporariamente da presidência da sigla por ser ministro.

    “A presidente disse para eu tocar o barco, até porque não há nenhuma acusação que me atinja diretamente”, disse Lupi após ter conversado com a presidente.

    Não é a primeira vez que Dilma dá essa orientação a um ministro que sofre com denúncias. Há três semanas, quando Dilma conversou com o ex-ministro do Esporte Orlando Silva também lhe deu um voto de confiança e disse que ele deveria tocar o barco no ministério.

    Contudo, menos de uma semana depois, ela decidiu pela saída do ministro. De forma semelhante, em outras mudanças ministeriais, Dilma deu apoio inicial ao ministro envolvido em denúncias de corrupção e depois de dias ou semanas os auxiliares acabaram deixando o governo.

    No último sábado, ao tomar conhecimento das acusações veiculadas na imprensa, Lupi afastou o servidor Anderson Alexandre dos Santos e hoje abriu sindicância interna para investigar o envolvimento dele nas denúncias.

    “Até agora são acusações sem provas e anônimas. Eu estou pedindo investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. Não pode uma denúncia dessas acabar com a reputação das pessoas”, afirmou, num discurso parecido ao de Orlando Silva na época em que foi alvo de acusações.

    O então titular do Esporte também pediu investigação da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República. Mas quando o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu investigar as denúncias que atingiam Silva, a pedido da Procuradoria Geral, sua permanência ficou insustentável.

    Ainda hoje, Lupi se reunirá com a bancada do PDT para discutir uma estratégia de defesa e unir os pedetistas em torno da sua defesa.

    “O partido todo está me apoiando. Quem pensa diferente, tem o direito de pensar diferente”, disse o ministro ao comentar as declarações de alguns parlamentares de seu partido, caso do senador Pedro Taques (MT), que avaliou as acusações como “graves” e disse que “a sociedade merece resposta”.

    Ter o apoio irrestrito dos membros do seu partido no Congresso é fundamental para que o ministro continue tendo sustentação política junto a Dilma.

    Desde o início do governo Dilma, outros seis ministros já deixaram o cargo, cinco deles por terem seus nomes envolvidos em denúncias de irregularidades.

    As demissões começaram com o ministro mais poderoso do governo até então, Antonio Palocci (Casa Civil), e depois se seguiram com os ministros Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

    Lupi já havia afastado seu chefe de gabinete e tesoureiro do PDT, Marcelo Panella, no primeiro semestre após outras denúncias de irregularidades.

     

    Nota do SDV ( * ): verso de “O Barquinho”, composição de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Também é título de livro homônimo da escritora Bruna Fortes sobre a vida e a carreira do músico, compositor e produtor Roberto Menescal, um dos criadores da Bossa Nova.