• BLUES CIGANO

    eddie_kirkland                  Eddie Kirkland, velho bluseiro nascido na Jamaica e criado no Alabama

     

    EDDIE KIRKLAND, CONHECIDO COMO “CIGANO DO BLUES”, MORRE EM ACIDENTE DE CARRO AOS 88 ANOS


    AP / UOL – Uma lenda do blues de 88 anos, conhecida como “cigano do blues”, morreu na Flórida quando seu carro ficou no caminho de um ônibus de viagem. Eddie Kirkland viajava para o sudeste dos Estados Unidos e estava na estrada de Crystal River, norte de Tampa, por volta das 8h30 do domingo (27), quando tentou fazer uma curva na frente do ônibus, segundo a polícia rodoviária da Flórida. O ônibus, que viajava para o nordeste do país, empurrou o carro de Kirkland por 180 metros antes de parar.

    Kirkland foi levado ao hospital Tampa General, onde morreu mais tarde. Treze passageiros estavam no ônibus, que era dirigido por James Smith, de 67 anos. Ninguém ficou ferido. A polícia rodoviária continua a investigação do acidente nesta segunda.

    De acordo com o site do músico, Kirkland, que vivia em Macon, na Geórgia, se apresentou na noite do sábado na Dunedin Brewery, na cidade de Dunedin, a última parada de uma mini-turnê por quatro cidades da Flórida em fevereiro. Sua turnê continuaria no dia 8 de abril em Pensacola.

    Nascido na Jamaica e crescido no Alabama, Kirkland eventualmente se mudou para a Indiana antes de morar em Detroit. Ele construiu uma sonoridade blues e excursionou durante sete anos e meio com John Lee Hooker. O músico se mudou para Georgia, se tornou o líder da banda de Otis Redding e tocou com vários artistas, incluindo Little Richard, Ben King, Ruth Brown e Little Johnnie Taylor. 


    Eis a ‘levada’ e performance do old gypsy: 
    http://www.youtube.com/watch?v=5ukctOPg3lo


  • REFLEXÃO PARA ANTES DO CARNAVAL…

    alegria

     

    MERGULHA NOS SONHOS ( * )    

    mergulha nos sonhos
    ou um lema pode ser teu aluimento
    (as árvores são as suas raízes
    e o vento é o vento)

    confia no teu coração
    se os mares se incendeiam
    (e vive pelo amor
    embora as estrelas para trás andem)

    honra o passado
    mas acolhe o futuro
    (e esgota no bailado
    deste casamento a tua morte)

    não te importes com o mundo
    com quem faz a paz e a guerra
    (pois deus gosta de raparigas
    e do amanhã e da terra)


    Nota do SDV ( * ): e. e. cummings,  “livrodepoemas”
    (Tradução de Cecília Rego Pinheiro)



  • “DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL” (*)

    BOLSA FAMÍLIA2Arte de Laílson, chargista e músico pernambucano, um dos precursores do blues em solo nordestino.

     

    Manchete da BBC Brasil:
    SOB PRESSÃO, GADDAFI ANUNCIA DISTRIBUIÇÃO DE AJUDA À POPULAÇÃO


    UOL Notícias – Enquetes
    VOCÊ RECEBERIA DINHEIRO DE UM DITADOR?

    Sim (42,78 %)
    Não (57,22 %)
    Atenção: O resultado desta pesquisa não tem valor de amostragem científica.


    O SDV PERGUNTA: E DE UM POLÍTICO POPULISTA PARA CONSOLIDAR UM PROJETO DE PODER, HEM??!!


    Nota do SDV ( * ): Verso inicial de ‘Pecado Capital’, belo samba de Paulinho da Viola cuja 2ª estrofe revela a verdadeira natureza e caráter de certos indivíduos, sejam eles “friends”, “brows” e demais traíras, consanguíneos ou não.

     


  • “BERLUSCANDO…”

    berlusconi_michele_obama

     

    BALAIO GRANDE

    Ói a nêga do balaio grande
    Ô do balaio
    Ô do balaio grande
    Ô do balaio
    Ô do balaio grande.

    No balaio dessa nêga
    Não se sabe o que é que tem
    Essa nêga tem segredo
    Que não conta pra ninguém.

    Lá na feira aparece
    Muito cesto e samburá
    Mas balaio assim, ô nêga
    Todos dizem que não há.

     
    Nota do SDV ( * ): samba de Dorival Caymmi e Osvaldo Santiago (1941).



  • “CRIANÇA ESPERANÇA”

    criança esperança

     


    A MENINA DANADA ( * )

    Ah, menina danada!
    Ela chora, ela rebola.

    Ah, menina malvada!

    Ela apronta e os amedronta.
    Hummm… essa merece palmada.
    Ela brinca, cai e machuca…
    Precisa de pomada?

    Encosta o dedo na tomada,
    Leva choque mas não se assusta.

    Ah, menina gaiata!

    Essa não é brincadeira
    Quebra a cadeira ou seu nariz.
    Ela sai gritando, não tem dó
    Não pede a bênção à vovó.

    Ela é fogo, é lenha, é de pilha.
    E quando sua pilha acaba
    Cai no sono e depois de seu sonho
    Começa tudo de novo.

    Ah menina danada!

     

    Nota do SDV ( * ) – Postado por Clara, no Blog da Clarinha, com a seguinte “advertência”:  “já vou avisando é blog de criança!”
    http://clarinhah-clarinha.blogspot.com


  • DA ÓBVIA ULULÂNCIA

    0,,46108806,00                                      Muammar Khadafi

    caubypeix_r                                   Cauby Peixoto

    berlusconi3                                        Silvio Berlusconi

    raul-gil-g-20100616                                   Raul Gil

     

    CLONES DE CLOWNS

    Olhe aqui cara de xibiu:
    Kadhafi não é Cauby
    Nem aqui e nem alone
    Assim como Raul Gil
    Nunca foi o Berlusconi.

     
    (GM)



  • “TERRA DE SAMBA E PANDEIRO” (*)

    Tio Bras                                   Tio Brás

     

    WIKILEAKS: COLÔMBIA RECLAMOU COM EUA DO “ESPÍRITO IMPERIALISTA BRASILEIRO”

    Operamundi / Natalia Viana (São Paulo) – Em 15 de dezembro de 2004, entre as 17h30 e 18h (15h30 e 16h em Brasília), o  então presidente colombiano Álvaro Uribe participou de uma reunião de alto nível no palácio presidencial com o então subsecretário-adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Charles Shapiro, o subsecretário-adjunto para o combate às drogas, Jonathan Farrar e o embaixador norte-americano em Bogotá, William B. Wood, além do diretor de temas andinos, David Henifin.

    O fato é relatado em um dos documentos obtidos pelo Wikileaks aos quais esta repórter teve acesso. São despachos da diplomacia norte-americana que tratam das relações entre o Brasil e outros países sul-americanos. Em vários deles, a resistência de algumas nações em relação à influência brasileira é evidente, embora também haja quem a veja com bons olhos e como contraponto aos EUA. 

    Leia o documento do Wikileaks na íntegra, em português
    Veja o despacho original, em inglês

    Na época da reunião, Uribe estava há dois anos no cargo e empreendia a política que chamou de “segurança democrática”, para combater os grupos armados que atuam no país. A política, abertamente apoiada pelos EUA, fortaleceu o Exército do país e liberou estradas colombianas antes controladas pelas guerrilhas, empurrando os combatentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) para as montanhas.

    O principal tema da reunião foi a ajuda norte-americana na luta contra as FARC. Uribe afirmou, na reunião, que os grupos armados não poderiam resistir mais que cinco anos à pressão militar. O presidente colombiano também se queixou de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. A certa altura a conversa chegou ao Brasil.

    “Uribe disse que a sua relação com (o então presidente) Lula é complicada pelos esforços de Lula em construir uma aliança anti-EUA na América Latina”, relata o documento. Em seguida, Uribe afirma que o Brasil teria pretensões imperialistas: “Lula é mais prático e inteligente que Chávez, mas é levado pelo seu passado de esquerda e o ‘espírito imperial’ brasileiro a se opor aos EUA”.

    O ex-presidente colombiano disse ter pouca influência sobre Lula ou Chávez porque eles o veriam como um amigo dos EUA. Mesmo assim, afirmou que continuaria a pressionar Chávez a tomar ações contra narcotraficantes. Afirmou ainda que Lula não cumpriu suas promessas de lutar contra o narcotráfico.

    Conselho de Defesa Sul-Americano

     Essa não foi a única vez que o alto escalão do governo colombiano reclamou do Brasil com diplomatas norte-americanos. Outro despacho, datado de 9 de maio de 2008, revela a desconfiança do ex-ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos (presidente da Colômbia desde junho de 2010) em relação à proposta de criação do Conselho de Defesa Sulamericano (CDS), defendida pelo Brasil. 

    Leia o documento traduzido na íntegra
    Veja o despacho original, em inglês

    Durante a conversa, que aconteceu em 30 de abril do mesmo ano, o embaixador norte-americano chegou a sugerir formas de flexibilizar o mandato do Conselho. Dois dias antes da reunião na embaixada, Santos havia mantido um encontro com o ministro da defesa brasileiro, Nelson Jobim, em que discutiu a proposta encabeçada pelo Brasil sobre a criação do Conselho.

    Jobim havia viajado a diversos países sul-americanos para apresentar a proposta. No caso da Colômbia, a reunião aconteceu em Bogotá. Ao embaixador, Santos disse que rejeitou a proposta, expressando preocupação de que a iniciativa poderia duplicar as funções da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da ONU (Organização das Nações Unidas).

    “Santos explicou para Jobim que o governo colombiano temia que a iniciativa soasse como uma ideia da Venezuela”, diz o documento. “O governo colombiano não quer suas forças armadas subjugadas a uma instituição que não compreende totalmente. Do mesmo modo, está relutante a ingressar em uma instituição que poderia ser percebida por muitos como um esforço para distanciar a América do Sul do governo norte-americano”.

    A resposta de Jobim, segundo o documento, foi dura: a Colômbia ficaria completamente isolada se não entrasse na iniciativa, pois o Brasil prosseguiria com ou sem ela.

    No dia 1º de maio, foi a vez do ex-comandante do exército General Mario Montoya conversar com a representação norte-americana. Ele disse que os militares colombianos não queriam “ser isolados” do resto da América do Sul, embora o “timing” da proposta fosse particularmente “infeliz” por causa do atraso na aprovação do tratado de livre comércio com os EUA.

    O embaixador avisou que repassaria informações sobre a iniciativa a Washington. “Ele concordou que o governo colombiano deveria explorar se outros governos regionais tinham receios e, se fosse o caso, ver se eles se aliariam ao governo colombiano”.

    O embaixador propôs que o governo explorasse se poderia sugerir opções que iriam ajustar o momento e o nível de participação. “Por exemplo, quem sabe um governo poderia se unir sem ter que aceitar todos os níveis de participação?”. O despacho é assinado pelo embaixador William R. Brownfield.

    O Conselho de Defesa Sul-Americano acabou sendo aprovado, por fim, na cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas em 15 de dezembro de 2008.

     

    Nota do SDV ( * ): verso de “Aquarela do Brasil”, música de Ary Barroso.



  • “KHADAFI É UM BOM COMPANHEIRO…”

    kadafi-paramentado                                   Coronel Muammar Khadafi, “o homem forte” da Líbia

    lula_cuzco                                       Ex-presidente Lula, o “homem forte” do PT

     

                     BRASIL BATE RECORDE DE NOTÍCIAS CENSURADAS NO GOOGLE

    Agência Estado (São Paulo) – Só na primeira metade do ano passado, o Google foi obrigado por autoridades brasileiras a tirar do ar 398 textos jornalísticos. Foi recorde mundial do período. O dobro do segundo da lista, a Líbia. O dado está no relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), divulgado ontem em São Paulo. Além disso, nos dias finais da corrida eleitoral brasileira, os juízes do País emitiram 21 ordens de censura, revela uma pesquisa do Centro Knight para o Jornalismo, do Texas (EUA).

    Muitas agências de notícias foram também multadas ou tiveram de remover conteúdos.

    “Esse quadro mostra que a censura e a autocensura, que vem junto, estão atingindo níveis muito sérios no Brasil”, resumiu Carlos Lauria, coordenador do CPJ, que veio ao Brasil apresentar o levantamento Ataques à Imprensa em 2010. Ele distribuiu ainda outro texto menor sobre a situação na América Latina, em encontro promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). “Nossos levantamentos apontam 44 jornalistas mortos em serviço e 145 presos, em todo o mundo, no ano passado”, resumiu.

    A censura ao jornal O Estado de S. Paulo, hoje em seu 565.º dia, é o destaque de abertura do levantamento sobre o continente. “É espantoso que, num país como o Brasil, um dos maiores jornais seja proibido de noticiar um grande escândalo, que envolve figuras políticas conhecidas. Não consigo imaginar o The Washington Post sendo proibido de publicar algo sobre um ex-presidente americano”, disse ele. Lauria vai a Brasília amanhã, onde se reunirá com autoridades do Planalto, da Secretaria das Comunicações e dos Direitos Humanos. A agenda inclui uma visita ao Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



  • DEPOIS DO SLEEPING BAG…

    john_yoko-John Lennon Live in New York City

                                 “FOI PESADO O SONO PRA QUEM NÃO SONHOU” ( * )


    Manhã fria em Curitiba. O vapor quente das máquinas abrandou o gelo da madrugada ao fim do terceiro turno, na virada de 08 para 09 de dezembro de 1980.

    Na roda do cafezinho, entre macacões e guarda-pós, um amigo que iniciava o primeiro turno, tirando as luvas e esfregando as mãos, me fulminou à queima-roupa:

    – Já sabe que a música está de luto? Mataram John Lennon!

    O café desceu queimando goela abaixo. Até então, só havia experimentado outra perplexidade semelhante provocada pela rudeza de uma notícia súbita. Refiro-me à manchete da primeira página do Diário de Natal, exposto em uma das “cigarreiras” da avenida Rio Branco, numa tarde de setembro de 1970: “Morre o Demônio do Underground”. Abaixo, a fotografia de um guitarrista canhoto empunhando uma “fender” branca. Era o anúncio sacrílego da morte de Jimi Hendrix.

    Brian Jones, Janis Joplin, Jim Morrison e Elvis Presley foram também grandes perdas sentidas no universo do rock. Entretanto, ninguém teve uma morte tão impiedosa quanto John Lennon, assassinado de forma covarde por um Zé Mané de juízo mole. John ficou sangrando por muito tempo na calçada do edifício Dakota aguardando pelo socorro médico. Quando chegou a esperada ajuda, Lennon já estava em choque anafilático, morrendo logo a seguir.

    Terminava assim, de forma sangrenta (ao contrário da escrachada “Let It Bleed” dos Stones), a vida do cara que, junto com Bob Dylan, chamou a atenção de um menino zarolho e disléxico, ao escutar o pequeno vialejo na música “I Should Have Known Better”, que Renato e Seus Blue Caps, de bate pronto, faria versão com o nome de “Menina Linda”. Mais tarde, outros gaitistas seriam referências daquele garoto que passou a amar os Beatles e os Rolling Stones e toda a caterva do rock’n’roll, do blues, da jovem guarda e tropicália, passando por Luiz Rei do Baião, Jackson do Pandeiro e Raul Seixas.

    De volta ao vestiário da metalúrgica de Curitiba, ao trocar o macacão azul pela velha calça jeans desbotada, ironizei o sentido do último verso de John na música “God”. “The dream is over”.

    Somente bem mais tarde, diante de toda mudança no panorama da geopolítica e da economia mundial, observando os anacrônicos conceitos de direita e esquerda, foi que me dei conta da força plena e avassaladora do verso de Lennon (especialmente no Brasil, após a frustrante campanha das “Diretas Já”, quando voltamos a acreditar em outro sonho “no dia que a esperança venceu o medo”, em 2002).

    Já em 2005, depois da grande decepção no aspecto político, ético e ideológico, lembrei novamente daquela manhã de dezembro de 1980, quando trocava o macacão fedorento a óleo diesel pensando que o sonho havia acabado apenas em parte e que se resumia muito mais aos anos de pé na estrada em busca de um paraíso perdido.

    De toda sorte, independente da ironia sexista em “Happiness Is A Warm Gun”, a felicidade de Lennon – para o desespero geral da beatlemania – era Yoko Ono. Let it be.


    (GM)

    Nota do SDV: Texto publicado na revista Palumbo (Natal/RN), 11ª edição, Janeiro de 2011. Congratulações deste blogueiro ao jornalista e editor Sérgio Vilar.
    ( * ) Verso final de “O Sonho Acabou”, música e letra de Gilberto Gil, em compacto duplo lançado numa edição especial da revista Bondinho, em fevereiro de 1972.



  • “VI DUAS FOTOS DE AVTOMAT KALASHNICOVA”

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                               AVTOMAT KALASHNICOVA É O MAIOR INIMIGO DOS EUA


    FOLHA.com / Patrícia Santos (Folhapress) – Desde o término da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos encontram o fuzil Avtomat Kalashnikova em praticamente todos os conflitos que participaram. Barata e eficiente, a arma é a favorita entre rebeldes, milicianos, terroristas e traficantes, mas também é adotada por cerca de 50 exércitos pelo mundo.

    Conhecido simplesmente como AK-47, o modelo foi criado pelo russo Mikhail Kalashnikov em 1947, daí seu nome. Mais de meio século depois, seu design não sofreu muitas alterações.

    Durante a Guerra do Vietnã, soldados norte-americanos relataram que AKs desenterrados em áreas de cultivo de arroz, apesar de imundos, molhados e enferrujados, continuavam a disparar perfeitamente.

    “Seu poder de fogo (600 cartuchos por minuto) e sua confiabilidade impressionante dão a ela uma vantagem sobre os modelos de armas mais sofisticadas, tais como o M-16”, diz o jornalista Larry Kahaner.

    Pelo impacto que esse instrumento bélico causou nos conflitos contemporâneos, Kahaner decidiu escrever o livro “AK-47”, uma “biografia” do fuzil que conquistou uma reputação lendária.

    Com tradução de Mario Pina, o título acaba de ser publicado no Brasil pela editora Record. Leia, abaixo, um trecho do exemplar no qual o autor relata um combate ocorrido em Bagdá.

    Em 23 de março de 2003, sob a proteção da escuridão, 32 helicópteros de combate Apache do exército dos EUA voavam para Bagdá na frente das forças de coalizão, seguindo na direção norte e sobrevoando a parte terrestre em direção à cidade-capital. Os helicópteros estavam em missão de busca e destruição para encontrar a guarda republicana de Saddam Hussein que supostamente formava um semicírculo para proteger a parte sul da cidade. Na preparação para essa missão, as principais posições de artilharia de Saddam tinham sido golpeadas por mísseis terra a terra e foguetes ATACMS carregando 950 bombas de 225 gramas. As forças remanescentes do inimigo seriam então varridas por estas máquinas de 22 milhões de dólares que voavam baixo, equipadas com canhões de 30 mm e os mais avançados sistemas de radar Longbow, capazes de direcionar mísseis antitanques Hellfire para alvos múltiplos.

    No entanto, quando os Apaches estavam em posição, algo inesperado aconteceu. As luzes nas cercanias de Bagdá se apagaram, como se tivesse ocorrido um blackout. Então, do mesmo modo misterioso, elas voltaram a acender dois minutos depois.

    Os pilotos do exército dos EUA não perceberam que aquele era um sinal de ataque.

    O que aconteceu em seguida chocou até mesmo os veteranos mais acostumados ao combate. Os helicópteros Apache foram atacados de todas as direções pelas armas de combate mais prolíficas e eficazes do mundo, um dispositivo tão simples e barato que pode ser comprado em muitos países por menos do que o custo de uma galinha viva. A arma, desenhada na bandeira e na moeda de vários países, agitada de modo desafiante por guerrilheiros e rebeldes ao redor do mundo, modificou o panorama geopolítico da era pósguerra fria. Ela tem sido responsável por mais de 250 mil mortes todos os anos. É inquestionavelmente a arma de fogo de escolha de pelo menos cinquenta exércitos legítimos e de boa reputação, em paralelo a incontáveis forças de combate constituídas por desprovidos de direitos civis abrangendo insurgentes e terroristas internacionais, traficantes de drogas e gangues de rua.

    Ela é o fuzil de assalto AK-47.

    Quando os Apaches pairavam em posição, eles levaram milhares de tiros das tropas de terra do Iraque. Dos 32 helicópteros, 31 sofreram danos; todos tiveram que abortar a missão. Um foi derrubado e dois pilotos foram capturados. Os oficiais do Pentágono não sabem se o helicóptero foi abatido ou sofreu problemas mecânicos. Um piloto que conseguiu voltar a salvo disse: “Vinha de todas as direções. Eu sofri disparos pela frente, por trás, pela esquerda e pela direita.” O piloto Bob Duffney, de Springfield, Massachusetts, que voou em helicópteros de combate em 1991 na Guerra do Golfo, acrescentou: “Na Tempestade do Deserto, nós não tivemos um tiroteio como este.”

    Mesmo com todos os bilhões de dólares gastos pelos militares dos Estados Unidos com armas e tecnologia da era espacial, o AK ainda é a arma mais devastadora do planeta. Seu pente em forma de banana dá a esta arma um contorno facilmente reconhecível que a torna um símbolo da rebelião e do poder do Terceiro Mundo. Diferente do flagelo das minas terrestres, os 80 a 100 milhões de AKs fabricados e distribuídos desde a invenção do fuzil em 1947 representam uma ameaça mais perigosa porque eles podem ser facilmente transportados, reparados e usados por bandos de atacantes em incursões em diferentes locais. O AK possibilitou golpes na África, reides terroristas no Oriente Médio e roubos de bancos em Los Angeles. Ele se tornou um ícone cultural, e o seu formato passou a definir para nós a aparência que deve ter um fuzil mortal.