• SUA MAJESTADE O REI DO RITMO

    jackson-do-pandeiro-p&bJackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho (Alagoa Grande, 31 de agosto de 1919 – Brasília, 10 de julho de 1982).

     

                                    O ESPÓLIO MUSICAL DE JACKSON DO PANDEIRO

     
    GILBERTO GIL:
    “A influência de Jackson do Pandeiro na música brasileira é profunda, fundamental. Ele é um dos grandes mestres da música nordestina, vista como esse grande projeto que se instalou na música brasileira a partir dos anos 50, primeiro com Luiz Gonzaga, que foi o primeiro grande codificador, o homem que trouxe os elementos da música nordestina para a música popular, para o disco, para o rádio, para os palcos das praças do Brasil. Mas Luiz Gonzaga faz isso ainda com a vertente ortodoxa, rural, com a paisagem do campo, típica, diferenciada da cidade, os elementos, os valores, o conservadorismo, a moral. 

    Jackson do Pandeiro já é… Campina Grande. Jackson já é o samba no norte, já é Copacabana  no Nordeste Brasileiro, já é o chiclete com banana, como ele próprio cantava. E ele já trazia no seu modo de cantar, na forma de dividir, na pronúncia, na articulação da palavra, na gíria, na insinuação do ritmo e da emissão vocal, ele já trazia esse sentimento cosmopolita que Campina Grande tem, essa vontade, esse anseio de ser Nova Iorque, essa característica de entreposto, de eixo, de carrefour, de cruzamento do Nordeste. Campina Grande, cidade que recebia afluxos de todas as regiões, a cidade da feira, a cidade do mercado, a cidade do negócio, a cidade onde tudo se troca e tudo se vende, onde tudo tem valor e nada tem valor, já símbolo da modernidade, essa efervêscencia, essa volatilidade, essa capacidade de tudo ser e de tudo não ser ao mesmo tempo, típico do cosmopolitismo que Campina Grande tem, e que aparece na música de Jackson do Pandeiro com a quela manemolência, aquela malandragem…  

    Eu diria que Jackson é o grande malandro do nordeste da música popular. Ele é o Moreira da Silva, o samba de breque da música nordestina…” 

    (Entrevista ao jornalista Rômulo Azevedo da TV Paraíba). 



    Os depoimentos seguintes foram reproduzidos de matéria publicada pelo jornalista Tom Cardoso no jornal O Estado de São Paulo, em 11 de agosto de 1997.
     

     
    JOÃO BOSCO:

    “Sempre fui fascinado por ele. A gente tinha um projeto de fazer vários shows juntos pelo País, mas acabou não dando certo por causa da falta de grana. Tive a oportunidade de dizer ao Jackson o quanto admirava o seu trabalho. Gravei uma música em homenagem a ele – Batiumbalaio – Rockson do Pandeiro. Coloquei Rockson porque achava que o som dele tinha muito de rock-and-roll. O samba de Jackson já vinha com bebop. Acho que a música dele tem de ser mais divulgada, principalmente para os músicos mais jovens. Fico imaginando como ficaria maravilhoso esses grupos de rock pauleira gravando com influência do coco de Jackson.”

    ALCEU VALENÇA: 

    “Quando criança, ouvia muito Jackson do Pandeiro nos altos-falantes da feira de São Bento. A música dele é a trilha sonora da minha infância, tem cheiro de fumo de rolo. Talvez eu tenha sido o músico que mais se aproximou de Jackson no fim de sua carreira. Viajei o Brasil inteiro com ele em 1977, com o Projeto Pixinguinha. Depois dessa excursão, fiquei deslumbrado e resolvi compor o meu primeiro forró: Coração Bobo. É uma pena, hoje em dia, ele não ter sua obra reconhecida como Luís Gonzaga. O Jackson era menos articulado, ingênuo… Não soube fazer os contatos que o mestre Lua fez. Costumo sempre dizer que o Gonzagão é o Pelé da música e o Jackson, o Garrincha.” 

    ZÉ RAMALHO:

    “Fui muito influenciado por Jackson. Tinha uma grande voz, era uma espécie de João Gilberto do forró. Fiz um show ao lado dele em 1976, no Teatro João Caetano, no Rio, e fiquei impressionado com o ritmo e a energia dele em cima do palco. O sobrinho dele, o José Gomes, que herdou o nome do tio, toca pandeiro na minha banda há muito tempo.” 

    MORAES MOREIRA: 

    “Ele encarnava toda aquela coisa da música nordestina, o ritmo, a energia e o suingue. É claro que fui influenciado pelo trabalho dele, aliás acho que todos os músicos da minha geração também foram. Era um grande cantor e um excelente tocador de pandeiro. Jackson interpretando Chiclete com Banana é simplesmente maravilhoso. Outro dia cantei Sebastiana numa festa de São João e foi um sucesso. Pretendo gravar mais músicas de Jackson nos meus próximos discos.” 

    ELBA RAMALHO:

    “Na minha opinião existem duas escolas de canto no Brasil: a de João Gilberto e a de Jackson do Pandeiro. Eu tive o privilégio de conviver com Jackson e ser amiga dele. Foi o meu grande professor ao lado do Gonzagão. Os dois sempre gostaram muito do meu trabalho. O Jackson tocou em quase todos os meus primeiros discos.” 

    ALDIR BLANC:

    “Se algum músico pode ser chamado de seminal no Brasil é Jackson do Pandeiro. Ele foi o ponto de partida e uma referência para muitos músicos que estão hoje aí. Os meus dois parceiros, Guinga e João Bosco, são um exemplo disso. Eles foram influenciados diretamente pelo trabalho de Jackson, que, além de ótimo músico, era um extraordinário letrista. Aliás, estou escrevendo a letra para uma música que o Guinga me mandou em homenagem a ele. Vai chamar-se Influência de Jackson.” 

    GUINGA:

    “É impossível um compositor que ame a música brasileira não ter o trabalho de Jackson como referência. Eu tenho uma relação muito forte com a música dele. Lembro-me de que quando era criança ia passar férias numa pequena casa de pescador, numa cidade do litoral do Rio. A casa não tinha luz elétrica e a diversão dos adultos era jogar baralho e a dos garotos, ouvir músicas do Jackson, que o meu pai punha para tocar numa vitrola de manivela. Depois, já profissional, encontrei-me diversas vezes com ele em estúdio. Ficava admirado olhando aquela figura humilde, simples, que não tinha muita noção de sua genialidade…” 

    TOM ZÉ:

    “O meu último disco foi dedicado ao Jackson do Pandeiro. No Nordeste, os três principais alimentos são a farinha, a carne-seca e o ritmo, que é um verdadeiro deus e Jackson o nosso sacerdote. Temos hoje essa malandragem rítmica porque ouvimos muito Jackson quando éramos crianças. Outro dia fiz uma música para um artista de São Paulo e ele não conseguia cantar direito. Não sabia dividir o canto como a gente. Faltou a ele a escola de Jackson do Pandeiro.”


  • FABIANA BOA DE VARA

    fabiana murer2          Fabiana Murer conquista a medalha de ouro no salto com vara em Mundial de Daegu

     

    FABIANA MURER REVELA QUE VISUALIZOU O OURO QUANDO ISINBAYEVA FOI ELIMINADA

    UOL / Das agências internacionais em Daegu (Coreia do Sul) – A atleta brasileira Fabiana Murer revelou após a conquista do Mundial no salto com vara que a eliminação da russa Yelena Isinbayeva, recordista mundial, na tentativa de saltar 4,80 m sentiu que já estava perto de levar o ouro na competição.

    Fabiana Murer contou com o trabalho de Vitaly Petrov, ex-treinador de Isinbayeva, na preparação para o Mundial ao lado de seu técnico Élson Miranda e tem uma boa relação com a russa.

    “Quando a Isinbayeva foi eliminada, senti que o ouro estava próximo. Senti que o caminho se abria para mim, embora nesses momentos seja preciso estar concentrado no que você faz, mais do que com os outros”, comemorou Fabiana Murer.

    “Era difícil para Yelena porque mudou de treinador e precisa de mais tempo para se acostumar”, completou a atleta brasileira.

    Primeira do Brasil a conseguir uma medalha de ouro em Mundiais de atletismo, Fabiana Murer comemorou o feito e espera que o título ajude a formar novos competidores em sua modalidade.

    “Estou muito feliz por ter a honra de ser a primeira atleta brasileira a conseguir. O Brasil é um país que merecia isso, que está tentando há muito tempo. Mas não há dúvidas que temos sempre grandes atletas. Agora as pessoas estão começando no Brasil a conhecer o salto com vara. Está crescendo, as crianças estão interessadas na prova”, disse a atleta que agora se concentra nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.

    Depois de ter buscado a marca de 4,92 m com o ouro já garantido em Daegu, Fabiana Murer explicou que estava empolgada para alcançar a marca que seria novo recorde sul-americano e espera conseguir saltar 4,90 m, de preferência nos Jogos Olímpicos de Londres-2012.

    “Um dia saltarei 4,90 m. Me sentia bem e por isso tentei. Estava já um pouco cansada, com a alegria de ter a vitória, a adrenalida da competição. Mas estava com confiança e tinha que tentar. É meu sonho. Não é fácil, mas acho que é possível. Tenho que melhorar a corrida, minha técnica. É preciso comemorar esta medalha, claro que sim, mas também tenho que seguir trabalhando”, completou a brasileira.


  • “LUTANDO CONTRA OS ÍNDIOS DAQUI MESMO…”

    bob nelson1 P  Tributo a Bob Nelson (Campinas, 12 de outubro de 1918 – Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2009)

     

    A LENDA DE BOB NELSON ( * )

    Sem seu coldre bordado a ouro
    Roupa de brim em vez de couro
    Sem uma estrela pra por no peito
    Que é sua por lei e por direito…

    Seguindo rastros no asfalto
    Sem ter mocinhas pra salvar
    Sem o relincho amigo
    Do seu cavalo Raio de Luar…
    Assim não dá!

    Lutando contra os índios daqui mesmo
    Sem nenhum dólar furado pra furar
    Sem desfazer dos demais herois
    Fica sendo o mais teimoso dos cowboys
    Que eu vi… Bob Nelson, o único cowboy daqui.

     

    Nota do SDV ( * ): música de Erasmo Carlos e Roberto Carlos.
    Bob Nelson foi o primeiro cantor brasileiro a misturar o ritmo caipira e o country americano. Seu verdadeiro nome era Nelson Roberto Perez, natural de Campinas, SP.
    “O único cowboy daqui” (conforme a letra de Erasmo e Roberto) começou sua carreira artística como ‘crooner’ da Orquestra Julinho e também do Grupo Cacique, que se apresentava na Rádio Educadora de Campinas (PRC-9), seguindo o embalo do Bando da Lua e dos Anjos do Inferno. O Grupo Cacique era formado por Bob Nelson, Paulinho Nogueira e seu irmão Celso, além de Armando do Couto, Aimoré dos Santos Matos e Enéas. O grupo ganhou mais fama ao acompanhar Carmen Miranda, quando a “Pequena Notável” se apresentou em Campinas, no ano de 1939.

    Daí em diante Bob Nelson seguiu carreira solo na Rádio Nacional, emendando um sucesso após outro como ‘Boi Barnabé’ (parceria com Afonso Simão), ‘Eu Tiro o Leite’ (parceria com Sebastião Lima), ‘Minha Linda Salomé’ (parceria com Denis Brean e Vitor Simon), ‘Te agüenta, Mané’ (parceria com Almeida Rego) e ‘Catulé’ (parceria com Murilo Latini), além de sua adaptação de ‘Ó Suzana’, gravada na Victor e depois lançada nos EUA.

    Em plena 2ª guerra mundial, Bob Nelson fez todo o circuito das bases militares, incluindo Natal e Fernando de Noronha.

    Bob também atuou no cinema, em ‘Este Mundo É Um Pandeiro’ (1946),’ Segura Essa Mulher’ (1946), ‘É Com Este Que Eu Vou’ (1948), no qual canta ‘Como é Burro o Meu Cavalo’ e ‘Estou Aí?’ (1949).

    Nelson também ficou famoso pelo “canto tirolês”, à maneira do cowboy-cantor Gene Autry, influenciando gerações com o indefectivel “aboio dos gringos”. Anos mais tarde, Roberto Carlos e Erasmo Carlos, fãs do “Cawboy Alegre”, prestaram-lhe homenagem com “A LENDA DE BOB NELSON”. Ouça no lynk: http://www.youtube.com/watch?v=l0uNVz8uIHM


  • “RINDO DE IRENE” (*)

    irene-novayork                           Mergulho (“peixinho”) em Times Square, NY

     

    UOL – A vida volta ao normal em Nova York após a passagem do Irene, um furacão rebaixado para a categoria de tempestade tropical. Algumas árvores caídas e ruas inundadas não impediram os nova-iorquinos de dar um passeio ao ar livre depois da tempestade.


    Nota do SDV ( * ): alusão à ‘Irene’, música de Caetano Veloso (1969)

     


  • DISQUE-REBOQUE

    mecânica

     

             PROSTITUTA FAZ CARTÃO DE MECÂNICA E DESPISTA ESPOSAS DE CLIENTES

    FOLHA.com – A profissão mais antiga do mundo continua em alta, não por acaso. Assim como qualquer outro trabalho, há competição e muita concorrência, e para conquistar novos e não perder clientes, todo profissional deve saber como valorizar e divulgar seu trabalho.

    Não foi diferente com Vanessa de Oliveira (muitíssimo conhecida como Marise), uma ex-garota de programa que, por meio de suas habilidades de marketing, destacou-se no mercado e cresceu na vida, sendo atualmente dona de uma rede de lingeries e palestrante (nas duas áreas).

    Em seu livro “Seduzir Clientes” , ela relata todas as estratégias de marketing que adotou para fazer fama e manter-se sempre um passo à frente das demais. Tudo começa com os anúncios em jornais, a forma correta de chamar a atenção do interessado, palavras-chave, uso de imagens, programas diferenciados e tudo mais.

    Um das grandes “sacadas” da ex-garota de programa, foi criar um cartãozinho para distribuir para seus clientes. Mas com o diferencial de nele não constar uma foto com partes do seu corpo ou explicitando o serviço ofertado.

    Ao invés disso, optou por colocar o desenho de um simpático carro, com a inscrição de “Auto Mecânica”, e que fazia troca de óleo, recauchutagem de pneus, conserto de motores, entre outros. Somente isso e o telefone para contato.

    Vanessa diz que adotou essa tática para que “eles (os clientes) pudessem carregar para cima e para baixo (o cartão) sem levantar suspeitas e tê-lo facilmente à mão para me ligar ou indicar a algum amigo.”

    Reginaldo Bim Toigo, especialista em marketing, divide o livro com Vanessa, e ele fica responsável por analisar e explciar ao leitor o porquê das estratégias utilizadas terem dado resultados positivos e possibilitado o crescimento empresarial de Vanessa.


  • #FORAKADHAFI!

    3461741MR021_Gadaffi                                    “A chapa esquentou e a casa caiu, companheiro!”

     

                                                    COMEÇA A CAÇADA A KADHAFI

    CORREIO DO POVO (Porto Alegre) – Rebeldes líbios estabeleceram uma recompensa de 1,7 milhão de dólares (R$ 2,7 milhões) por Muammar Kadhafi, morto ou vivo. A declaração foi feita ontem pelo líder do Conselho Nacional de Transição, Mustafa Abdel Jalil. Ele também ofereceu anistia para “membros do círculo interno do ex-ditador que capturarem ou matarem o líder líbio”. O Brasil foi convidado ontem pela França a discutir com lideranças mundiais o futuro da Líbia. 


  • DE OLHO NA LÍBIA…

    obama, sarcozy e berlusconi

     

                                   SARKOZY ANUNCIA REUNIÃO DE AMIGOS DA LÍBIA

    AFP / BAND.com.br – Uma “conferência de amigos da Líbia”, que deve preparar a era pós-Kadhafi, será realizada em 1º de setembro, em Paris, com a participação dos países membros do Brics, anunciou na quarta-feira o presidente francês Nicolas Sarkozy, depois de uma reunião com o número dois da rebelião líbia, Mahmud Jibril.

     “Decidimos de pleno acordo com o primeiro-ministro inglês David Cameron convocar uma grande conferência internacional para ajudar a Líbia livre de amanhã”, anunciou Sarkozy à imprensa, junto a Jibril.

     Sarkozy revelou que a conferência contará com a presença de Brasil, China, Rússia e Índia.

     A reunião “vai além do Grupo de Contato”, declarou Sarkozy à imprensa. “Nossa intenção é convidar nossos amigos chineses, russos, brasileiros e indianos”, afirmou Sarkozy durante a entrevista, referindo-se às nações pertencentes ao grupo composto pelas cinco maiores economias emergentes, que conta também com a África do Sul.


  • LEMINSKI CURTO E GROSSO

    Paulo Leminski4              Paulo Leminski (Curitiba, 24 de agosto de 1944 – Curitiba, 7 de junho de 1989)

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    podem ficar com a realidade
    esse baixo astral
    em que tudo entra pelo cano

    eu quero viver de verdade
    eu fico com o cinema americano ( * )


    Nota do SDV ( * ): versos de Paulo Leminski, escritor, poeta, letrista, tradutor e professor. Faria 67 anos na data de hoje.

     


  • ARRIVEDERCI ROMA (*)

    battisti-4                               Cesare Battisti
     


    “Aqui ninguém é dono de ninguém
    Barbado, só camarão
    Quem roubar um trem
    Suicidar alguém
    Tem cem anos de perdão
    E um contratinho na televisão!” ( ** )

     

        BATTISTI RECEBE DOCUMENTOS QUE PERMITEM MORAR E TRABALHAR NO BRASIL

    Agência Lusa (Brasília) – O ex-ativista italiano Cesare Battisti já recebeu alguns dos documentos que permitirão que ele viva e trabalhe no Brasil. O Ministério da Justiça confirmou que o documento do Registo Nacional de Estrangeiro de Battisti foi emitido no último dia 15. O efeito dessa emissão já é permanente, mas o documento definitivo só será entregue no prazo de 180 dias.

    De acordo com Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Battisti, o Registo Nacional de Estrangeiro permite ao italiano abrir contas bancárias, alugar casa e trabalhar no Brasil. O advogado negou que Battisti tenha recebido atendimento prioritário na emissão do referido documento.

    Battisti deixou a prisão em 9 de junho, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a decisão de mantê-lo no Brasil. A Itália pedia a extradição de Battisti alegando que ele deve ser tratado como preso comum por ter sido condenado por quatro crimes.

    No final dos anos 70, o ex-ativista foi condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas. Battisti nega a participação nos crimes e disse ser inocente. Para as autoridades brasileiras, ele deve ser tratado como preso político por sofrer ameaças.

    De acordo com pessoas próximas ao ativista, Battisti disse que quer ter a oportunidade de conhecer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agradecer pelo apoio que obteve. Atualmente, Battisti mora com a mulher brasileira em uma casa emprestada no litoral de São Paulo. A ideia dele é tornar-se escritor e preparar uma obra autobiográfica.

     
    Nota do SDV ( * ): canção italiana de R. Rascel, Garinei e Giovannini.
    ( ** ) trecho de “A Marcha do Paredão”, música de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, sucesso no carnaval de 1962.
     


  • ARAGUAIAUSCHWITZ

    INJEÇÃO2

    INJEO-~1

     

                  MÉDICO FALAVA SOBRE INJEÇÕES NO ARAGUAIA, DIZ EX-COMBATENTE

    FOLHA.com / João Carlos Magalhães (Brasília) – Um ex-policial militar que combateu na Guerrilha do Araguaia (1972-1974) afirmou que ouviu de Walter da Silva Monteiro, um médico militar aposentado de Belém (PA), que a aplicação de injeções letais era um golpe de misericórdia em guerrilheiros comunistas combalidos pela tortura e maus tratos.

    É o quinto ex-combatente do conflito que reconhece, à Folha, o coronel da reserva do Exército como sendo o “capitão Walter”, médico que atuou na guerrilha.

    No domingo passado, a Folha publicou os relatos de outros quatro ex-soldados que reconheceram por meio de fotografia Monteiro, que chegou a dirigir dois dos principais hospitais de Belém.

    Dois ex-combatentes, em gravação feita pelo grupo do governo federal que procura ossadas do conflito, levantaram a hipótese do envolvimento do médico com as injeções.

    Mas esses dois diziam que só tinham ouvido falar na relação entre Monteiro e as mortes pelo método químico. Já Josias Souza, 59, afirmou que o próprio coronel comentava sobre a vantagem das injeções.

    “Ele próprio (dizia): “Vamos evitar uma bala, que custa mais”, e aí acho que tinha um tom de brincadeira com vidas humanas, “e vamos fazer isso de forma mais suave”, disse o ex-soldado Souza – que aceitou dar seu nome, mas não mostrar seu rosto em vídeo gravado pela reportagem.

    Souza estava no final de sua adolescência quando chegou na região do Araguaia, onde passou ao menos 60 dias.

    Segundo ele, ao ser levado para o local, junto a outros policiais militares de Goiás, não sabia do que se tratava a missão.

    Após mais de um mês combatendo na selva, passou a trabalhar na base de Xambioá (TO), onde conviveu com o “capitão Walter”.

    Lá, afirmou, ajudou a retirar da enfermaria 17 cadáveres de guerrilheiros.

    Os corpos eram enterrados em covas verticais, cavados pelos próprios presos, ou jogados, de helicóptero, em uma cachoeira no meio da mata, disse.

    Ele afirmou acreditar que ao menos parte dessas pessoas foram mortas com as injeções, chamada de “mercadoria”, segundo o ex-policial militar.

    Souza disse não ter presenciado as aplicações, mas chegado “no final do capítulo”, “porque não se ouvia naquele momento tiro, e o comentário dos oficiais e a ordem (era) de conduzi-los (os cadáveres) a um local para que fossem colocados outros (guerrilheiros)” na enfermaria da base.

    O ex-combatente hoje sofre de depressão, e diz ser incapaz de esquecer os gritos dados por guerrilheiros que eram torturados  – alguns deles ficavam em um poço, onde lixo, fezes e urina eram jogados, segundo ele.

    “Até hoje isso me machuca muito. Eu tenho sofrido muito nas minhas noites, porque fica arquivado. O pior juiz fica dentro da nossa própria cabeça.”

    Procurado pela Folha duas vezes, Walter da Silva Monteiro negou ter participado da guerrilha. Afirmou que, no período, estava em Belém, e não na região do Araguaia.