• O REI E O CORVO (*)

    Capa da Revista Manchete / 1970 – Carlos Lacerda entrevista Roberto Carlos. Fonte: blogue Rio Que Mora no Mar, de Elizabeth de Mattos Dias (2013).

     

    CARLOS LACERDA E ROBERTO CARLOS

    Em 1970, Carlos Lacerda, à falta de projetos políticos viáveis, volta aos tempos de jornalista e entrevista, dentre outros, Roberto Carlos, para a edição 963 da revista carioca Manchete. Curioso é que Lacerda não ia à casa das “celebridades”. Os entrevistados iam à sala do entrevistador.
     
    Carlos Lacerda deu ao perfil extremamente bem escrito que fez do cantor um título sugestivo: Roberto Carlos, rei da jovem guarda, príncipe da melacolia”.

     Lacerda comenta que foi entrevistar Roberto e conheceu o Zunga, apelido de infância do cantor. E o Zunga vira a chave e o rumo de uma entrevista reveladora. Inclusive, com inegável talento, Lacerda aborda um tema-tabu até hoje na vida de Roberto Carlos: o acidente que sofreu, criança, em Cachoeiro do Itapemirim.  “Zunga esteve lá em casa. Veio vestido de Roberto Carlos, de calça veludo frappé como as que Jean Bouquin vende naquela loja louca de St. Germain. Mas é de Zunga que se trata, o menino de sua mãe, que aos seis anos, numa festa escolar, levou um esbarro da locomotiva e perdeu uma perna e hoje a tem toda nova, de metal polido, deve ser prateado, o que o faz coxear um pouco”. (…)  

    “Pois Zunga é uma espécie de Édipo. O rei é Édipo-Rei. O filho amoroso de todas as mães, flor amorosa de três raças tristes” (…) 

    Zunga é um solitário e isto se vê nos seus olhos, no seu rosto contido, de tímido tenso”.

    A entrevista mostra Lacerda , com seu estilo ímpar, até quando faz ao entrevistado uma última pergunta e um comentário final:

    – Se você fizesse um filme com a história da sua vida, como é que acabava?

    – Eu, numa rua, andando na chuva.

    – Ô solidão!

     

    Nota do SDV: “Corvo” era o apelido dado a Carlos Lacerda pelos seus inúmeros adversários.


  • A MOLA DO MUNDO

    Há 252 anos nascia o poeta português Manuel Maria du BOCAGE. É dele a quadra logo abaixo, falando sobre o que até hoje é a mola do mundo, principalmente ‘nefi paísf’ de malas e malandros:

     

    DINHEIRO

    Faço a paz, sustento a guerra 
    Agrado a doutos e a rudes 
    Gero vícios e virtudes 
    Torço as leis, domino a Terra.


  • ADVERTÊNCIA

     

    ESPECTRO POLÍTICO-IDEOLÓGICO

    Pra maniqueu com maleita:
    As bolas dos meus cojones
    São de esquerda e direita!

    (Soriedem do Improviso)


  • DOS VELHOS CINES DE NATAL…

     

    No Cinema Panorama
    Vi América, América
    Kazan com todo seu drama.

    Já no cinema Poti
    Assisti King Creole
    Elvis Presley e ti-ti-ti.

    No Cinema Rio Grande
    O desbunde de Woodstock
    Acompanhado da gangue.

    No velho Cinema Rex
    O seriado ‘O Cobra’
    Dura lex, sed lex.

    E no cinema Nordeste
    Blow-Up de Antonioni
    E cinéfilo se achando mestre.

    Lá no Cinema São Pedro
    Eu vi O Velho e o Mar
    Que desconhecia o medo.

    No cinema São Luiz
    Jagger viveu Ned Kelly
    Que morreu como bem quis.

    No Olde vi Mazzaropi
    Viver Pedro Malazartes
    A saga do herói pop.

    Lá no São Sebastião
    Vi o Ébrio Celestino
    Soltar o seu vozeirão.

    Já no Cine São José
    Vi Gianni Garko, Sartana
    Dar um tiro no meu pé!

    Graco Medeiros

     


  • TESTE DO NOVO SERVIDOR DO SDV…


    …E a cabra disse méééé!!!


  • ORÁCULO DE UM NÁUFRAGO

     

     

    O poema
    foi lançado ao mar
    numa garrafa a esmo.

    Quem a encontrar
    salve-se a si mesmo.

    (GM)


  • ‘HOOCHIE COOCHIE MAN’

     

     

    Que galego mais golpista…
    Merece um Fora Trump
    Em plena Avenida Paulista!

    (GM)

     

    A forma polida e respeitosa com que Donald Trump  se dirigiu à adversária, Hillary Clinton, no seu discurso de ganhador do pleito, demonstra que ele soube trabalhar um personagem “politicamente incorreto”, queixudo e marrento para “peitar o mundo” e seus adversários internos. Ganhou, acabou a fuleiragem.

    Afinal, ele vai ter que assumir agora um outro papel, o de Presidente dos EUA, o que não é pouca coisa. Trump deu foi um show de marketing eleitoral fela da mãe, desafiando a ditadura do tal ‘politicamente correto’ e o mimimi afrescalhado da esquerdinha bunda mole.

    Se ele vai ‘pregar fogo no mundo’, aí já é um outro papo.

    O que sabemos agora é que o ‘véi’ saiu comendo pelas beiradas e terminou papando tudo!

    The End. 


  • A BRONCA DOS HOMÔNIMOS

    Foto do busto em bronze dos Irmãos Gracchus, Tibério e Caio Graco, ‘tribunos da plebe’ romana, precursores da reforma agrária durante o Império dos Césares.

     

    Sempre achei que o meu nome de cartório e de batismo, apesar de não ser estrambótico, era raro, até pela concisão, já que meu pai, acertadamente, não o alongou com os outros sobrenomes dele e da minha mãe, comprometendo, assim, a estética de sua pronúncia forte, data venia pela presunção.

    Sou da era do rádio; do telégrafo; da tecla de morse; do teletipo; do telefone de baquelite com disco rotatório de números; da máquina de escrever completamente mecânica e da TV p&b.

    A máquina elétrica ‘IBM’; a TV a cores digital, de plasma e do escambau; os primeiros fax e computadores que chegaram no Brasil; os notebooks; tablets e os onipresentes celulares, desde os primeiros ‘tijolões’ até aos últimos ‘top de linha’, são apetrechos tecnológicos e modernosos da geração dos meus filhos e principalmente dos meus netos, Luan e Pietra, que fazem miséria com esses smartphones incríveis.

    Tenho por hábito, durante a madrugada, sempre que posso, sair catando meu nome, o de amigos e familiares no buscador ‘doutor google’ e geralmente descubro coisas já quase esquecidas da memória, seja a velha militância política, o meu universo de trabalho no serviço público federal e as minhas vivências, produções e participações poéticas e musicais ao longo do tempo.

    Como já me reportei no primeiro parágrafo, ao cascavilhar o meu nome, que sempre achei ‘sem chance’ para a ocorrência de possíveis homônimos, eis que surgem dois “Graco Medeiros”, entre os vários Caio Graco e Tibério Graco, aos quais o meu prenome sempre esteve ‘encangado’, pela fama dos irmãos ‘Gracchus’ da Roma antiga, os combativos ‘tribunos da plebe’, diletos filhos de Cornélia e propositores da reforma agrária romana. Contudo, devo ressaltar que este Graco aqui não tem nenhuma articulação com a bandalha do Stédile.

    Pois muito bem. O primeiro Graco Medeiros que eu achei é um menino alegre de João Pessoa, protótipo desses danadinhos de academia que bombam nas pistas das boates LGBT. Uma gracinha!

    O outro Graco Medeiros é um soldado de polícia (PM) ‘destacado’ em Itajá, cidadezinha do Vale do Açu, no Rio Grande do Norte.

    O soldado foi ‘nutiça’ porque denunciou as péssimas condições de trabalho, num posto onde somente ele e seu companheiro, um cantil, se fazem presentes numa cidadezinha de quase sete mil habitantes, numa região exposta à violência do ‘cangaço moderno’ que assola os sertões nordestinos.

    Esse xará, tinhoso como eu, estava sendo admoestado pelos seus superiores por causa da ousadia de denunciar tal situação e ainda fotografar e postar, em rede social, o cantil velho sobre uma mesa, chamando-o de meu único companheiro de trabalho.

    Lembrei do filme ‘Náufrago’, com Tom Hanks, vivendo um personagem, funcionário da FedEx, que sobrevive numa ilha deserta do Pacífico, após a queda do avião que o transportava. Seu único companheiro é uma bola de couro, da marca ‘Wilson’, que ele encontrou boiando, juntamente com cadáveres e outros objetos da carga que restou do avião sinistrado.

    Mas, o praça e xará conterrâneo me surpreendeu mesmo pelas implicações de sua postura na área de ‘Segurança e Saúde do Trabalhador’, atualmente cognominada de ‘Ciências do Trabalho, Meio Ambiente, Direito e Saúde’.

    Ainda sobre o primeiro Graco Medeiros lá de ‘Jampa’, também me reporta uma história sobre um soldado de Napoleão Bonaparte, um praça de ‘conduta alterada’, segundo o jargão militar.

    Sabendo de sua postura, Bonaparte o chamou pessoalmente e disse-lhe na tora:

    – “Xará, ou você muda de conduta ou muda de nome!”.

    Tomara que as candinhas, sabedoras do meu passado hippie estradeiro, não contabilizem esses ‘Graquinhos’ na minha ‘cota’ de pai. Só tenho três e nenhum deles assina ‘Junior!’

    (GM)


  • PRESENTE!!!

     

    O LIVRO DAS FACES

    Ironias que acontecem
    Nessas redes sociais…
    Uns vivos desaparecem
    Mas os mortos permanecem
    E se tornam imortais.

    (GM) 


  • UÓÓÓ!

     

     

                                          DILMA E O CADÁVER DE JOHNNY HOOKER

    “Eu só queria dizer para vocês que só vão impedir Dilma Roussef, a presidenta do Brasil, mulher, militante sobrevivente da ditadura militar, mãe e avó, economista, reta, heroína, braba, séria, deusa, eleita por milhões e milhões de brasileiros por voto direto apesar de uma campanha midiática severa e massiva contra, sucessora indicada do incrível Luis Inácio Lula da Silva, sobre o meu cadáver. Boa noite e boa sorte!”, disparou.

    (Declaração do cantor, ator e compositor pernambucano Johnny Hooker, em 2015, em pleno começo da escalada do impeachment de Dilma Rousseff )

    Responde alguma ‘alma sebosa’: “perdeu, playboy!”