• FIM

     

     

    O SOM DO VIALEJO AO LONGE ASSIM COMO O TRINIDO DO AMOLADOR DE TESOURAS…


    Fim da Linha

    Fim do ciclo, parou a roda
    Se existe o fim da vida
    Pra que continuar dando corda?


    Fim da ladaínha, fim de moda

    Se tudo acaba e renova
    Por que não interrompo a foda? 


    Sigo na contramão da horda…

    Na batalha de outra lida
    Sem “Mito” sem “Lula Livre”
    Sem gritar “amor acorda”.


    Chame o ladrão?

    Não. Não chame não.
    Eles chegam sorrateiros
    Em época de Eleição,


    Portanto

    Fecho a ciranda
    Mas não vou ver de novo
    (apenas para agradar o povo)

    A velha banda passar
    Cantando coisas de Hollanda.


    Agora é de vez, parou a moenda

    Nem bodega e nem venda… 
    Fechou a Quitanda.

     

    Bye.

     

    (GM)


  • ALPHA & OMEGA DO SOM DO VIALEJO

     


    DA REDE DE MACUNAÍMA


    A preguiça me venceu

    deitado na pussaringa
    bem longe de Pititinga
    onde mora o povo meu
    feito o titã Prometeu
    na tapera da soneca.


    Já cumpri a minha meta

    de postar meu besteirol
    sobre as notícias do UOL
    o Portal da velha Folha
    com Sakamoto e os bolhas
    aguardando a virada
    do “poste” no Datafolha
    que terminou dando em nada.


    Ficam as minhas poesias

    minhas lorotas vadias
    e todas as picardias
    tirando ondas e greias.


    No final, a minha ideia

    era vender a geleia
    para os pajés da Aldeia
    de Poti, da Mauriceia
    de todo e qualquer local


    Aqui encerro uma era

    de aceiro e quintal
    de terreiro colossal
    de onde rugia a fera.


    Eu saio depois do parto
    com cara de estupor
    mas apenas mudo o quarto
    pra curtir o meu torpor
    pois disso aqui fiquei farto.


    E levo a moringa d´água

    pra beber a minha mágoa
    rangendo noutro armador!


    (GM)


  • 20 DE JULHO DE 1969

     

    .

    A CONQUISTA  DA LUA E DA RUA


    Decolando do bar

    Tenda do Cigano
    na Praia do Meio
    um jovem paisano
    às notícias alheio
    sobe a travessa 25 de maio
    sem cavalo baio
    cruzando as ruas
    Monte Carlos e do Motor
    até o topo da balaustrada
    da Avenida Getúlio Vargas
    com a Nilo Peçanha
    tendo como referência
    o antigo Hospital Miguel Couto.


    Só na manha

    turbinado com vinho Jurubeba
    misturado com cachaça Murim
    e um bom manga rosa alagoano
    os olhos trincados como os de um peba
    segue em órbita, na sua Apolo 11
    o ‘onze’ ou rolé a pé das noites altas
    chispando pela Praça Cívica
    (que teimosamente sempre chamei
    de praça Pedro Velho
    ou praça das tartarugas
    da minha infância de calças curtas
    tão distante das minhas atuais rugas)


    Desabotinado

    o boy lombrado
    descia contornando
    o muro do Marista
    rente à Vila Lustosa
    até a baixada do Baldo.


    Engrenava na subida

    da Praça Tamandaré
    até a Igreja de São Pedro.


    Reacendia a baga

    no portão do cemitério do Alecrim
    os ‘ômis’ passavam e encaravam ruim
    debochando e xingando o hippie
    de alma penada… e o maluco sentado
    nos batentes da calçada
    devolvia o chiste na mesma pisada:


    – “Não tem flagrante, aspirante!”


    E seguia em frente

    pilotando e dando risada
    no seu módulo lunar pelo Alecrim
    seu berço de nascença.


    Ele era Armstrong, Collins e Aldrin.


    Parava na Praça do Quitandinha

    Pra comer ‘meio cachorro quente’
    e dar uns tapas num café preto
    o combustível necessário
    para chegar lá no alto
    da rua Amaro Barreto
    bifurcamento com a sua rua matriz
    a velha avenida doze ou rua dos Paiatís.


    Descia o vale da doutor Mário Negócio

    dando vista pra Baixa da Coruja
    onde moravam o vapozeiro Dagoberto
    e o pinta braba Bronzeado. Só no ócio.


    Atravessava os trilhos da Guarita

    E lá estava, na porta da água furtada
    o negão Mão de Onça: sempre na fita
    e atento nas quebradas.


    Era mais um baseado

    até a alunissagem
    no mar da tranquilidade.


    As parcas televisões em p&b ligadas

    e as rádios narrando a aventura
    dos pioneiros cosmonautas imortais
    marcando os seus rastros numa camada
    de fino pó da lua de São Jorge.


    Enfim, eu também pousava

    descendo a travessa Mário Lira
    na casa dos meus pais!


    (GM)

     

    ☆☆☆


  • FARSANTES



    A IGREJA DOS SANTINHOS DOS ÚLTIMOS DIAS

     

    Fim da linha
    Fim da farra
    Fim da farsa
    Fim do sofisma
    Fim do cinismo
    E do catecismo
    Em coito de ladrão.

    Fim dos ‘mijones’ roubados
    Corja de celerados
    Da Petrobras e do Mensalão.

    Vão para a Guiana
    Ou para Curitiba
    Beber do próprio veneno
    Com vossos líderes
    De sujos nomes…

    E tanto faz ser Lula
    Como Jim Jones!


    (GM)

     


  • AVISO AOS CARAS-PÁLIDAS

     

    “Com fragmentos tais foi que escorei minhas ruínas.
    Pois então vos conforto. Jerônimo outra vez enlouqueceu”.

     


  • NÓ DE MADEIRA

     


    TUDO MINTCHURA!!!!

     

    “A Polícia Federal mentiu no inquérito e mandou para o Ministério Público. O Ministério Público pegou o inquérito mentiroso e transformou numa acusação mentirosa e foi pro (juiz Sergio) Moro. E o Moro deu uma sentença mentirosa. E vem pro TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) que deu outra sentença mentirosa”.


    (Lula em entrevista à Rádio Super Condá de Chapecó / SC, neste 23 de março, sexta-feira)


  • “EU E MINHAS CIRCUNSTÂNCIAS”

     


    Eu e meu balaio

    Na velocidade que entro
    Eu saio!

    (Urtiga y Cacete)


  • O REI E O CORVO (*)

     

    Capa da Revista Manchete / 1970 – Carlos Lacerda entrevista Roberto Carlos. Fonte: blogue Rio Que Mora no Mar, de Elizabeth de Mattos Dias (2013).

     


    CARLOS LACERDA E ROBERTO CARLOS


    Em 1970, Carlos Lacerda, à falta de projetos políticos viáveis, volta aos tempos de jornalista e entrevista, dentre outros, Roberto Carlos, para a edição 963 da revista carioca Manchete. Curioso é que Lacerda não ia à casa das “celebridades”. Os entrevistados iam à sala do entrevistador.

     
    Carlos Lacerda deu ao perfil extremamente bem escrito que fez do cantor um título sugestivo: Roberto Carlos, rei da jovem guarda, príncipe da melacolia”.

     Lacerda comenta que foi entrevistar Roberto e conheceu o Zunga, apelido de infância do cantor. E o Zunga vira a chave e o rumo de uma entrevista reveladora. Inclusive, com inegável talento, Lacerda aborda um tema-tabu até hoje na vida de Roberto Carlos: o acidente que sofreu, criança, em Cachoeiro do Itapemirim.  “Zunga esteve lá em casa. Veio vestido de Roberto Carlos, de calça veludo frappé como as que Jean Bouquin vende naquela loja louca de St. Germain. Mas é de Zunga que se trata, o menino de sua mãe, que aos seis anos, numa festa escolar, levou um esbarro da locomotiva e perdeu uma perna e hoje a tem toda nova, de metal polido, deve ser prateado, o que o faz coxear um pouco”. (…)  

    “Pois Zunga é uma espécie de Édipo. O rei é Édipo-Rei. O filho amoroso de todas as mães, flor amorosa de três raças tristes” (…) 

    Zunga é um solitário e isto se vê nos seus olhos, no seu rosto contido, de tímido tenso”.

    A entrevista mostra Lacerda , com seu estilo ímpar, até quando faz ao entrevistado uma última pergunta e um comentário final:

    – Se você fizesse um filme com a história da sua vida, como é que acabava?

    – Eu, numa rua, andando na chuva.

    – Ô solidão!

     

    Nota do SDV: “Corvo” era o apelido dado a Carlos Lacerda pelos seus inúmeros adversários.


  • A MOLA DO MUNDO

    Há 252 anos nascia o poeta português Manuel Maria du BOCAGE. É dele a quadra logo abaixo, falando sobre o que até hoje é a mola do mundo, principalmente ‘nefi paísf’ de malas e malandros:

     

    DINHEIRO

    Faço a paz, sustento a guerra 
    Agrado a doutos e a rudes 
    Gero vícios e virtudes 
    Torço as leis, domino a Terra.


  • ADVERTÊNCIA

     

    ESPECTRO POLÍTICO-IDEOLÓGICO

    Pra maniqueu com maleita:
    As bolas dos meus cojones
    São de esquerda e direita!

    (Soriedem do Improviso)