• MY BONNIES

    alci_praia1                                             My darling ( * )

    gaitas_kit1                                   My bonnies

     

    MIMO

    Às minhas ninitas
    Meninas mimosas
    Graciosas e pequenitas:

    Todas fagueiras e bonitas
    Às quais sempre faço jus
    Na levada endiabrada do blues.

     

    Nota do SDV ( * ): para  ‘Alcione Mais Eu’, por mais um aniversário. No lynk abaixo, Tony Sheridan canta MY BONNIE acompanhado por uma certa banda no começo da carreira… uma tal de “THE BEATLES”. Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=_bVEK8vUBng


  • TRIBUTO AO REI

    artur-gustavo dore                                        Gravura de Gustavo Doré

     


    NA CORTE DO REI ARTUR

    Secura danada na city…
    Arrisquei na casa do ‘rei’
    O King Artur da parada
    O paxá da rede armada
    Fumaça e ceva gelada
    Memória privilegiada
    Do ‘só sei que tudo sei’.

    Dodora!… Veja quem é…
    Tem um pinta perturbando
    Batendo no meu portão!

    Artur, sabe quem é?
    (grita a mulher)
    Ele diz ser conhecido
    Como Graco Legião.

    Não conheço, só de nome.
    Mas vamos ver se é bem vindo…
    Tira a coleira, solta ‘Bolão!’

    Arthur, o cachorro cheira ele…
    Então manda a fera entrar
    Que vou logo batizar
    Acendendo esse morrão.

    Diga pra mim, Legião:
    Por que tens esse apelido?
    Você tem parte com o cão?!

    Não, meu irmão…
    Foi Marconi Notaro
    Com Ibanez dos Cães Mortos
    Que me apelidaram assim
    (e assumi esse ‘capuz’)
    Por causa d’uma música que fiz
    Chamada Satanic Blues
    (assim ‘falei e disse’).

    – Só podia ser fuleragem
    Dos pintas lá de Recife!

    Escute aqui, Legião…
    Você adentrou na minha casa
    Não foi por Dodora e nem por mim.

    Quem liberou você aqui
    Foi meu cachorro “Bolão”.

    Tem pinta otário que chega na área
    (diga aí se num é não, Dodora!)
    Que volta correndo da porta
    Sem beata, sem finório e sem berlota
    Só por causa do astral ruim, meu irmão!

    Feito Cérbero dos infernos
    Só passa no meu umbral
    Quem agradar meu guardião.

     

    Nota do SDV ( * ): Para meu amigo Artur Ribas, falecido neste final de setembro. Minha solidariedade e pêsames para Dodora (esposa), Nilzinha e Caio (filhos). Descanse em paz, meu rei.


  • O MATADOR DO ROCK AND ROLL

    jerry-lee-lewis                                   Jerry Lee Lewis

     

                                                                 THE KILLER

    Texto coligido – Jerry Lee Lewis é um dos poucos pioneiros do rock que ainda está por aí. Elvis Presley, embora “muitos não admitam isso” (a turma do ‘Elvis Não Morreu!’), viajou em 1977. Bill Haley também se foi ainda no início dos anos 1980. Carl Perkins, o homem que moldou o rockabilly (“Blue Suede Shoes”) partiu em 1998. Roy Orbison teve uma sobrevida digna ainda nos anos 1980, mas não teve tempo de saborear a fase, pois faleceu em 1988. O gigante Fats Domino (em todos os sentidos) sobreviveu ao furacão Katrina e já passou dos 80 anos, mas não se apresenta em público há tempos, ao contrário da lenda do blues, B.B King. Fora os que morreram no auge da mocidade, como Buddy Holly (em acidente de avião em 1959, que vitimou também Ritchie Valens e Big Bopper).

    Mas do tripé primitivo do rock restam apenas três, coincidentemente, os mais elétricos e mais “desencapados” de todos eles: Chuck Berry, Little Richards e ele, o endiabrado pianista do rock and roll, Jerry Lee Lewis, que completa 76 anos hoje.

    Lewis nasceu em 29 de setembro de 1935, na Lousiana (USA), de uma família apreciadora de música, e desde cedo esteve influenciado por música evangélica e country. Teve a sorte de ser apoiado em sua musicalidade pelos pais, que chegaram a hipotecar a casa para comprar-lhe um piano, que ainda criança tocava, com técnica e estilo inéditos. A grande virada musical ocorreu quando conheceu e se apaixonou pelo jazz feito pelos negros americanos.

    Em 1955 gravou duas músicas para uma rádio local, I don’t Hurt Anymore e If I Ever Needed You I Need You Now, ambas versões aceleradas de clássicos de blues-country. As músicas viraram hits locais da noite para o dia e chamaram a atenção do empresário Sam Philips que procurava artistas brancos capazes de domesticar e vender a música negra. Sam Philips foi o responsável pela descoberta também de Elvis Presley.

    Após alguns meses de pequenos hits a explosão ocorreu com o lançamento da visceral Whole Lotta Shaking Going On, logo seguida por Great Balls Of Fire, Breathless e High School Confidential, todas convertidas em sucesso extraordinário de vendas. Além disso, relançou também clássicos de blues e country com o seu tempero e ‘pegada’ especial. Logo começaram a lhe chamar pelo epíteto de “The Killer” (o matador), pois no palco era um ciclone martelando furiosamente as teclas do piano, que no auge de alguns desvarios era incendiado. Em sua vida pessoal fazia jus à fama de durão envolvendo-se em brigas e confusões frequentes.

    Lewis prosseguiu com relativo sucesso lançando um ou outro hit até meados de 1958. Embora se costume associar o seu declínio com a rejeição do público ao seu casamento com a prima Myra Gail Brown, de 14 anos, a realidade é que estava ocorrendo nesta época o fim da carreira meteórica dos artistas da primeira fase do rock and roll e o surgimento de novos nomes.

    Após um longo período de ostracismo em meados da década de 1960, Lewis começou a voltar à ativa dando mais ênfase ao lado country de seu estilo. Sua imagem nos anos seguintes foi bastante desgastada por frequentes escândalos envolvendo espancamento de suas mulheres, morte de seus dois filhos em um acidente de carro, problemas com alcoolismo, brigas e diversas operações no estômago e infartos cardíacos. No palco, porém continuava apresentando a mesma performance explosiva, apesar dos problemas pessoais e da idade.

    Em 1985 chegou a ficar em coma e teve o estômago extirpado em virtude de uma úlcera que nunca se curou. Em 1996 sofreu o seu terceiro ataque cardíaco, mas continuou tocando como antes. Em suas próprias palavras: “Há apenas um Jerry Lee Lewis e isto aqui vai ser um mundo muito triste quando eu tiver morrido”.

    A carreira de Jerry Lee Lewis foi divertidamente retratada (com alguns exageros e omissões) no filme Great Balls Of Fire (A Fera do Rock). Imperdível.

    Jerry Lee é respeitado por muita gente do mundo musical. Dos Rolling Stones a Eric Clapton e boa parte da geração dos sessenta, que sem a figura legendária do “The Killer” não teria apimentado o blues, o folk, o country e o próprio rock and roll.

    Muitos anos de vida ainda, velho e endiabrado Jerry!

     

    Nota do SDV: vide Jerry Lee Lewis ‘estraçalhando’ Whole Lotta Shakin’ Going On, em 1957: http://www.youtube.com/watch?v=8yRdDnrB5kM&feature=related


  • MUY BIEN

    cuba-carro                Havana possui os melhores mecânicos de automóveis do mundo!

     

                     CUBA ANUNCIA AUTORIZAÇÃO PARA COMPRA E VENDA DE CARROS

    FRANCE PRESSE (Havana) – O governo de Cuba publicou um decreto nesta quarta-feira em que autoriza a compra e venda de carros, que foram proibidas durante meio século no país.

    Esta era uma das medidas mais esperadas das reformas do presidente Raúl Castro, que vem promovendo a abertura econômica do país.

    A edição digital da “Gazeta Oficial” estabelece uma série de regulamentações para colocar em andamento “a transmissão da propriedade de veículos através da compra e venda ou doação” entre cubanos que vivem na ilha e estrangeiros residentes, permanentes ou temporários.

    O governo permitirá a compra de carros novos para cubanos que obtiverem rendas em moedas ou pesos conversíveis – equivalente ao dólar – por “seu trabalho em funções designadas pelo Estado ou no interesse deste”, e dependerão da permissão do ministério do Transporte.

    Segundo o texto, a autorização será concedida “uma vez a cada cinco anos”. No caso dos estrangeiros residentes, eles poderão comprar os carros em Cuba ou importá-los, com um limite de até dois veículos durante sua permanência na ilha.

    Até agora, os cubanos só poderiam comprar e vender os modelos de antes da revolução de 1959, quase todos de fabricação norte-americana.

    Os nativos que emigrarem –cerca de 38 mil engrossam anualmente a comunidade de quase 2 milhões de cubanos vivendo nos Estados Unidos, Espanha e e outros países– poderão vender seus automóveis ou transferi-los para seus familiares antes de deixar o país.

    Milhares de profissionais que puderam comprar carros soviéticos concedidos por seu trabalho antes de 1990 também poderão vendê-los a qualquer cubano ou estrangeiro residente.

    Estarão incluídos carros modernos, que, durante os últimos anos, só puderam ser importados ou comprados de segunda mão por artistas e esportistas, além de médicos que cumprissem missões oficiais em outros países, como a Venezuela.

    O decreto entra em vigor nesta quarta-feira e integra as mais de 300 medidas de um plano de reformas aprovado em abril durante o 4º Congresso do Partido Comunista.

    Implementado por Raúl Castro, o pacote inclui o relaxamento de leis sobre viagens ao exterior e a autorização para abertura de pequenos negócios, entre outras medidas que visam modernizar o sistema econômico cubano.


  • Ò LINDA!

    bairro novoOlinda, Bairro Novo – vista do farol no Morro do Serapião (foto de Graco Medeiros)

     

    On The Road me movo
    Sem medo e estorvo
    Nas asas do corvo.

    Eu não me demovo
    E não me comovo
    No meio do povo.

    Apenas promovo
    A mais nova virgem
    Do Bairro Novo.


    (GM)
      

  • ÃÃHH?!!

    art-7                                   Foto de Adriano Abreu – Tribuna do Norte

     

                                                QUEM DITA A SÉTIMA ARTE NO RN?

    O POTI / Blog Diário do Tempo (Por Sérgio Vilar) – Os rumos do cinema são incertos. Não o da produção cinematográfica em si – sustentada nos últimos anos pelo sucesso de adaptações dos super-heróis da Marvel. A mudança está no consumo. E a maior ameaça incide em videolocadoras e salas de cinema. Download gratuito de filmes pela internet, a máfia dos DVDs piratas em cada esquina de Natal e a facilidade crescente na aquisição de home theater ou projetores para montar minicinemas em casa são os maiores complicadores.

    Em Natal, a situação é diferenciada mesmo se comparada a estados vizinhos de aspectos econômicos e sociais semelhantes. Na capital potiguar, o número de cineclubes é mais reduzido, a produção cinematográfica ainda é praticamente invisível aos grandes centros do país, e o domínio das salas de cinema é dividido apenas entre duas redes multinacionais concorrentes. A proliferação da informalidade dos “piratões” em qualquer zona da cidade, fixos ou ambulantes, causa espanto em turistas nacionais e estrangeiros. Na Natal “onde ninguém se dá muito mal”, segundo a canção Linda Baby, de Pedro Mendes, os projetos alternativos de cinema estão minguando por falta de público. A resistência dos estoicos três cineclubes semiativos da cidade segue no mesmo rumo. Os cada vez mais raros cineclubistas da cidade lamentam a falta de interesse dos cinéfilos na colaboração às atividades de suas entidade. Talvez o único cineclube realmente proativo da cidade, o Cineclube Natal, possui apenas quatro entusiastas para fomentar os projetos da entidade.

    A falta de público aliada à falta de colaboradores provocou a suspensão de seis projetos alternativos de cinema promovidos pelo Cineclube Natal, entre eles as sessões mensais de cinema de arte exibidos no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel, na sede de um projeto social em Mãe Luíza, e para um pequeno e seleto público em Nalva Melo Café Salão, na Ribeira. Restaram apenas dois: o Cine Assembleia e as sessões exibidas na Aliança Francesa, afora iniciativas esporádicas, a exemplo da recentemostra John Cassavetes – o pai do cinema independente americano, promovido no TCP.

    “Infelizmente somos apenas quatro pessoas para cuidar de tudo. O pequeno público presente nas sessões ou as 400 pessoas que acompanham nosso blogue são fieis, mas não se interessam em colaborar com as atividades do Cineclube”, lamenta um dos diretores da entidade, Nelson Marques. O público médio nessas sessões alternativas varia entre 20 e 30 pessoas. A taxa simbólica para o acesso à exibição, quando há, custa dois reais. Na sequência de cada filme os diretores do Cineclube propõem discussões acerca do filme, quase sempre vazias.

    Individualismo

    Nelson Marques diz receber elogios a respeito dos projetos encabeçados pelo Cineclube Natal. Também ouve críticas à falta de variedade e qualidade dos filmes comumente em cartaz nas salas de cinema da cidade. Mas nada disso resulta em aumento de público nos projetos de cinema de arte promovidos pelo Cineclube. “Muitos dizem que preferem baixar em casa ou compram filmes pirata. Mas depois se discute os filmes com quem? E agora vão aumentar as salas de cinema para exibir o mesmo perfil e qualidade dos filmes já exibidos. Não muda nada”, analisa.


  • DE COMPANHEIROS E COMPANHIAS

    lula e socrates3                                                O timão de Sócrates

     

              SÓCRATES FALA SOBRE RELAÇÃO COM ÁLCOOL: “ERA UM COMPANHEIRO”

    GLOBO.com – O ex-jogador Sócrates deixou o hospital Albert Einstein na última quinta-feira (22), após passar 17 dias internado por conta de um sangramento no esôfago, causado por uma crise de cirrose hepática. Passado o susto, o ídolo do Corinthians conversou ao vivo com a apresentadora Ana Maria Braga, no programa “Mais Você”, da TV Globo, na manhã desta segunda-feira (26). Sócrates falou sobre a doença que enfrenta, causada geralmente pelo consumo excessivo de álcool, e por enquanto descartou a necessidade de um transplante de fígado.

    “O futuro a gente não sabe, não tenho nem indicação para fazer um transplante agora. A equipe médica já havia determinado o afastamento do álcool por pelo menos seis meses. Acho que o álcool é uma droga social e estimulada pela sociedade, pois boa parte da economia nacional está baseada nela e no cigarro. Na verdade nunca fui dependente, posso ficar meses sem beber que não tenho reações, tremores. Mas comportamentalmente o álcool é importante para mim, talvez pela minha timidez. O álcool era um companheiro para mim” – revelou Sócrates.

    Acompanhado da esposa Kátia, o “Doutor” falou ainda que está se recuperando bem da segunda internação – a primeira foi em agosto, por nove dias, por conta de uma hemorragia digestiva alta. Ele garantiu que o atual problema foi solucionado e a expectativa agora é de recuperação. A orientação é de repouso total. Pai de seis filhos, um deles prestes a completar seis anos, Sócrates brincou que agora quer “fabricar” meninas.

    “Dia 29 o Fidel faz seis anos. Tenho só homens, agora faltam as mulheres (risos)”, brincou o ex-jogador.

    Sócrates dará continuidade ao tratamento em casa. Ele será submetido a uma rigorosa dieta e terá sessões regulares de fisioterapia.


  • ‘SEU’ DANIEL BOONE E OS ÍNDIOS DO RIO DAS QUINTAS… (*)

    Fess parker2                Os atores Fess Parker e Ed Ames na série televisiva Daniel Boone.

     

                                              QUANDO EU ERA DANIEL BOONE

    Alex Medeiros / www.alexmedeiros.com.br – Era uma camisa de brim, na cor cáqui, similar ao fardamento da Polícia Militar de antigamente e ao tradicional uniforme dos Fuzileiros Navais. Esquecida há alguns anos numa valise do meu irmão, convenci mamãe a fazer uma dupla intervenção.

    Estávamos no miolo da década de 1960, uma era de convulsões mentais e sociais, e surfando na crista de tantas ondas, meu mano era uma presença “ausente” na casa. Estava lá, na nossa saudade, mas a quilômetros de muita estrada e aventura.

    Por isso me apossei da camisa que pertencera aos seus últimos anos de adolescente “careta”, e que ele vestira nos poucos anos em que os professores do Salesiano acreditaram fazê-lo um escoteiro. A segunda intervenção ficou por conta de mamãe.

    Naquela cor e naquele duro tecido, que meu pai garantiu ser o mais resistente entre todos disponíveis nas prateleiras das lojas As Nações Unidas – aonde era um competente subgerente – só precisava de um toque da agulha e da máquina Elgin.

    As franjas de tecidos apanhadas na loja da Avenida Rio Branco ficaram perfeitas formando uma cortininha nas costas da camisa. Como eu já tinha um velho cinturão de balas e cartucheiras, ficava faltando apenas improvisar o rifle e o chapéu de pele de castor.

    Nas muitas brincadeiras dos meninos da Travessa e da Rua Mário Lira – e suas adjacências – as fantasias do faroeste tinham mais audiência. Os filmes no Cine São José e os seriados de Rin Tin Tin e Durango Kid na TV nos influenciavam.

    Mas nenhum deles, entre tantas balas, tantos índios e bandidos, era mais adaptado ao lazer das velhas tardes dos anos 60 do que o seriado Daniel Boone, transmitido em Natal pela extinta e saudosa TV Tupi, mal sintonizada em preto e branco.

    Ao ler as notícias sobre a morte do ator Fess Parker, o cara que interpretou o mocinho da série durante os sete anos de produção, entre 1964 e 1970, mergulhei sábado à noite numa viagem aos felizes dias em que me vestia como o mítico herói do Kentucky.

    Já era de madrugada quando parei de rever os antigos episódios de Daniel Boone, guardados com um carinho todo ritualístico que imprimo ao meu colecionismo sem fim. Há fitas de VHS e os DVDs da bela caixa de metal que ganhei de aniversário.

    Não tenho na imagem de Fess Parker qualquer sentimento do cinéfilo que às vezes tento ser na interpretação das coisas da sétima arte. Dele, só conheço mesmo o cultuado seriado que é um pedaço da minha própria vida. E isso já é o suficiente.

    Essas figuras que habitaram nossa infância tem a força quase mágica de permanecerem sempre nos levando de volta, congelando em todas as suas emoções o passado, como a manter aberto em horário perpétuo um museu das nossas próprias lembranças.

    Revejo-me correndo pela rua sem calçamento, descendo a ladeirinha estreita com um cabo de vassoura improvisado no rifle de Boone, me protegendo das balas imaginárias atrás de uma castanhola; abaixado no calçadão para surpreender o inimigo no alto.

    Meu sentimento com a morte de Fess Parker tem o mesmo tamanho de quando morre um grande ícone da História do cinema. Ele, como outros caras dos velhos seriados da TV, contribuíram para que minha geração amasse as artes e louvasse as amizades.

    Rever o ator em seus dias de glória como o herói amigo do índio Mingo e do velhote Cincinnatus, marido de Rebecca e pai de Israel e Jemima (como era bela a Verônica cartwright), me leva de volta ao convívio dos meus amigos e ao lar da minha infância.

    A vida se esvazia quando a gente perde o contato com nossa própria história, quando deixamos que a borracha do tempo apague o passado. É preciso fazer exercícios de retorno, mesmo diante de tristes notícias. O que somos hoje é um alinhavado de coisas costuradas lá atrás, como a camisa de escoteiro que improvisei para encarnar Fess Parker ou viver Daniel Boone.

     

    Nota do SDV ( * ): ‘Seu Daniel’  era o televizinho de Alex Medeiros (meu irmão), quando de sua adolescência na Travessa Mário Lira, no bairro das Quintas – Natal / RN.


  • ROCK IN MICARETA

    rock in rioRock In Rio – 2011

     

    O rock ‘n’ roll que rola no Rio
    é um engodo, um excremento
    vendido como entretenimento
    para um grande público vazio.

    Do velho rock não tem nada
    ou Katy Perry e Rihanna
    Cláudia Leitte e Sangalo
    são rock ‘n’ roll na parada?

    Shakira, Bebel Gilberto
    (como o pai não me aborreça)
    Sandra de Sá esqueça…

    E pra dizer a verdade
    (pode dizer ‘que maldade’)
    Nem Elton John me faz a cabeça!

     
    (GM)


  • ‘É O BICHO’… E A MESMICE DE SEMPRE

    carnatalFoto da internet sem o devido crédito.

    carnatal_CANINDÉ SOARESDepois do Carnatal no largo do Machadão. Foto de Canindé Soares (Natal / RN)

     

          ATRASADA, OBRA DO ESTÁDIO ARENA DAS DUNAS (RN) DÁ LUGAR À MICARETA

    UOL / Vinícius Segalla (São Paulo) – A Arena das Dunas, estádio que está sendo construído em Natal (RN) para receber os jogos da Copa do Mundo, foi o último a entrar em obras entre as arenas do Mundial. O início dos trabalhos se deu no dia 15 de agosto deste ano, com os serviços de terraplanagem. O estado foi o último a fechar negócio com uma construtora, a OAS, e a empreitada só atingirá o ritmo necessário após a demolição do estádio Machadão e do ginásio Machadinho, localizados exatamente onde será a nova arena.

    Apesar disso, a demolição do estádio só poderá acontecer a partir da segunda semana de dezembro. É que a área escolhida para erguer o estádio para 42 mil pessoas é a mesma onde acontece o Carnatal, tradicional micareta (carnaval fora de época) do Rio Grande do Norte que é o principal evento do calendário turístico de Natal. A folia está marcada para os dias 1, 2, 3 e 4 de dezembro, datas em que a obra terá que ser paralisada. E, antes da festa, nada de demolição.

    A situação é justificável. A cada edição, o Carnatal atrai 1 milhão de foliões por noite de evento, gera 10 mil empregos diretos e 30 mil indiretos, segundo o Sine-RN (Sistema Nacional de Empregos). Estrela da agenda de eventos da cidade desde 1991, a micaereta é tão importante cultural e economicamente para Natal que a Secopa-RN (Secretaria Extraordinária para Assuntos Relativos à Copa do Mundo) se coloca em posição defensiva quando o assunto é perturbar a festa.

    Em junho, o secretário da Secopa, Demétrio Torres, após tentativas fracassadas junto à empresa organizadora do Carnatal para mudar o local do evento, anunciou que havia-se chegado a um entendimento. “Eles (a empresa organizadora) pediram para isolar o mínimo possível de área (em obras), o que foi atendido”, contou.

    A fala do secretário era quase uma justificativa para as reduções que sofrerá o evento em virtude das obras para o estádio da Copa: o tradicional “Corredor da Folia” não será montado em torno das arenas Machadão e Machadinho, e o percurso terá que ser reduzido em 800 metros, passando a ter três quilômetros de extensão.

    Nada que gere perda de interesse dos foliões, que vão desembolsar, em média, R$ 500 para participar da festa, que terá Chiclete com Banana, Ivete Sangalo e Asa de Águia, entre outras estrelas do Axé da Bahia.

    Projeto perde cobertura

    O projeto original da Arena das Dunas, de R$ 420 milhões, previa que 100% dos 42 mil lugares (10 mil deles tornados removíveis a posteriori) estariam sob cobertura contra a chuva e o sol. O governo estadual anunciou na quarta-feira, porém, haverá 10 mil assentos sem cobertura, graças a uma alteração realizada no projeto inicial para baratea-lo em 5%. É que a primeira licitação feita pelo Estado à procura de interessados em construir a arena resultou deserta.

    Foi preciso reduzir custos para que empresas como a vencedora do segundo certame (Odebrecht) se convencessem da viabilidade e potencial de retorno do negócio, em uma praça esportiva que não conta com equipes que normalmente disputam os principais campeonatos nacionais.

    “Esta mudança foi feita normalmente, do primeiro para o segundo edital. A Fifa tomou conhecimento e autorizou”, explicou-se o secretário Demétrio Torres. Outras simplificações aconteceram, como a renúncia em demolir três prédios do governo potiguar vizinhos ao Machadão.